 




Serie Westmoreland 05 - Ano 2004
Disponibilizao e Traduo: Yuna - Gisa - Mare - Rosie
Reviso: Sandra Muller
Re-reviso e Formatao: Iara Brando



Resumo:

Ele podia levar qualquer mulher para cama com suas palavras doces, e o fazia freqentemente. O bombeiro Storm Westmoreland tinha estado com muitas mulheres sem que nenhuma deixasse rastro nele, at que um trrido fim de semana com uma sexy virgem fez que o sedutor Storm desejasse algo mais que a satisfao fsica....
Jayla Cole se encontrava no olho do furaco, incapaz de estar  altura do atraente Storm ou de suportar a tormenta emocional que ele desencadeava dentro dela. Ficaria satisfeita com uma relao meramente sexual ou continuaria desejando formar sua prpria famlia?


Captulo 1

   - Jayla? O que est fazendo em Nova Orleans?
   Jayla Penetre deixou escapar um grito abafado pela surpresa. Ao virar-se, seu olhar cruzou com o do homem alto, moreno e perigosamente bonito que estava a sua frente no vestbulo do hotel Sheraton, no formoso Bairro Francs.
   O homem era Storm Westmoreland, de quem se dizia que era capaz de deixar sem flego  mulher que chamasse sua ateno. Conforme tinha ouvido, Storm era um perito em agradar mulheres, mas sem prometer nada. As ms lnguas diziam que tinha a incrvel habilidade de realizar as fantasias de uma mulher, deixando para algumas lembranas indelveis. Tambm era o homem que a tinha evitado repetidamente durante os ltimos dez anos.
    - Cheguei  cidade h alguns dias para assistir  Conveno Internacional de Comunicao Empresarial - respondeu Jayla tentando no perder-se na profundidade dos olhos escuros, na sensual voluptuosidade de seus lbios ou no pequeno brilhante que usava na orelha direita.
   Se por acaso fosse pouco, tinha o tom da pele da cor do chocolate com leite, o cabelo muito curto e um par de covinhas muito sexy. Vestia calas de pregas de cor cqui e uma camisa que acentuava sua slida constituio. Seu torso continuava sendo to amplo e seu traseiro to bem torneado quanto lembrava. Ficava fenomenal com qualquer coisa que vestisse.
   - E voc? - decidiu perguntar a seguir. - O que est fazendo em Nova Orlens?
    - Vim a uma reunio da Associao Internacional de Chefes de Bombeiros.
   - Li no jornal seu sucesso. Papai ficaria orgulhoso de voc, Storm.
    - Obrigado.
   Jayla viu a expresso de tristeza refletida nos olhos de Storm e compreendeu o motivo. Ele tambm no tinha superado a morte de seu pai. De fato, a ltima vez que havia visto Storm tinha sido no funeral do pai seis meses atrs. De vez em quando a chamava para perguntar como estava. Adam Penetre tinha sido o primeiro chefe de Storm quando entrou no corpo de bombeiros aos vinte anos. O pai de Jayla sempre tinha gostado de Storm como ao filho que nunca teve. Jayla nunca esqueceria a primeira vez que seu pai o tinha levado para casa para jantar quando ela tinha dezesseis anos. Ficou profundamente impressionada com ele, apaixonou-se perdidamente apesar da diferena de idade que tinham. Tentou chamar sua ateno por diversas vezes e nunca conseguiu. Algumas vezes chegou a fazer papel realmente ridculo, mas, felizmente, ele sempre recusou seus avanos com bons modos. 
   Mas haviam se passado dez anos e o tempo lhe permitia admitir algo que se negara a admitir no passado. Aquele homem no era seu tipo e estava totalmente fora de seu alcance.
    - Quanto tempo ficar aqui? - ele perguntou interrompendo seus pensamentos.
    - Esta semana toda. A conferncia terminou hoje, mas ficarei at no domingo para passear na cidade. Faz cinco anos que no venho aqui.
   Storm sorriu e Jayla no pde evitar sentir-se nervosa.
    - Eu vim h alguns anos e o foi genial - disse ele.
   Jayla no pde evitar perguntar-se se teria vindo com uma mulher ou com seus irmos. Qualquer um que tivesse vivido em Atlanta sabia quem eram os irmos Westmoreland: Der, Thorn, Stone, Chase e Storm. Sua nica irm, Delaney, a mais nova de todos, tinha-os deixado surpreendidos ao casar-se com um sheik de um pas do Oriente Mdio dois anos atrs.
   - E voc vai ficar quanto tempo? - perguntou Jayla.
   - Minha reunio tambm terminou hoje e, como voc tambm decidi ficar at no domingo para percorrer a cidade e comer comida tpica.
   O tom empregado por Storm tinha sido to sexy que Jayla sentiu um n que se formando na garganta.
   - Gostaria de jantar comigo esta noite? - convidou Storm a seguir.
   - O que disse? - perguntou Jayla, no muito certa de ter ouvido bem.
   - Perguntei se gostaria de jantar comigo esta noite - repetiu Storm com um de seus sorrisos constrangedores. - No te vejo desde o funeral do seu pai e embora tenhamos nos falado pelo telefone de vez em quando gostaria de me sentar e conversar contigo, saber como est.
    Jayla estremeceu. As palavras de Storm lhe recordaram a promessa que havia feito a seu pai antes de morrer: que se sua pequena Jayla necessitasse de algo alguma vez, ele estaria ali. No gostava da idia de outro homem dominador na sua vida, especialmente um que a lembrava tanto seu pai. A razo pela qual Storm e Adam Penetre tinham sido to bons amigos era que se pareciam muito.
   - Obrigada pelo convite, mas j tenho outros planos - mentiu Jayla.
   No pareceu que a recusa o desconcertasse, limitou-se a encolher os ombros e olhar o relgio.
   - Est bem, mas se mudar de idia, me chame. Estou no quarto 536.
   - Obrigado. Farei-o.
   - Gostei muito de te ver novamente, Jayla, e se algum dia precisar de alguma coisa, no hesite em me chamar. 
   Se realmente pensava que o chamaria absolutamente no a conhecia. Seu pai podia ter gostado dele como a um filho, mas ela nunca o tinha considerado um irmo. Em sua mente, Storm era o homem que podia acend-la e durante os dois anos anteriores a sua sada de Atlanta para ir  universidade, tinha sido o homem que tinha consumido seus pensamentos. Quando retornou a casa quatro anos depois, tinha-o encontrado totalmente irresistvel, mas no demorou em dar-se conta de que ele continuava sem a notar.
   - A mim tambm, Storm. Se por acaso no nos vemos mais antes de ir, espero que tenha uma boa viagem de volta a Atlanta - disse Jayla confiando que seu tom fosse mais alegre do que realmente se sentia.
   - Digo o mesmo.
   Surpreendeu-a pegando seus dedos e apertando-os carinhosamente. No pde evitar estremecer. O contato tinha sido como uma corrente eltrica. No pde evitar notar a fora daquela mo e a forma como a olhava profundamente com seus olhos escuros.
   Recordou outro momento em que seus olhares tambm tinham se conectado. Fora no ano anterior quando os homens do corpo de bombeiros tinham dado uma festa surpresa de aniversrio a seu pai. Lembrava que Storm estava falando com algum quando de repente se virou e seus olhares se cruzaram como se fosse  primeira vez que se viam. O episdio tinha sido breve, mas assustador para ela de todas as formas.
   - Seu pai era um homem muito especial, Jayla, e significava muito para mim - disse Storm suavemente antes de lhe soltar a mo e retroceder um passo.
   Jayla assentiu tentando no pensar na reao de seu corpo ante a proximidade de Storm, enquanto segurava as lgrimas que sempre a assaltavam quando recordava que tinha perdido seu pai fazia pouco tempo por um cncer de pncreas.
   - E voc tambm significava muito para ele, Storm - disse apesar do n que tinha na garganta. - Foi o filho que nunca teve.
   Viu como Storm inspirava profundamente e se deu conta de que suas palavras o tinham atingido profundamente.
   - Prometa que se alguma vez necessitar de algo me chamar.
   - O chamarei, Storm - disse depois de um suspiro, consciente de que havia tornado a mentir.
   Obviamente satisfeito com sua resposta, virou-se e se afastou. Ela o observou imvel, esforando-se por ignorar os desenvolvidos msculos que se adivinhavam sob o tecido da camisa e das calas. O ltimo pensamento antes de v-lo entrar no elevador foi que certamente tinha um traseiro lindo. 
   
   Quando as portas do elevador se fecharam, Storm apoiou as costas na parede enquanto repensava. Ver Jayla tinha sido uma surpresa para ele. Recordou que era bonita quando tinha dezesseis anos, mas com o tempo se converteu na criatura mais bela que tinha visto.
   - Jayla - suspirou.
   Nunca esqueceria quando Adam o convidou para jantar para comemorar a volta de Jayla a Atlanta. Nada o tinha feito supor que seu reencontro o afetaria de tal maneira. Entrou na casa e sentiu como se lhe tivessem dado um forte golpe no estmago, como se seus pulmes se esvaziassem repentinamente. 
   Jayla tinha se transformado em uma mulher muito bonita e desejvel, e a nica coisa que tinha impedido que a acrescentasse a sua lista de conquistas era o profundo respeito que sentia por seu pai. Mas no tinha conseguido evitar que Jayla penetrasse, sem avisar, em seus sonhos. 
   Voltou a suspirar. 
   Jayla tinha belos olhos cor mel, cabelo castanho reluzente com reflexos dourados e uma pele da cor do cacau cremoso. Pensou que a combinao era irresistvel. No tinha esquecido tampouco o maravilhoso corpo que se ocultava sob as calas curtas e a camiseta de suspensrios, nem o bem que cheirava. No tinha podido reconhecer a fragrncia, ele que pensava que conhecia todas. A prpria Jayla estremeceu quando suas mos se tocaram ao cumprimentarem-se. Tinha sentido e a resposta dela ao contato fez com que seu corpo desse um coice. Tinha tido que esforar-se realmente para no deix-la ver que aquilo o tinha impressionado.
   Storm calculou que Jayla devia ter vinte e seis anos, mas toda sua pessoa irradiava um halo de inocncia que no tinha visto em nenhuma outra mulher da sua idade. E era precisamente essa inocncia que mais o confundia. Entretanto havia algo de que estava certo: pelo que a ele concernia, Jayla continuava fora dos seus limites. Talvez tivesse sido melhor Jayla ter recusado seu convite para jantar. A ltima coisa que precisavam era compartilhar uma refeio. De fato, estar perto dela era um convite a problemas tendo em conta a atrao que sentia. Deixou escapar um pequeno gemido, quase imperceptvel, e se deu conta de que, a nica coisa que tinha mudado era que Adam j no estava presente para lembr-lo de que Jayla era a nica mulher que no podia ter.
   - Maldita seja.
   Pensar em Jayla o enchia de desejo. Storm passou a mo pelo rosto. Nada tinha mudado. Aquela mulher continuava sendo uma grande tentao para ele. Definitivamente no era seu tipo, gostava muito da liberdade de amar que desfrutava e no lhe importava o que os outros pudessem pensar. Sabia perfeitamente que a razo de ter uma vida tranqila, sem estresse, era precisamente sua ativa vida sexual. S tinha que continuar responsvel e assegurar-se de que seus encontros sexuais no implicavam riscos para sua sade. 
   De novo pensou em Jayla. Recordou quando deixou Atlanta para ir  universidade no norte do pas. Adam teria preferido que ficasse mais perto de casa, mas finalmente tinha cedido e a tinha deixado ir. Adam o tinha mantido informado de seus avanos na universidade. Sempre se mostrara orgulhoso dela e quando Jayla se formou com honras, Adam tinha convidado a seus homens para celebrar. Fazia quatro anos. 
   O elevador parou interrompendo os pensamentos de Storm e ele saiu quando as portas se abriram. Tinha chegado  concluso, de que, por mais incrivelmente atraente que parecesse, a ltima mulher com quem desejaria ter algum tipo de compromisso era Jayla Cole. Entretanto, no pde evitar pensar no aspecto dela momentos antes, no vestbulo. Incrvel, simplesmente incrvel...
   
   Na manh seguinte, Jayla estava tomando o caf da manh tranqilamente no restaurante do hotel. Reclinou-se na cadeira e bebeu o suco de laranja com um vivaz sorriso no rosto. O telefonema que tinha recebido momentos antes de sair do quarto a alegrara. A chamada fora da clnica de fertilidade e haviam informado que tinham encontrado um doador de esperma com o perfil adequado. 
   Possivelmente poderiam comear com os preparativos em menos de um ms. Sentia-se muito feliz ao pensar em ter um beb. Sua me morrera quando ela tinha s dez anos e a morte repentina do pai meses atrs a faziam sentir-se muito s s vezes. 
   A princpio, tinha pensado nos homens com os quais tinha sado nos dois ltimos anos, mas todos deixavam muito a desejar, ou eram muito dominadores ou muito aborrecidos. Assim finalmente tinha se decidido por uma clnica de fertilidade. No pde ocultar o sorriso de felicidade. Estava ansiosa por poder abraar seu beb. Um lindo beb com a pele cor de chocolate, olhos escuros, lbios carnudos, bonitas covinhas e...
   -Bom dia, Jayla. Parece que est de muito bom humor nesta manh.
   Jayla levantou o olhar e encontrou com os olhos de Storm. Apesar de ter decidido que no queria v-lo no que restava da semana, no a incomodava voltar a encontrar-se com ele em to pouco tempo. Estava muito feliz com sua vida para que algo ou algum pudessem fazer com que mudasse de humor.
   - Estou de muito bom humor, Storm. Acabo de receber uma excelente notcia - respondeu sorrindo. Notou a curiosidade nos olhos de Storm, mas sabia que era muito educado para fazer perguntas. E ela no tinha a mnima inteno de compartilhar com ele seus planos. Sua deciso de embarcar na aventura de ser me solteira era pessoal. No tinha contado a ningum, nem sequer a Lisa, sua melhor amiga.
   - Voc se incomoda se eu me sentar?
   -Claro que no. Sente-se - disse ela sorrindo ainda mais.
    Jayla o observou enquanto se sentava e comprovou uma vez mais que a roupa se complementava perfeitamente com sua forma de ser. Definitivamente, estava estupendo vestido com jeans e camiseta que dizia: "Os bombeiros esto onde queima".
   - O que est tomando de caf da manh? - perguntou ele olhando o prato.
   - Bufet. E tudo est delicioso.
   - Acho que vou provar - disse concordando. - Volto em um minuto.
   Jayla o observou enquanto se dirigia  mesa. No conseguia evitar olh-lo. Sabia que no devia sentir-se culpada pela atrao que sentia. Alm disso, no era a nica, pensou ao ver como o olhavam as outras mulheres. Entretanto, parecia que ele estava mais interessado em encher o prato que na ateno que sua presena provocava. Jayla pestanejou ao dar-se conta, para sua surpresa, de que os traos de Storm eram idnticos aos que tinha requerido na clnica quando tinha preenchido o questionrio. Se a clnica havia falado a verdade e tinham encontrado um doador que cumpria esses requisitos, seu beb seria idntico a Storm.
   Sacudiu a cabea sem poder acreditar no que seu subconsciente estava fazendo. Ao pestanejar outra vez pela surpresa, deu-se conta de que Storm a tinha flagrado olhando-o e agora era ele que a olhava com uma sobrancelha levantada. O corao de Jayla comeou a pulsar desaforadamente enquanto ele cruzava o restaurante.
   -O que fiz? - perguntou Storm sentando. - Estava me olhando como se fosse um extraterrestre.
   -Nada - respondeu esforando-se para sorrir. - No pude evitar ver toda a comida que estava pondo no prato.
   Jayla tomou o suco de laranja. Havia se encontrado com os irmos de Storm fazia pouco tempo e lembrava que todos estavam em esplndida forma fsica. Se todos comiam tanto, tambm teriam que treinar muito.
   - Seus pais deviam gastar uma verdadeira fortuna no supermercado - acrescentou.
   -  verdade, e minha me no trabalhava fora de casa quando ramos pequenos, assim meu pai tinha que se virar para trazer comida para casa. Mas nunca se queixou das grandes quantidades de dinheiro que se gastava em comida. Assim  como quero que seja na minha casa se alguma vez me casar.
   - O que? - questionou Jayla levantando uma sobrancelha.
    - No quero que minha mulher trabalhe fora de casa.
   Jayla o olhou enquanto deixava o copo na mesa. J sabia. Pessoas que conheciam Storm haviam comentado. No era segredo que quando Storm Westmoreland se casasse, procuraria uma diva domstica.
   - Admiro e respeito profundamente s mulheres que ficam em casa para cuidar de seus filhos - disse ela com toda sinceridade.
   - Serio?
   - Sim, criar um filho  um trabalho que requer todo o tempo.
   - E voc o faria? Ficaria em casa? - perguntou ele reclinando-se sobre a cadeira olhando-a.
   - No.
   - Mas acaba de dizer que voc...
   - Admiro as mulheres que o fazem, mas isso no significa necessariamente que eu o fizesse. Acredito que posso ter uma carreira profissional e ser me ao mesmo tempo - disse ela interrompendo-o.
   - No ser fcil.
   - Ser pais no  fcil, Storm, tanto se trabalhar fora de casa como se no. O mais importante  que os filhos se sintam queridos e protegidos. E agora se me desculpar, vou pegar umas frutas.
   Storm a observou enquanto se dirigia  mesa do bufet. Lembrou que na noite anterior tinha decidido manter-se longe dela porque era uma tentao. 
   Ao entrar no restaurante sentira sua presena muito antes de v-la e ao dar uma olhada no salo a tinha visto sentada, sozinha, com um grande sorriso nos lbios, alheia a tudo e a todos. No podia evitar perguntar-se o que a teria deixado de to bom humor. Bebeu um gole de seu caf pensando que, o que quer que fosse obviamente ela no queria compartilhar. Olhou-a enquanto se servia de frutas em uma tigela. Gostava da roupa que usava: um vestido de alas finas de cor fcsia e sandlias baixas. Tinha pernas fabulosas e o cabelo lhe acariciava os ombros. Era a viva imagem da seduo e parecia confortvel com essa roupa to adequada para um quente dia de setembro.
   - A comida aqui  muito boa - comentou enquanto se sentava e provava as frutas.
   Storm levantou a cabea e ficou sem flego quando seu olhar pousou na boca entreaberta de Jayla, que saboreava um pedao de abacaxi como se fosse  coisa mais deliciosa que tivesse provado. Observou-a enquanto ela mastigava lentamente. A situao lhe parecia fascinante e ao mesmo tempo excitante.
   - Que planos tem para hoje? - perguntou afinal.
   A pergunta de Jayla o trouxe ao presente e, deixando o garfo no prato, reclinou-se sobre a cadeira sem deixar de olh-la nos olhos.
   - Sairei para passear. Perguntei ao recepcionista e me aconselhou fazer o tour Gray Line.
   - Me disse o mesmo. Quer que o faamos juntos? - perguntou Jayla sorrindo.
   Por mais inocente que pudesse parecer  sugesto, Storm teria preferido que no a houvesse feito com essas palavras "faz-lo juntos". Estava imaginando um cenrio totalmente diferente e estava custando muito concentrar-se.
   - Est certa de que no te importa que te acompanhe? - perguntou olhando-a nos olhos. Embora no as recebia freqentemente, reconhecia uma mentira assim que a ouvia e na noite anterior Jayla havia mentido quando a convidou para jantar.
   - No, eu adoraria que me acompanhasse. 
   Perguntou-se o que a teria feito mudar de idia. Evidentemente, a notcia que tinha recebido causara um grande efeito nela.
   - O que diz ento, Senhor Bombeiro? Samos a queimar as ruas?
   Queimar os lenis estava mais na linha do que gostaria de fazer com ela, mas se lembrou de quem era aquela mulher e que estava fora de suas possibilidades.
   - Claro. Ser divertido - disse ele. "Desde que passemos disso".
   -  exatamente o que necessito Storm - disse ela sorrindo de forma muito sexy. - Passar um dia verdadeiramente divertido.
   Storm a observou por um momento e de repente compreendeu. Os ltimos seis meses deviam ter sido duros para ela. Jayla e seu pai tinham tido uma relao muito prxima. Storm notou que o instinto de proteo o invadia. Tinha prometido a Adam que sempre cuidaria dela. Alm disso, se algum podia lhe ensinar como se divertir, esse algum era ele. 
   Tinha passado os ltimos anos tratando de evit-la precisamente pela atrao que sentia e nesse momento se dava conta de que, por ter estado to ocupado fazendo-o, perdeu a verdadeira mulher. Talvez fosse hora de corrigir e comear a construir uma relao embora s fosse de amizade.
   Divertir-se com uma mulher sem ter sexo envolvido seria uma aventura nova para ele, mas estava desejando provar. Como no era provvel que algum deles pensasse seriamente em ter algo com o outro no via nada mau em baixar o guarda um pouco e passar bons momentos com ela.
   - Ento nos divertiremos Jayla Cole - disse com total sinceridade. - E quem sabe? Pode que ser te surpreenda e passe to bem que no volte a pensar em ser to sria.
   
   Captulo 2
   
   Uma chicotada de excitao percorreu Jayla quando o nibus turstico fez uma nova parada. Desta vez se tratava de subir a bordo do Natchez para fazer um cruzeiro pelo Mississipi. Era uma rplica de um dos barcos a vapor que cruzavam antigamente o imenso rio. Jayla permaneceu junto ao corrimo de onde observava a magnificncia do rio. Estava muito consciente, entretanto, da presena masculina que a acompanhava. Durante a viagem no navio, Storm no tinha deixado de diverti-la contando curiosos detalhes dos navios fluviais. Jayla o observava com ateno, a cabea inclinada, os olhos ocultos pelos culos escuros. Gostava de olh-lo tanto quanto de escut-lo. De fundo, uma suave melodia de jazz flutuava no ar e o som do navio atravessando as guas era realmente relaxante para a Jayla.
   - Por que sabe tanto de navios fluviais? - perguntou quando Storm guardou silncio por um momento. Viu como os lbios se curvavam em um sorriso e sentiu que os nervos se agarravam ao estmago.
   - Por meu primo Ian - replicou, retirando uma mecha de cabelo do rosto de Jayla. - H alguns anos decidiu comprar, com ajuda de alguns investidores amigos seus um belo navio fluvial com capacidade para quatrocentos passageiros.
   - Verdade? E que trajeto faz?
   Storm se apoiou no corrimo e ps as mos nos bolsos da bermuda.
   - O navio de Ian, o Delta Princess, sai do Memphis e percorre durante dez dias o Mississipi fazendo escala em Nova Orlens, Baton Rouge, Vicksbourg e Natchez.  um cruzeiro de primeira classe e a comida  excelente. A princpio, o negcio demorou a alavancar, mas agora fazem reservas com um ano de antecedncia.
   De novo o silncio e Jayla voltou a olhar para o rio. As guas corriam pacificamente ao contrrio dos sentimentos que buliam em seu interior. Storm tinha mantido a palavra. Estava passando o melhor dia desde fazia muito tempo. Ele mostrava uma atitude divertida que a contagiava. Era agradvel rir de boa vontade e se alegrava de poder faz-lo com ele. Tentou lembra a ltima vez que riu assim com um homem e percebeu que tinha sido com seu pai. Inclusive no final, quando sabia que a dor lhe atravessava o corpo, seu pai encontrava energia para gastar com brincadeiras. Suspirou ligeiramente. Eles perderam muito. Quando era adolescente, mostrou-se muito rebelde porque seu pai era muito rgido com ela. E foi quando retornou da universidade que comeou a forjar-se entre eles uma relao pai-filha especial.
   -E que planos tem para depois?
   A pergunta de Storm interrompeu seus pensamentos.
   - Meus planos para depois?
   - Sim. Ontem, convidei-a para jantar e recusou meu convite dizendo que j tinha planos. Hoje, espero ter me antecipado.
   Jayla suspirou. Passar o dia com Storm estava sendo divertido, justo o que necessitava, mas no era preciso passar a noite tambm. A nica coisa que tinham em comum era que os dois gostavam e respeitavam o pai de Jayla. Essa poderia ser a nica coisa que viriam a compartilhar, mas passar mais tempo com Storm faria despertar antigos sentimentos da atrao que sempre tinha sentido por ele. Tirou os culos e o olhou nos olhos, e, imediatamente desejou no hav-lo feito. Seus olhos eram escuros, tanto que apenas se distinguiam as pupilas. O tombo que sentiu nas vsceras foi to inesperado que ficou sem flego.
   - Perguntava-me quando deixaria de te esconder atrs desses culos - continuou Storm tirando-os de suas mos ao ver que Jayla ia coloc-los de novo. - No me importa que me olhe - acrescentou sorrindo com ar fanfarro.
   Jayla no pde evitar ruborizar-se violentamente nem tampouco sorrir.
   - Suponho que depois de tantas vezes j se tornou cansativo, no?
   - O que? - disse ele elevando uma sobrancelha.
   - Que as mulheres o olhem constantemente.
   - Na realidade no - disse ele sorrindo. - Normalmente eu tambm o fao assim quando decidirem se lhes interesso ou no eu tambm sei se estou interessado nelas ou no.
   - Que arrogante - disse Jayla sorrindo ao mesmo tempo em que recuperava os culos e se ocultava atrs da tela escura.
   - Eu o vejo mais como uma economia de tempo - disse simplesmente. - Suponho que poderia dizer que descarto aquelas que no passam no teste.
   Jayla suspirou profundamente e lutou por no seguir perguntando embora a curiosidade fosse maior que sua fora de vontade.
   - E eu passei no teste?
   Por um momento pensou que Storm no ia responder, mas ento se inclinou para diante, tirou-lhe os culos e a olhou nos olhos.
   - Com mritos, Jayla Cole. Sou um homem de sangue quente e mentiria se te dissesse que no te acho atraente, mas, por outro lado, tenho que respeitar quem .
   - A filha do Adam?
   - Sim.
   Jayla apertou os dentes totalmente frustrada. Duvidava muito que Storm soubesse a dor que tinha sentido ao ver-se recusada por ele por ser filha de quem era. Parte dela tinha conseguido superar a recusa anos atrs, mas por outro lado, continuava enfurecendo-a. Viu como Storm consultava a hora como querendo dizer que a conversa tinha terminado.
   - No me disse se tem planos para depois - continuou Storm.
   Jayla estirou o brao para recuperar os culos, mas ento mudou de idia. Decidiu que queria divertir-se um pouco com ele. Aproximou-se mais e o pegou pela lapela da camisa.
   - Por que, Storm? O que tem em mente para depois? - perguntou com seu tom mais sugestivo.
   - Jantar - respondeu ele depois de estudar seu rosto.
   - Jantar? Isso  tudo? - disse ela apertando-se mais contra ele. Storm deu uma olhada a seu redor. S havia poucas pessoas. Depois a olhou.
   - Isso  tudo, sim. A menos que...
   - A menos o que?
   - A menos que queira que te atire ao rio para que te esfrie.
   Jayla pestanejou surpreendida. Storm no sorria e a olhava com gesto srio.
   - Acredita que preciso me esfriar, Storm?
   Storm voltou a sorrir embora lhe custasse.
   - Acredito que tem que te comportar - disse ele lhe beliscando o nariz.
   Ela franziu o cenho. Eram as mesmas palavras que lhe havia dito dez anos atrs quando tentou insinuar-se, sabia que tanto na primeira vez como nesse momento, Storm tinha razo, mas lhe incomodava que seguisse utilizando seu pai como desculpa para no se aproximar dela. Uma parte dela sabia que era ridculo sentir-se incomodada, especialmente quando deveria estar agradecida tendo em conta a reputao de Storm de deitar-se com as mulheres e dizer adeus na manh seguinte. Suas proezas de donjun eram legendrias. E mesmo assim, uma parte dela odiava sentir que se negava a v-la como uma mulher. J no era uma menina e era capaz de decidir por si mesma com quem queria ter uma relao. Alm disso, em pouco tempo se tornaria uma mulher com a grande responsabilidade de criar sozinha a um beb.
   - O que me diz do jantar, Jayla?
   Jayla sabia que deveria deixar passar, mas parte dela no aceitava.
   - Pensarei.
   E sem dizer nada mais pegou os culos e se afastou dele.
   Storm sacudiu a cabea enquanto observava Jayla que se afastava. Tinha tido muita coragem para lhe perguntar se passava no teste, como se no houvesse sentido as fascas que tinham saltado entre eles no dia anterior e nesta manh. Felizmente para ele, aquela era uma atrao que podia controlar, mas tinha que admitir que quando tinha fingido insinuar-se alguns momentos atrs tinha estado a ponto de perder o controle. Recordava quando era uma adolescente. Naqueles anos, Adam a havia descrito como uma jovenzinha vivaz, teimosa e independente. Parecia que no tinha mudado muito.
    Storm a observou enquanto se movia entre as mesas que serviam um generoso bufet de comida e teve que reconsiderar sua relao com ela. Muitas coisas de Jayla tinham mudado muito. No recordava a ltima vez que uma mulher tinha chamado tanto sua ateno. Certo que Jayla no podia nem imaginar o perto que tinha estado de beij-la um momento antes quando tinha aproximado seu corpo ao dele. Storm tinha fixado seu olhar em seus lbios e tinham parecido to suaves que desejara averiguar ele mesmo o quanto. Storm suspirou. Seu plano no ia mais  frente no jogo, mas seu corpo no se recuperou dos efeitos. Entretanto, tinha que se ater ao que seu dever lhe ordenava embora ela no soubesse o que era nem quanto lhe custava.
   Por que no podia tirar os olhos dela? Acaso no tinha decidido que estava fora de seus limites? Desviou os olhos e tratou de concentrar-se na beleza do rio. Era um belo dia de setembro e tinha que admitir que estava se divertindo com Jayla. Tinha a habilidade de faz-lo desejar v-la sorrir, ouvi-la rir. Podia assegurar que desfrutava com ela mais do que tinha desfrutado com uma mulher em muito tempo. Perguntava-se se sairia com algum. Recordou que Adam mencionou uma vez que era muito seleta com os homens e que nunca encontraria o homem perfeito que cumprisse todos os requisitos. Aquela conversa havia sido h anos atrs e Storm no podia evitar perguntar-se se sua atitude teria mudado. Algo ou algum a tinha feito sorrir nessa mesma manh, sendo que havia dito que tinha recebido uma boa notcia que no tinha querido compartilhar com ele, perguntava-se se teria algo que ver com um homem.
   - Storm, quer comer algo?
   O som da voz chamou sua ateno e Storm a olhou. O tom dos olhos parecia arrast-lo para ela e no quis nem pensar na boca, onde se desenhava um enorme sorriso. Parecia que j no estava molesta. Ao no responder, Jayla voltou a perguntar.
   - Quer ou no?
   Lutou contra o desejo de lhe dizer que sim, que estava faminto, mas no de comida, limitou-se a se aproximar da mesa e pegar o prato que lhe oferecia.
   - Sim. Obrigado.
   - De nada. Deveria provar isto. Est muito bom - disse colocando uma bola de queijo na boca. Storm ficou sem flego. Olhou-a enquanto mastigava. Pensar em beij-la no era o mais adequado. Tinha que concentrar-se em compartilhar uma relao platnica com ela e nada mais.
   - Muitas destas, e no haver um depois.
   - Como diz? - perguntou Storm.
    - Disse que muitas destas e no ser necessrio jantar depois. Esto deliciosas.
   Seu primeiro impulso foi lhe dizer que, para ele, a comida era como sexo, nunca se cansava. Mas decidiu que seria melhor no lhe dizer nada. Depois de encher seus pratos, subiram  cobertura superior onde tinham colocado as mesas. Sentaram-se junto ao corrimo. Storm se fixou nos cabelos de Jayla que flutuava com a brisa e voltou a admirar sua beleza. Enquanto ele se concentrava nela, Jayla se concentrava na comida. A maioria das pessoas que visitava Nova Orlens desfrutava muito com a excelente culinria. Em vez de concentrar-se em seu prato, Storm estava obcecado com uma pergunta. Quando se deu conta de que no ia poder comer nada at que recebesse uma resposta, decidiu lhe perguntar.
   - Sai com algum, Jayla?
   - No, decidi deixar esse assunto - disse ela olhando-o.
    - Por qu? - perguntou ele franzindo o cenho. A resposta no era a que tinha esperado.
   - Porque h muitos homens como voc - respondeu reclinando-se sobre a cadeira.
   - E como sou? - perguntou inclinando-se para frente.
   - O tipo que usa e joga fora.
   Storm no podia dizer nada porque era verdade. Mas mesmo assim, no gostou de ouvi-lo. 
   - Nem todos os homens so como eu. Estou certo que haver homens dispostos a comprometer-se.
   - No me diga. Conhece algum? - rebateu inclinando a cabea e sorrindo.
   Storm franziu o cenho ainda mais. Jamais a apresentaria aos seus amigos.  maioria deles s se interessava em brincar, como ele, e seu nico irmo solteiro tinha muito trabalho no restaurante para se permitir uma relao. Pensou ento em seus primos, mas tampouco serviam. Se estava fora dos limites dele, tambm o estava para seus conhecidos.
   - No. No posso te recomendar ningum. Onde est procurando?
   -Ultimamente em nenhum lugar porque, como te disse no me interessa. Mas quando me interessava tentei em todas as partes, bares, entrevistas s cegas, inclusive na Internet.
   - Na Internet? - Storm ficou de boca aberta.
   - Sim, e tenho que admitir que cheguei a pensar que tinha encontrado algum - admitiu sorrindo ante o gesto de surpresa dele. - At que o conheci pessoalmente. Tinha pelo menos quinze anos mais que a foto que me tinha enviado, e embora s tivesse duas mos, pareciam doze. Precisei me esforar para control-lo por vrias vezes por tentar me tocar em certas partes que no devia.
   As mos de Storm tremiam de raiva ao imagin-la em semelhante situao. No fora em vo que Adam tinha pedido que velasse por ela. Recriminava-se por no hav-lo feito melhor. Podia acreditar que qualquer homem gostaria de acarici-la porque era uma verdadeira tentao, mas querer toc-la e faz-lo eram duas coisas muito diferentes.
   - No volte a fazer algo assim - reclamou Storm.
   - V, Storm, se no te conhecesse diria que parece ciumento - provocou com um sorriso brincalho. Mas Storm no estava com humor para jogos.
   - Ciumento. S estou tentando proteg-la. O que aconteceria se esse sujeito a colocasse em uma situao da qual no pudesse escapar?
   - Por todos os Santos! Me d o benefcio do bom senso, Storm. Ficamos em um local pblico e...
   - Tocou-te em um local pblico? - interrompeu-a ele.
   - Estvamos danando - respondeu ela.
   - Espero que tenha aprendido a lio.
   - Assim . Mas no foi o nico aprendi dos homens.
   - E o que ? - perguntou Storm elevando uma sobrancelha.
   - Os homens, na sua maioria, so muito controladores, algo que definitivamente no necessito depois de ter tido Adam Cole como pai. No comecei a sair com meninos at os dezessete anos e nunca me deixava ficar dormindo na casa das minhas amigas.
   - No tem nada de mau que seu pai tentasse te proteger, Jayla - disse Storm franzindo o cenho. - Estou certo que no foi fcil para ele criar sozinho uma filha, especialmente uma to desafiante e teimosa como ouvi que voc foi.
   - Tudo bem. Queria saber as razes pelas quais deixei de me interessar pelos homens e te contei. Suponho que penso que no valem  pena. Trazem muitos problemas.
   Jayla o olhava com seus grandes olhos, numa expresso ao mesmo tempo sria e muito sexy. Storm sacudiu a cabea. Para falar a verdade, ele tinha pensado muitas vezes o mesmo sobre as mulheres, mas nunca lhe tinha passado pela cabea deixar de relacionar-se com elas.
   - No acredito que deva apagar todos os homens de sua cabea.
   A banda de jazz comeou a tocar de novo e a conversao terminou. Enquanto ela parecia concentrada na msica, Storm se reclinou na cadeira e a observou. Preocupar-se com a filha de seu mentor significava que era um bom amigo e no um pretendente ciumento. Nunca tinha se importado com uma mulher a ponto de sentir cimes e Jayla Penetre no ia ser a exceo, ou sim?
   
   Definitivamente, ter-se encontrado com Storm em Nova Orlens tinha sido inesperado. Decidiu desfrutar disso enquanto durasse. At o momento, estava passando um dia muito divertido ao menos a maior parte do tempo. Na outra parte tinha estado muito ocupada em lutar contra a atrao que sentia por ele. No era diferente dos outros homens com quem tinham sado, at podia ser que fosse pior, mas isso no evitava as chicotadas de eletricidade que sentia em seu interior cada vez que a olhava. Parte dela no podia evitar perguntar-se se seria verdade tudo o que se dizia dele.
   - O navio est retorna ao porto, Jayla.
   O tom que tinha empregado rouco e apenas audvel interrompeu seus pensamentos.
   - Retornamos antes do que pensava - se limitou a dizer tentando no demonstrar decepo.
   - Estivemos percorrendo o Mississipi durante mais de trs horas - disse ele sorrindo de novo. - No acha que  hora de retornar?
   Jayla encolheu os ombros perguntando-se se Storm j teria se aborrecido com a companhia dela. Sem dizer nada, levantou-se e comeou a recolher os restos da comida. Storm levantou o brao e a deteve. Jayla elevou a vista e seus olhares se cruzaram.
   - Eu no sou um desses homens que espera que a mulher o sirva sempre.
   Jayla abriu a boca, mas as palavras se negaram a sair. As mos continuavam juntas e pde sentir que uma enchente de calor a alagava. Fechou a boca para evitar o gemido. Com o cenho franzido, deixou escapar a respirao e se desembaraou dele antes de continuar com o que estava fazendo.
   - No acredito que seja esse caso, Storm.  um costume. Quando papai e eu comamos juntos, eu sempre limpava a mesa depois. Tnhamos um trato. Ele cozinhava e eu limpava.
   - De verdade? - perguntou com um sorriso. - E por qu? Voc no cozinha?
   Jayla o olhou e ao ver as covinhas que se tinham formado nas bochechas estremeceu de uma forma que escapava a sua compreenso. Pensou que no seria assim se no fosse virgem.
   - Sim, sei cozinhar - respondeu. - Mas papai adorava faz-lo. Pensava que para desfrutar da comida teria que prepar-la. No podia suportar os pratos preparados que eu metia no microondas.
   Storm riu enquanto a ajudava a recolher tudo da mesa.
   - Entendo seu pai porque tambm gosto de comida caseira.
   - Cozinha todos os dias s para voc? - perguntou Jayla enquanto se aproximava do cesto de papis.
   - No. Como tenho turnos de vinte e quatro ou quarenta e oito horas livres, como no parque quando trabalho e no Chase's Agrada quando estou de folga.  o restaurante do meu irmo.
   Jayla assentiu. Recordava que o irmo gmeo de Storm, Chase, tinha um restaurante no centro de Atlanta. Era uma local muito popular. Tinha ido vrias vezes e sempre comera muito bem. Deu uma olhada no relgio.
   - Acho que vou tirar um cochilo quando voltarmos ao hotel.
   - Pois eu no. Faltam muitas coisas para ver. Acho que vou ao clube que h na Rua Bourbon. Ouvi que tm um bom espetculo.
   Jayla levantou uma sobrancelha. Sabia exatamente o tipo de espetculo a que se referia porque um grupo de seus companheiros tinha ido. Era um clube de strip-tease. Franziu o cenho perguntando-se por que desfrutaria tanto Storm vendo mulheres nuas. Por que os homens no se davam conta de que havia algo mais debaixo das roupas de uma mulher?
   - Divirta-se - disse com mais brutalidade do que tinha pretendido.
   - Acredite. Farei-o.
   E ela sabia que o dizia a srio.
   
   Captulo 3
   
   
   Storm estava um pouco enojado, mas quando olhou seu primo Ian viu que ele estava realmente se divertindo. Ian o tinha chamado na noite anterior e dito que o Delta Prncess ia fazer escala em Nova Orlens, sugerindo ficar para tomar algo no clube.
   - O que aconteceu, Storm?
   - Estou aborrecido - respondeu ele com toda sinceridade. Ian levantou uma sobrancelha.
   - Como pode estar aborrecido vendo como essas mulheres tiram a roupa?
   - Sempre  igual - respondeu ele encolhendo-se de ombros.
   - Bom sim, eu espero - disse Ian com um sorriso.
   Storm no pde evitar lhe devolver o sorriso. Ian e ele eram primos e se criaram juntos. Tinham a mesma idade e ambos apreciavam a beleza do sexo oposto. Ao Storm no surpreendia que Ian encontrasse estranha sua falta de interesse nas mulheres do espetculo.
   - Vale quem  ela?
   - Quem  quem? - perguntou Storm confundido.
   - A mulher que arruinou seu interesse pelas demais mulheres.
   Storm franziu o cenho e olhou Ian.
   - De onde tiraste essa idia? Ningum arruinou meu interesse pelas mulheres.
   - E eu digo que est mentido - respondeu Ian olhando-o fixamente.
   Storm deixou escapar um suspiro de frustrao. Ian tinha sorte de que no lhe desse um murro, mas esse era o estilo de seu irmo Thorn, conhecido por seu forte temperamento. Ao menos, assim tinha sido at que se casou. Tara tinha conseguido aquietar seu gnio e a ltima vez que o tinha visto se comportou com verdadeira suavidade. O casamento tinha feito Thorn feliz, e tambm a seus outros dois irmos Der e Stone. Ao Storm parecia asqueroso. E se perguntava por que seus irmos estariam sempre to sorridentes.
   - No posso acreditar que te tenha ficado a sentado to tranqilo enquanto te chamo mentiroso, assim deve ser verdade - disse Ian dando um gole na cerveja.
   - No gostaria de te dar um murro, Ian, assim deixa-o - disse ele olhando para cima. No queria que seu primo visse que tinha razo. Jayla tinha arruinado seu interesse pelas demais mulheres e no podia compreender o motivo. No tinha intimidade com ela e nunca tinha tentado ter. Mas mesmo assim, no podia deleitar-se com as mulheres que rebolavam diante dele meio nuas, enquanto que imaginar Jayla tirando a roupa o fazia suar.
   - Outra cerveja, primo?
   Olhou Ian. O que de verdade queria era retornar ao hotel e chamar a Jayla para ver o que estava fazendo.
   - No, passo. Quando retorna a Atlanta?
   Ian se reclinou na cadeira e sorriu.
   - Em algumas semanas. Prometi a Tara que estaria na cidade para a festa beneficente que est preparando. Por qu?
   - Te telefono, ento - disse Storm levantando-se e deixando algumas notas na mesa. - Direi ao tio James e  tia Sarah que est bem.
   Ian assentiu.
   - E, por favor, se mame te perguntar se me viu com uma mulher, diga que sim. Desde que seus irmos se casaram no deixa de nos olhar com cara estranha.
   Storm riu. Sua me tinha comeado a olhar a ele e ao Chase com cara estranha tambm. Deu uma olhada  sala antes de olhar de novo Ian.
   - Suponho que posso dizer-lhe sem me sentir culpado por mentir porque este lugar est cheio de mulheres. No direi nada sobre a mulher com a que estar nua.
   - Lhe agradeo - disse isso Ian rindo. Storm virou-se.
   - Storm?
   - Sim? - perguntou voltando-se.
   - Sei que  algo temporrio, mas seja quem for espero que valha a pena para te fazer passar por isso.
   Storm franziu o cenho, abriu a boca para dizer a seu primo que nenhuma mulher o estava fazendo passar por um mal momento, mas mudou de opinio e saiu do clube.
   Jayla ouviu o telefone justo quando estava terminando de secar-se e colocou o roupo do hotel. Saiu do banheiro e levantou o telefone ao quarto toque.
   - Sim?
   - Que tal foi sua sesta?
   Jayla franziu o cenho. A ltima coisa que Storm precisava saber era que no tinha sido capaz de dormir porque no podia deixar de imagin-lo rodeado de mulheres nuas.
   - Estupenda - mentiu. - Que tal o espetculo? - perguntou desejando no hav-lo feito.
   - Interessante.
   Jayla franziu ainda mais o cenho. Uma parte dela queria desligar, mas era muito orgulhosa. Alm disso, tinha-se em alta estima e pensava que estava bastante bem, com ou sem roupa.
   - Estou ligando para saber se vai estar livre mais tarde.
   - Para jantar quer dizer? -perguntou ela.
   - Sim.
   Em seu atual estado, Storm era a ltima pessoa que desejava ver. Esteve a ponto de sugerir que convidasse alguma das "senhoritas" do clube, mas desistiu porque era muito capaz de faz-lo.
   - Acredito que no. No tenho muita fome.
   - Pois eu sim. O que te parece me fazer companhia?
   - Que te faa companhia?
   - Sim. Gosto muito de estar contigo.
   Jayla se deixou cair em cima da cama sentindo-se ridiculamente agradada por sua admisso. Embora soubesse que no deveria acreditar muito em suas palavras, nesse momento se sentiu confiante.
   - Bom, mas espero que saiba que minha companhia te vai custar caro - disse finalmente.
   - Em que sentido?
   Acariciou com um dedo a madeira da mesinha de cabeceira.
   - No quero jantar algo pesado, mas morro por uma fatia de bolo de queijo e morango de K-Paul'S.
   -K-Paul's? Ouvi falar desse lugar, mas nunca estive l. Confiarei em ti.
   - Acredite. No te decepcionar.
   - Quanto tempo demorar a se arrumar?
   - Acabo de sair do banho assim no demorarei muito para vestir algo.
   Passaram quase quarenta e cinco minutos antes que Jayla aparecesse no vestbulo do hotel. Mas quando saiu do elevador, Storm soube que tinha valido a pena a espera. Ficou tenso enquanto a observava aproximar-se. Estava absolutamente incrvel.
    Quando disse por telefone que acabava de sair do banho, Storm se tinha dado conta de que estava se metendo em problemas. No lhe havia custado imagin-la nua, algo que lhe pareceu muito mais excitante que qualquer espetculo de strip-tease.
   O bom sendo dizia que parasse de pensar e lembrasse quem era aquela mulher. Mas  medida que se aproximava dele, o sentido comum foi diminuindo. Permaneceu virtualmente imvel observando-a, cativado, enquanto o desejo o invadia pouco a pouco. Usava um vestido curto e apertado que marcava suas deliciosas curvas deixando  vista as esplndidas pernas. Fixou-se nelas particularmente. Mal tinha conseguido deixar de olh-las durante todo o tour da manh e parecia que nessa noite ia passar o mesmo. Desejava que aquelas pernas o abraassem. Inspirou profundamente e se esforou por no pensar nisso. Gostando ou no, se sentia irremediavelmente atrado por Jayla Penetre.
   - Perdoa por te haver feito esperar - disse Jayla detendo-se diante dele.
   - Valeu a pena. Vamos?
   - Sim.
   Tomaram um txi at o restaurante e ao chegar se alegraram de ter feito reserva do hotel porque o lugar estava lotado.
   - Cheira delicioso - sussurrou a Jayla enquanto o garom os conduzia  mesa.
   - Tudo  delicioso aqui - disse ela sorrindo. 
   "Inclusive voc". Perguntava-se como estava to seguro disso se nunca a tinha provado. O garom lhes entregou o cardpio.
   - Para mim s caf. Pedirei sobremesa depois - disse ela devolvendo o cardpio.
   - O que me recomenda?
   - Recomendaria o pato com camares-rosa do chef - disse ela depois de passar a lngua pelo lbio inferior. - Comi na ltima vez que estive aqui e estava delicioso.
   - Ento isso - decidiu Storm devolvendo o cardpio ao garom - e uma garrafa de gua com gs.
   - Grande eleio, senhor - disse o garom antes de partir.
   - Ento volta para trabalho na segunda-feira? - perguntou Storm reclinando-se na cadeira.
   - No. Oficialmente tenho dias livres at na segunda-feira da semana seguinte. Nesta tera-feira tenho uma reunio com a doutora Tara Westmoreland.  tua famlia?
   - Sim.  minha cunhada - disse Storm com um sorriso. - Se casou com meu irmo Thorn faz alguns meses. Por que tem uma reunio com ela?  pediatra e voc no tem filhos.
   "Ainda".
   - Visito-a por questes de trabalho. De fato, combinamos almoar. A empresa para qual trabalho, Indstrias Sala, quer ganhar a concesso do catering para a noite em que se apresenta o calendrio elaborado com fins beneficentes para arrecadar recursos para Mundo Infantil e a doutora Westmoreland est no comit. Ser um evento importante e esperamos que compaream milhares de pessoas.
   - Acredito que a festa  no ms que vem - disse quando o garom retornou com as bebidas.
   -Sim, na segunda semana de outubro e acho que seu irmo Thorn  Mr. Julho.
   - Isso mesmo - Storm no podia esquecer que Tara lhe tinha encomendado a desagradvel tarefa de convenc-lo para posar. No tinha sido fcil, mas ao final tudo tinha sado bem e Thorn tinha descoberto que amava a Tara e acabaram casados. Mundo Infantil era uma fundao que conseguia que meninos doentes terminais pudessem ver realizado um sonho. Para isso, organizava todo tipo de eventos beneficentes com o fim de arrecadar o dinheiro necessrio.
   - Acredito que o calendrio ficou muito bom e vo vender muitos exemplares - disse Jayla sorrindo interrompendo seus pensamentos. - Me Conte alguma coisa da sua famlia.
   - Por qu? - perguntou ele levantando uma sobrancelha.
   - Porque eu fui filha nica e sempre que menciona seus irmos ou seus primos, vejo que so todos muito unidos. Eu me sentia sozinha por no ter irmos e tomei a deciso de que quero ter uma grande famlia.
   - Muito grande? - perguntou rindo.
   -Ao menos dois, possivelmente trs, talvez quatro.
   Storm assentiu. Tambm queria ter muitos filhos.
   -A famlia Westmoreland  grande e todos somos muito unidos. Tudo comeou com meus avs que tiveram trs filhos, um deles meu pai. Meus pais tiveram seis filhos, todos meninos at que chegou Delaney. Darei  o mais velho, depois vm Thorn, Stone, Chase e eu. Como sabe, Chase e eu somos gmeos. O gmeo de meu pai  James e ele tambm teve seis filhos com sua mulher Sarah, todos meninos: Jared, Spencer, Durango, Ian, Quade e Reggie. O irmo mais novo do meu pai, o tio Corey, nunca se casou e por isso todos supunham que no tinha filhos, mas h alguns meses nos deu uma surpresa.
   Jayla deixou a taa na mesa olhando-o com curiosidade.
   - Seriamente?
   - Seus filhos, nunca souberam que ele era o pai, como ele no sabia que eles eram seus filhos, contrataram um investigador para que o encontrasse. O tio Corey era um guarda florestal aposentado de Montana e ali o encontraram.
   Jayla se mostrava fascinada com a histria que Storm estava compartilhando com ela.
   - Mas como  que nunca soube que tinha filhos?
   - Parece que uma antiga namorada soube que estava grvida depois de ter terminado com ele e nunca se incomodou em contar-lhe. Sem que meu tio Corey soubesse, a mulher deu a luz trigmeos.
   - Trigmeos?
   - Sim. As gestaes mltiplas so comuns na nossa famlia: Chase e eu; Ian e Quade ou meu pai e o tio James.
   - E a namorada do seu tio teve trigmeos? - repetiu ela tentando absorver a informao.
   - Sim, os primeiros da famlia Westmoreland. Parece que a me lhes disse que seu pai tinha morrido antes que eles nascessem e s disse a verdade no leito de morte. Embora nunca tivessem se casado, ela se mudou para o Texas e tomou o sobrenome da famlia assim que os filhos nasceram chamando-se Westmoreland.
   - Ento seu tio tem trs filhos e no sabia?
   - Sim. Dois filhos e uma filha - disse ele rindo. - E todos pensando que Delaney era a nica garota da famlia em duas geraes. No ms passado, o tio Corey nos surpreendeu dizendo que ia se casar.
   Deixaram a conversa quando chegou o garom com o jantar. Storm surpreendeu Jayla ao lhe dar um garfo.
   - Aqui tem muito para mim sozinho. Divide comigo.
   Jayla olhou o prato. Realmente tinha bastante comida com um aspecto magnfico.
   - Mmm. Talvez aceite alguns bocados - disse ela tomando o garfo.
   - Sirva-se.
   E assim o fez. Formavam uma imagem muito ntima, juntos  mesa compartilhando a comida. Lamberam os lbios quando terminaram.
   - Agora ter que me ajudar com o bolo - disse ela.
   - Acho que poderei com isso.
   Sentiu como se lhe acariciassem o estmago ao ouvir suas palavras. Jayla no tinha nenhuma dvida de que Storm Westmoreland podia com algo. E assim foi. Acabaram com o bolo em um abrir e fechar de olhos.
   Storm olhou a hora depois de pagar a conta.
   -  cedo ainda. Gostaria de ir danar? 
   As palavras danaram na mente de Jayla. Sabia que o mais inteligente seria lhe responder que no, mas, por alguma razo, no queria ser inteligente. No queria pensar. Estava na companhia de um homem muito bonito e no tinha pressa de separar-se dele.
   - Eu adoraria ir danar contigo, Storm.
   O clube que um garom do restaurante tinha recomendado era pequeno, escuro e estava lotado. Storm e Jayla encontraram milagrosamente uma mesa livre dentro do Caf Brasil, muito popular no Bairro Francs. Storm duvidava muito que coubessem na pista de dana, mas estava decidido a no sair dali sem ter tido Jayla entre seus braos, seu corpo colado ao dela. Olhou-a, mas apenas se adivinhava seus traos  tnue luz do local. Adivinhava que estava balanando no compasso da msica de jazz e, enquanto a olhava, Storm teve que esforar-se muito para controlar os sentimentos que pugnavam em seu interior.
   Tinha estado com muitas mulheres em sua vida. Nunca lhes tinha prometido nada mais que um bom momento na cama. No lhe interessava satisfazer as necessidades emocionais daquelas mulheres, s s fsicas. Mas havia algo em Jayla que o atraa. A atrao era definitivamente sexual, mas havia algo emocional tambm. Nesse momento, a cano que estava soando terminou e comeou uma nova melodia. Vrios casais retornaram a seus assentos e a pista ficou livre.
   - Nosso turno - disse a Jayla levantando-se e estendendo a mo para ela.
   Jayla sorriu e tomou sua mo. Storm sentiu como se uma fora lhe estrangulasse a boca do estmago, mas tratou de ignorar. Inspirou profundamente e depois expulsou o ar lentamente enquanto Jayla amoldava seu corpo ao dele.
    - Eu gosto de te ter em meus braos - sussurrou-lhe Storm no ouvido e o dizia com toda sinceridade.
   - Seriamente? - perguntou ela separando-se ligeiramente para poder olh-lo nos olhos.
   - Assim .
   Jayla sorriu e Storm pensou que era o sorriso mais formoso que tinha visto em sua vida e gostou de t-lo provocado. Fixou-se ento em seus lbios. Somente seria necessrio aproximar um pouco mais e...
   - Cheira muito bem, Storm.
   - Obrigado, mas no deveria me dizer essas coisas.
   - Por que no? Se voc pode me dizer que voc gosta de me ter em seus braos no vejo por que no posso dizer que cheira bem.
   Storm a segurava pela cintura, muito perto do seu corpo e ela rodeava-lhe o pescoo com os braos. A balada era lenta e seus corpos apenas se moviam. Sabia que Jayla estava consciente do quanto estava excitado. Atraiu-a para seu corpo com mais mpeto. Queria que visse como se sentia com ela entre seus braos e Jayla respondeu apoiando a cabea em seu peito. Ento, a msica cessou e deixaram de danar, mas Storm no queria solt-la. Jayla elevou a vista e olhou Storm nos olhos. O olhar que havia neles era puro fogo sexual.
   - Deveria lutar contra isto - disse Storm esperando que ela compreendesse.
   - No o faa - disse ela com suavidade compreendendo perfeitamente.
   - No est facilitando s coisas, Jayla - gemeu muito perto de seu ouvido.
   - Por que deveria? - perguntou entreabrindo os olhos.
   Storm a olhou por um longo tempo e finalmente ao redor. Pareciam ser o centro da ateno.
   - Mas voc merece algo mais que...
   - Uma aventura de uma noite? E no acha que deveria ser eu que decidisse, Storm? Tenho vinte e seis anos. Sou uma mulher independente, no uma menina, e j  hora de que te d conta.
   - Acabo de faz-lo - respondeu e sem pensar mais, pegou-a pela mo e a tirou do clube.
   - Aonde vamos? - perguntou Jayla tentando seguir as longas passadas de Storm enquanto este tentava parar um txi.
   - Ao hotel!
   Storm lanou uma maldio. Todos que passavam estavam ocupados. Deu uma olhada ao outro lado da rua e viu uma carruagem cavalos estacionada.
   - Vamos - disse puxando Jayla. Atravessaram a rua e se aproximaram do condutor que segurava as rdeas dos animais.
   - Voc poderia nos levar ao hotel Sheraton? - perguntou Storm quase sem flego.
   - Cobro por hora - disse o homem.
   - De acordo, mas nos leve rpido.
   O condutor assentiu fazendo ver que compreendia. Storm abriu a portinhola. Quando Jayla levantou uma perna para subir  carruagem, Storm a levantou nos braos e a colocou dentro, entrando em seguida. No momento em que a carruagem comeou a andar a impacincia e um desejo sexual como nunca antes havia sentido, invadiram-no. Preocuparia-se com as conseqncias de seus atos no dia seguinte.
   - Vem aqui, Jayla - disse Storm que apenas se a via no interior pouco iluminado da carruagem.
   Ela o olhou antes de aproximar-se. Agarrou-a pelo pescoo com uma mo e a atraiu para si, inclinou-se e tomou com ferocidade os lbios que tinha desejando beijar fazia dez anos. Notou como Jayla estremecia quando suas lnguas se uniram. Storm tomou seu tempo em saborear o que lhe oferecia tratando de apaziguar um desejo que parecia inesgotvel. Seu sabor era como uma droga. Deleitou-se com cada pequeno gemido de Jayla, desfrutando a sensao de ver-se correspondido. O beijo foi ficando mais profundo e ela correspondia completamente. Parecia ter despertado uma fome voraz que h muito tempo no tinha sido satisfeita. Deram um salto quando o carro parou e se separaram. Storm olhou pela janela e viu que tinham chegado no hotel. Jayla mudaria de opinio ou terminariam o que tinham comeado?
   Consciente de que a deciso era dela, inclinou-se e lhe deu um beijo nos lbios.
   - O que quer fazer, Jayla? - sussurrou-lhe no ouvido com a esperana de que quisesse o mesmo que ele.
   Jayla sorriu. Em seguida, estendeu a mo, acariciou-lhe o peito e depois desceu at sua cintura e mais  frente, at seu membro excitado.
   - Quero que faa o amor comigo, Storm - sussurrou olhando-o nos olhos.
   
   Captulo 4
   
   Storm acariciou a face de Jayla com o dorso da mo momentos antes de imprimir um beijo em seus lbios. Era justo o que queria escutar. Distintas emoes entraram em conflito em seu interior. Uma parte lhe dizia que se afastasse, incapaz de esquecer que era a filha de Adam, mas outra parte admitia que Jayla tinha razo. J era adulta o bastante para tomar suas prprias decises. Inclusive Adam tinha estado de acordo com isso antes de morrer. Relutante em separar-se dela, interrompeu o beijo e aspirou profundamente. Jayla o olhava com olhos de desejo e Storm sentiu de repente uma forte necessidade de lhe dar tudo o que desejava. Sem dizer nada, tomou-lhe a mo. Juntos, saram da carruagem e entraram no hotel. Percorreram o que parecia um trajeto interminvel at o elevador e Storm s podia pensar em tudo o que ia fazer lhe quando estivessem a ss.
   - Meu quarto ou o seu? - perguntou enquanto abriam-se as portas do elevador.
   - O que estiver mais perto - respondeu ela sem dissimular o desejo que ardia em seus olhos.
   - O seu, ento.
   Entraram no elevador e quando as portas se fecharam, Storm se apoiou na parede. Estavam sozinhos e teve que apertar as mos para no tom-la nosbraos e devorar aquela deliciosa boca. A situao ficou mais tensa ainda quando Jayla passou, nervosa, a lngua pelo lbio superior.
   - Desejo-te tanto - disse Storm finalmente sentindo seu embriagador perfume.
   - E eu a ti, Storm.
   Aquela afirmao no facilitava as coisas. Quando o elevador se deteve, o nico que desejava era tom-la nos braos, mas, aspirando profundamente, segurou a porta para que sasse. De mos dadas, percorreram em silncio o corredor. O desejo ia aumentando mais e mais. Teve que admitir que nunca antes havia sentido algo parecido por uma mulher. Quando chegaram ao quarto de Jayla, Storm se apoiou na parede enquanto ela abria a porta. Ela entrou primeiro e ele atrs, fechando a porta a seguir. Jayla acendeu uma luz tnue e se voltou para olh-lo. Durante um momento, no disseram nada. Finalmente, Storm se aproximou e a tomou entre seus braos. Sua mente dizia que agisse com calma, mas no momento em que a tocou, uma chama de desejo o acendeu e se esqueceu de tudo. O nico que queria era lhe levantar aquele diminuto vestido e sentir seu calor feminino. Seus braos se abateram sobre o corpo dela enquanto devorava-lhe com nsia a boca e sentia o roce dos seios contra seu corpo. Sua lngua brincava com a dela enquanto as mos exploravam as formas femininas. Storm deixou escapar um gemido de prazer. Momento depois rompeu o beijo, apesar de estar roando a loucura pelo desejo que sentia.
   - Est segura? - perguntou de novo com o fim de assegurar-se de que Jayla sabia no que se estava embarcando.
   - Totalmente - disse ela rodeando seu corpo ao dele.
   - Espero que sim - disse e seus lbios tomaram com ferocidade os dela. Sentiu que um estremecimento sacudia Jayla aumentando prprio desejo.
   Storm levantou a cabea ligeiramente e de um golpe retirou-lhe o vestido. Jayla ficou de p vestida com uma pequena combinao de cetim negro. Era a imagem da pura tentao. Sentiu-se inundado por seu embriagador perfume e nesse momento foi consciente de que o que estava a ponto de compartilhar com Jayla no ia ser simplesmente "uma aventura de uma noite". 
   Durante um breve segundo, o pensamento o preocupou, mas como tudo tinha sido muito diferente para ele nessa noite, decidiu no pensar nisso. Ocupar-se-ia de seus sentimentos confusos na manh seguinte. Voltou a beij-la enquanto a tomava nos braos e levava-a para a cama. Colocou-a no centro e se situou ao seu lado, incapaz de esperar nem um minuto mais para retirar a combinao e pr as mos sobre seu corpo. Inspirou profundamente enquanto contemplava com devoo o corpo nu. Invadido pelo desejo de sabore-lo, inclinou-se e comeou a riscar um mido caminho desde seu pescoo. Desceu at seus seios e se deteve para saborear os mamilos duros. Notou que, uma vez mais, Jayla estremecia a seu contato e deixava escapar um suave gemido. Desejava mais e o estava dizendo. Comeou a lhe acariciar ento o ventre plano descendo at o corao de sua feminilidade. Com mos peritas, comeou a manipul-lo sentindo como se ia pondo mais e mais mido. Jayla sentiu que ficava sem flego. Havia luz na habitao, mas no era capaz de ver nada, s podia sentir, e eram coisas que nunca antes havia sentido. Os dedos de Storm a estavam enlouquecendo e sentir como lambia seus mamilos ao mesmo tempo era uma absoluta tortura. Notava o corpo aceso enquanto um desejo cego o percorria.
   - No posso esperar mais - o ouviu dizer enquanto se retirava.
   Jayla o viu ficar de p e tirar a camisa quase arrancando os botes no processo. A seguir tirou as calas e a cueca de uma vez. Ela o olhava enquanto tirava com um rpido movimento uma camisinha e colocava.
   Jayla olhou com assombro o tamanho daquele pnis ereto e, antes que pudesse lhe dizer que era virgem Storm estava de volta junto a ela na cama, beijando-a e se abandonou de novo ao desejo, um desejo que s ele podia apaziguar. Seu corao bombeava sangue a toda velocidade por suas veias. Era como se as mos e a boca de Storm estivessem por toda parte. Notou ento a ponta do membro ereto pressionando na entrada de sua cavidade feminina com tal fora que no pde fazer nada a no ser abrir as pernas para ele sem deixar de beij-lo em nenhum momento. Jayla estava saboreando tudo que fazia. Desejava que aquelas sensaes no terminassem nunca e, ao tempo, sentia uma fortssima necessidade de que um vazio se enchesse dentro dela. Sentiu que Storm se colocava sobre ela e lhe abria as pernas com suas potentes coxas ao tempo que unia seu peito com o dela. Ento levantou seus quadris com ambas as mos. Interrompeu o beijo e baixou a vista para olh-la enquanto entrava nela com uma profunda investida. Seu corpo rgido debaixo dele deixando escapar um grito de dor que no foi capaz de controlar.
   - Jayla - disse ele compreendendo de repente algo que se via incapaz de acreditar.
   Storm estava to surpreso pelo que estava passando que ficou absolutamente tenso. Uma quebra de onda de pnico a invadiu ante a idia de que Storm no queria terminar o que tinha comeado e decidiu tomar as rdeas.
   - No pergunte - disse elevando o corpo para poder beij-lo. Suas mos se crisparam sobre os ombros de Storm ao mesmo tempo em que enrolava as pernas ao redor de sua cintura, capturando-o contra si. Jayla notou a reticncia dele em continuar e comeou a brincar com a lngua na boca dele. Lentamente, Storm reiniciou o movimento, entrando e saindo dela suavemente, fazendo amor como Jayla sempre tinha sonhado que seria. S podia concentrar-se na fora com que Storm fazia vibrar todo seu corpo. Sabia que recordaria cada momento dessa noite durante toda sua vida. Storm deixava escapar um gemido cada vez que seu corpo se encontrava com o dela. Com ajuda das mos, elevou o corpo dela pelos quadris aumentando assim o contato de ambos os corpos. Jayla tinha o corpo em tenso enquanto ele entrava e saa dela, uma e outra vez.
   Storm parecia ter-se recuperado da surpresa que lhe tinha causado descobrir que Jayla era virgem e decidiu que, j que ia ser ele quem a iniciasse no mundo do sexo, faria-o bem. E a julgar pela srie de pequenos afagos que Jayla ia deixando escapar no devia estar fazendo-o mau.
   - Storm...
   Este notou que o corpo de Jayla se convulsionava ao mesmo tempo em que ocultava o rosto contra o ombro dele para abafar um grito. A intensidade do orgasmo o estimulou a conseguir seu prprio orgasmo, o mais apaixonado e frentico que tinha experimentado em toda sua vida. As sensaes que estava tendo eram indescritveis, nicas, incrveis. Certamente no tinha esperado que fosse ser assim e foi tomado pela surpresa. Sentia-se tomado por emoes que nunca antes tinha experimentado.
   - Jayla! - gritou Storm enquanto jogava a cabea para trs e seguia investindo incapaz de sair definitivamente dela. Estava alcanando seu terceiro orgasmo, o que nunca antes lhe tinha ocorrido. Com um gemido que surgiu do mais profundo de sua garganta, inclinou-se sobre ela e a beijou nos lbios enquanto o corpo continuava convulsionando e nesse momento soube que o que haviam compartilhado era algo muito incomum.
    - Antes fiz o que voc queria e no perguntei, mas agora pergunto Jayla.
   Jayla suspirou e se perguntou por que no podia ser Storm um desses homens que aceitam as coisas como eram.
   Alvo de seu olhar viu a intensidade com que a estava observando. Tambm captou a impressionante forma de seus lbios e o torso musculoso e coberto de escuros cachos. Tampouco ajudava que estivessem nus na cama, ele deitado de lado e apoiado em um cotovelo enquanto a olhava espectador. Jayla fechou os olhos e sacudiu a cabea. Aquele homem era muito bonito.
   - Diga-me - continuou Storm inclinando-se ligeiramente para depositar um beijo no seu ombro - Diga por que, neste mundo e neste sculo, uma mulher pode ser virgem com vinte e seis anos.
   - Porque as mulheres deste mundo e deste sculo tambm podem tomar decises - declarou lentamente olhando-o nos olhos. - Alguma vez fez um teste de compatibilidade?
   - Um qu? - ele arqueou uma sobrancelha.
   - Um teste de compatibilidade - repetiu com um sorriso confuso. - H uma pgina na Internet em que se pode procurar o homem ou a mulher perfeita. Bom, depois de vrios encontros infrutferos com vrios homens inseguros e muito arrogantes que sempre acreditavam que o encontro tinha sido to incrvel que acabariam na minha cama, decidi fazer o teste e os resultados indicaram que o homem perfeito para mim no existe.
   - Est me dizendo que voc estive evitando manter relacionamentos por culpa de um estpido teste?
   - Mais ou menos, sim. Descobri que, igual  gua e o azeite, as relaes e eu no combinamos porque no tolero muito bem os homens que esperam muitas coisas, muito rpido.
   - E o que me diz dos tipos que conheceu atravs da Internet?
   - Foi minha maneira de tentar demonstrar que o teste se equivocava. A partir de ento, deixei de me interessar por encontrar o "homem".
   - Mas... Mas no saiu com ningum na universidade? - perguntou Storm sem poder sair de sua surpresa.
    - Sim, mas infelizmente, logo que cheguei conheci um menino chamado Tyrone Pembroke - disse ela sorrindo com tristeza.
   - O que aconteceu? Rompeu seu corao?
   - Ao contrrio - respondeu rindo com desprezo. - De fato, fez-me um favor ao me mostrar quo idiota pode ser um homem. Abriu-me os olhos para seus jogos, jogos que no me interessavam. Depois do Ty, propus-me a fugir de toda relao sria, e como os encontros casuais para um momento de sexo no me interessavam, no me senti pressionada a me deitar com algum.
   - E por que agora e comigo? -perguntou Storm.
   - Fcil. Conheo e gosto de voc. Tambm conheo sua opinio sobre as relaes. Eu no procuro nada mais do que compartilhamos esta noite e voc tampouco, certo?
   - Certo - concordou. A ltima coisa que queria era ter uma mulher pendurada dele, mas apesar disso, sentia que conectava bem com Jayla agora que ela perdera a virgindade com ele.
   - E agora que respondi a sua pergunta, deixar-me dormir um pouco? Estou esgotada - acrescentou Jayla sutilmente.
   Storm a olhou perguntando-se se quereria ficar sozinha.
   - Quer que eu v embora?
   - Na verdade... - sorriu Jayla - esperava que quisesse ficar toda a noite comigo.
   Storm sorriu amplamente. Claro que queria.
   - Acredito que isso tem fcil soluo - disse inclinando-se sobre ela para beij-la nos lbios. - Se me desculpar, tenho que ir ao quarto de banho um momento. Volto em seguida.
   - De acordo.
   Havia suficiente luz na habitao para que Jayla pudesse admirar as formas perfeitas de Storm quando este cruzou o espao que os separava do quarto de banho. Tinha sido o amante perfeito. Tinha segurana em si mesmo, mas sem chegar a ser arrogante. Jayla estava cansada, mas alegre, dolorida, mas completamente satisfeita. Era curioso como funcionavam as coisas. Tinha passado metade da vida tentando fazer Storm not-la e estava comeando a acreditar no ditado de que o bom se fazia esperar. Entretanto, em seu ntimo sabia que no era o melhor momento para saborear o ocorrido. Ela tinha que concentrar todos seus esforos no beb.
   - J estou aqui.
   Jayla notou que seus mamilos se erguiam ao ouvir suas palavras. Olhou-o enquanto se aproximava da cama, cmodo em sua nudez. V-lo assim despertava o desejo nela de novo e o cansao de antes parecia ter desaparecido.
   - Quer que te prepare um banho antes de dormir? - perguntou ele sentando-se na cama junto a ela. - Se no, provavelmente se sentir mais dolorida do que est agora.
   Jayla se deitou de costas. Duvidava muito que a maioria dos homens pudessem mostrar-se to atenciosos.
   - Tem razo. Um banho me far bem.
   - Voltarei quando estiver pronto - disse ele.
   - De acordo.
   De novo, observou-o enquanto cruzava o quarto, incapaz de afastar a vista de seu corpo musculoso. Sorriu sem poder acreditar que tivesse aceitado passar o resto da noite com ela. Poderia alongar seu encontro enquanto estivessem ali porque, uma vez em Atlanta, as coisas seriam muito diferentes. Cada um voltaria para suas muito diferentes vidas e Jayla enfrentaria  experincia mais alucinante que poderia imaginar: ser me.
   - Pronta?
   Ao ouvir a voz, Jayla olhou para o banheiro e uma quebra de onda de desejo a invadiu ao v-lo apoiado no batente da porta, nu e completamente excitado. Se ela no estava preparada, era evidente que ele sim o estava.
   - Sim - respondeu, quase incapaz de falar. Incorporou-se para sair da cama e no mesmo instante ele estava ao seu lado, e a tomou nos braos. O ardor que despedia sua pele se uniu ao que ela estava comeando a sentir provocando uma espcie de corrente eltrica. Compreendeu repentinamente quando falavam de hormnios enlouquecidos. Os seus estavam fora de todo controle. Mas ela decidiu que tinha que recuperar o controle das coisas.
   - Posso andar Storm.
   -Sim, mas quero te levar.  o mnimo que posso fazer.
   Apertou os lbios para no dizer que j tinha feito o suficiente. Para ela no tinha sido simplesmente uma aventura de uma noite, e sim um romntico parntese que recordaria por toda vida.
   - Pode ser que esteja acostumada com a gua mais quente, mas esta temperatura acalmar seus msculos - disse ele com voz apenas audvel.
   Ela assentiu enquanto ele a introduzia na banheira. Tinha razo. A gua estava morna, mas imediatamente seu corpo sentiu o alvio. Jayla elevou a vista para ele que permanecia em p fora da banheira olhando-a. Tratou de olhar s a parte superior de seu esplndido corpo.
   - Parece que  um perito nisto, Westmoreland.  assim como trata todas as virgens?
   - Embora no acredite,  a primeira vez que fao amor com uma.
   - A primeira vez? - perguntou ela arqueando uma sobrancelha.
   - A primeira. Voc foi a primeira virgem com a que estive e eu o primeiro homem com que fez amor.
   Jayla observou como a expresso de Storm se tornava sria como se estivesse refletindo sobre o que tinha feito.
   - Necessita minha ajuda? - perguntou a seguir.
   - No, posso me arranjar. Obrigada.
   - Chame quando estiver pronta para sair - pediu.
   - Storm, de verdade, me posso me arranjar sozinha - disse ela com um sorriso.
   - Sei, mas quero que me chame de todo modo - disse e partiu fechando a porta detrs de si.
   Storm se serviu de um copo de gua e levou o lquido gelado aos lbios com a esperana de acalmar a garganta seca. Anos atrs havia se proposto a jamais se aproximar de Jayla. Entretanto, depois de fazerem amor, sentia uma vontade to forte de possu-la de novo que quase doa. Para terminar de piorar as coisas, continuava tendo na boca seu sabor e, sem poder conter-se, deixou escapar um gemido. Jayla Penetre no tinha nem idia de quo desejvel era. Via claramente o tipo errado de homem aproximando-se dela e sentiu uma mescla de orgulho e alvio ao saber que ela se manteve firme e no tinha deixado que nenhum deles fosse o primeiro. Perguntou-se, entretanto, se ele seria diferente. Sua poltica de amar sem laos de nenhum tipo no era o melhor carto de apresentao, mas Jayla e ele se viram enrolados por uma paixo nica at terminar na cama. E no se arrependia. Franzindo o cenho, Storm tomou outro gole de gua. Nenhuma mulher o tinha feito sentir de forma parecida. Era hora de defender-se da paixo que aquela mulher despertava nele. Colocou as calas e tentou pr em ordem seus caticos sentimentos. Ouviu ento um rudo a suas costas e se voltou. Jayla estava de p na porta do quarto de banho, com um penhoar. Storm sentiu que o corao lhe dava um tombo enquanto a olhava de cima abaixo. Parecia relaxada. E to sexy. Estava incrivelmente atrativa.
   - Por que no me chamaste para te ajudar a sair do banho? - disse ele aspirando profundamente na tentativa de acalmar-se.
   - Porque, apesar de haver me sentido tentada, no seria boa idia comear a depender de ti - disse ela com um sorriso.
   Para ele no se tratava de dependncia. Sabia que ela era capaz de faz-lo sozinha, mas tinha querido ajud-la. Havia algo nela que despertava seu instinto de proteo entre outras coisas.
   - Sente-se melhor?
   - Sim - disse Jayla deixando escapar o ar contido enquanto observava seu corpo parcialmente coberto com as calas. Era uma pena. Estava comeando a acostumar-se a v-lo nu.
   Seus olhares se cruzaram e no pde evitar precaver-se do profundo olhar de seus olhos escuros. A reao de seu corpo foi instantnea.
   - Tenho que pegar uma camisola na gaveta - acrescentou Jayla com uma voz apenas audvel. Engoliu com dificuldade ao ver que Storm se aproximava.
   - Alguma vez voc j dormiu nua? - perguntou-lhe abrindo o penhoar e acariciando primeiro a cintura, descendendo para os quadris e finalmente segurando nos glteos firmes.
   - No - conseguiu responder.
   - Gostaria de provar? No me ocorre nada melhor do que ter seu corpo nu junto ao meu durante a noite toda.
   Jayla deixou escapar um gemido suave quando Storm se inclinou sobre ela e chupou com delicadeza um lbulo da orelha, e depois o outro. Um estremecimento sedutor a percorreu e decidiu que definitivamente qualquer mulher poderia ficar dependente de um tratamento como aquele. E depois deixou de pensar simplesmente quando Storm comeou a explorar sua boca com a lngua. O pensamento de que Storm estava derrubando as barreiras que ela tinha levantado para proteger seus sentimentos incomodou Jayla, mesmo estando absorta na forma como sua lngua explorava-lhe a boca. Ento, Storm se afastou ligeiramente e a olhou nos olhos.
   - Ento, ficamos nus?
   - Sim - conseguiu dizer com voz trmula.
   - Bem - murmurou ele ao mesmo tempo em que lhe tirava o penhoar fazendo-o deslizar-se por seus ombros. - Voltemos para a cama.
   Pegou sua mo e a beijou na palma, a seguir segurou-a nos braos e a levou para cama. Colocou-a no centro e retirou as calas. Jayla o observava enquanto pensava que nada poderia distra-la nesse momento de olhar aquele glorioso corpo. No queria perder nenhum detalhe daquele corpo que tanto prazer lhe tinha proporcionado. Storm tambm a olhava enquanto tirava as calas. Continuando, tirou um pacote de camisinhas do bolso e se ps a proteger-se.
   - Embora meu plano seja dormir, no h nada mau em brincar de forma segura.
   - Inteligente - disse ela suspirando. Deitando-se rapidamente na cama, tomou Jayla nos braos e notou que estava tremendo.
   - Est com frio? - perguntou com voz rouca.
   -No. Estou com calor.
   - Pois conheo uma maneira de te refrescar - disse ele mudando de posio para ter melhor acesso ao seu pbis e deslizando os dedos entre seus cachos.
   Jayla fechou os olhos ao mesmo tempo em que comeava a ofegar lentamente enquanto ele ia acendendo-a mais e mais.
   - No acredito que isto ajude Storm - murmurou ela apenas consciente.
   - Claro que sim - murmurou no seu ouvido. - S relaxa e aproveita.
   E assim o fez. Os dedos do Storm faziam maravilhas entre as dobras do seu sexo at o ponto de faz-la enlouquecer. Jayla cometeu o engano de abrir os olhos e encontrou com os dele. Havia algo no fundo destes olhos que a fez desmoronar. Uma profunda emoo pesava no seu peito ao mesmo tempo em que seu corpo perdia o controle e chegava ao orgasmo. As sensaes que a invadiram a fizeram gritar seu nome enquanto a beijava sem deixar de acarici-la intimamente. Quando recuperou a sensao de seu corpo, Jayla tomou conscincia de que se no tomava cuidado acabaria... Uma voz interior lhe disse que no podia permitir-se sentir algo assim. Ela tinha feito planos para seu futuro e Storm Westmoreland no estava neles.
   
   
   Captulo 5
   
   Storm inspirou profundamente ao ver a mulher que tinha adormecida em seus braos. Um peso pressionava seu peito e teve que sufocar como pde o impulso de desejo que o invadiu. Era uma mulher incrivelmente formosa. Nunca esqueceria como se sentiu ao dar-se conta de que era virgem. A surpresa o tinha paralisado e logo o pnico o invadiu, mas a idia de deixar o que estavam fazendo se esfumou quando ela comeou a beij-lo com nsia igual a que ele sentia. E voltava a ter vontade. Para falar a verdade, no tinha deixado de desej-la em nenhum momento, apenas tinha querido dar tempo para que seu corpo se ajustasse a ele. Mas voltava a desej-la. Olhou o relgio. Eram pouco mais de seis horas. Queria deix-la dormir, mas no podia. Tinha que lhe fazer amor. Inclinou-se sobre ela at lhe roar os lbios.
   - Jayla - sussurrou. Uns momentos depois, ela respondeu abrindo os olhos lentamente.
   - Storm - murmurou com voz de sono embora lhe parecesse extremamente sensual. Tinha o cabelo revolto, com mechas cobrindo a face. Storm o retirou suavemente, depois lhe acariciou o corpo. Mudou ligeiramente de posio para lhe deixar sentir quo excitado estava.
   - Quero fazer amor - sussurrou ele perguntando-se se Jayla teria captado a urgncia que tinha querido imprimir a sua voz. A necessidade. O desespero. E deve t-lo feito porque aproximou os lbios dos dele e se deixou beijar arrebatadamente.
   - Storm - chamou suavemente por fim interrompendo o beijo enquanto uas mos desciam procurando seu membro excitado. - Eu tambm quero.
   Storm no perdeu tempo em aproximar-se. Baixou as mos e procurou o sexo quente e mido de Jayla. Inclinou a cabea e introduziu na boca um mamilo duro. Brincou com ele enquanto ela estremecia de prazer. Jayla continuava tendo nas mos o sexo ereto de Storm e o guiou para ela e, elevando-se para ele, fez com que a penetrasse. 
   Storm estava to excitado que no conseguia ir devagar e investiu com fora embora o corpo de Jayla j no estivesse rgido como na noite anterior. Deteve-se para lhe dar tempo de adaptar-se a t-lo em seu interior, mas os suaves gemidos e a forma com que movia os seus quadris, confirmaram que ela no queria que se detivesse. Penetrou-a uma e outra vez, inclinando-se para beij-la. Necessitava o contato com seus lbios e ento comeou a elevar o ritmo  medida que o desejo o consumia em um ato que no parecia deste mundo. 
   Jayla estava junto a ele, acompanhando-o em sua viagem interestelar enquanto se deixavam arrastar mais e mais pela paixo. Storm ofegou com voz rouca enquanto incrementava o ritmo de seu balano em perfeita harmonia com Jayla. Cada movimento contribua com um pouco mais de prazer. Storm inspirou quando sentiu que estava a ponto de chegar ao xtase. Capturou com suas mos os quadris dela. Os msculos vaginais de Jayla se contraam em resposta a cada investida dele, e quando escutou o grito de prazer que escapou de seus lbios ao mesmo tempo em que o corpo convulsionava e arqueava para ele, Storm se deixou ir tambm e caiu sobre ela alcanando ele tambm seu clmax.
   - Jayla!
   Storm acreditava ter alcanado um prazer to imenso e primitivo que duvidava que pudesse recuperar-se, mas no queria pensar nisso. Seguiam movendo-se ao compasso como se todas suas clulas estivessem eletrificadas com uma energia desconhecida. E ento, sem dar-se tempo a recuperar-se, comeou tudo de novo com renovada potncia. Os dois se viram arrastados para um orgasmo to potente que os fez sentir como se o quarto comeasse a girar e eles estivessem no centro de uma espiral. Ambos deixaram escapar gritos de prazer, primeiro ele seguido de perto por ela para carem de novo de puro prazer. Storm a abraou com fora e sentiu que voltava a excitar-se. Sentia que aquela mulher estava absorvendo todos seus fluidos e tambm sua mente sem que ele pudesse fazer nada para det-la.
   Jayla estava exausta, mas satisfeita depois da incrvel sesso de sexo. Olhou para o teto tentando acalmar o ritmo da respirao, e depois sorriu ao virar-se para olhar Storm. Estava deitado de barriga para cima e tinha os olhos fechados. Ele tambm respirava profundamente tentando acalmar-se. Quando se deu conta de que estava excitado outra vez, ela voltou a sentir que uma corrente eltrica percorria seu corpo. Era forte como uma rocha e parecia estar preparado para outra frentica sesso.
   - Tudo o que ouvi sobre ti  certo - disse ela suspirando profundamente.
   - E o que  o que ouviste sobre mim?
   - Que  perfeito na cama.
   Storm franziu o cenho. Por alguma razo no queria que Jayla pensasse nas outras mulheres com quem tinham estado, e ele tampouco queria pensar nelas. A nica mulher em que queria pensar era ela. Inclinou-se e a beijou apaixonadamente enquanto acariciava suas partes mais ntimas.
   -No foi minha inteno ser brusco.
   - E voc no foi - disse ela com um amplo sorriso. - Me deste tudo o que pedi.
   - Sim, mas voc  nova nisto.
   - E aproveitei cada minuto - rebateu estudando-o por um momento. - Quando tinha dezesseis anos, sentia curiosidade por ti. Foi o primeiro menino por quem senti interesse.
   - Verdade?
   - Sim.
   Storm lhe sustentou o olhar. Recordava vividamente como, sempre que ia visita a casa de Adam, os olhos cor mel de Jayla o estudavam e deixavam traduzir todo tipo de emoes de adolescente. Estava louca por ele e Storm se deu conta e lhe parecia que Adam tambm. Era consciente de que era a filha de seu chefe e que estava comeando a notar os meninos, mas, infelizmente, ela tinha decidido pr os olhos nele que j no era um jovenzinho como ela, e ainda pior, estava tentando fazer ele se interessar por ela e ele tinha tido que fazer um grande esforo para no faz-lo.
   - Vamos ficar na cama o dia todo ou quer sair para dar uma volta? - perguntou irrompendo em seus pensamentos. - Para sua informao, a idia de ficar na cama no me incomoda absolutamente.
   Storm no pde evitar rir.
   - Criei um monstro.
   - No acredito que possa negar que lhe agrada, tendo em conta seu estado - disse ela assinalando o membro ereto enquanto o olhava com uma sobrancelha levantada.
   - Bom, sim, mas algumas coisas no podem ser apressadas. D-me um pouco de tempo.
   - Se acha que precisa, est bem, mas pelo que tinha entendido, a maioria dos homens precisa de tempo para levant-lo, no para baix-lo.
   Storm sorriu. Deleitava-se com a reviravolta que tinha tomado a conversa, mas sabia que se no sassem da cama logo, a conversa se converteria em outra coisa. Obrigou-se a levantar-se. 
   - Suponho que e melhor voltar para o meu quarto e tomar um banho - disse olhando o relgio. - Quer que tomemos o caf da manh juntos no restaurante?
   - Sim, estou faminta.
   - E depois de tomar o caf da manh, quer sair a dar uma volta? -"Qualquer coisa menos ficar no quarto". - A que horas sai seu avio amanh? - perguntou e, de repente, tomou conscincia da rapidez com que o tempo tinha passado em sua companhia. E a julgar pela expresso no rosto de Jayla, esta pensava o mesmo.
   - Pela manh, s oito. E o teu?
   - Pela tarde, s trs.
   -  uma pena no irmos no mesmo vo - disse ela com tranqilidade.
   Storm tinha estado pensando o mesmo.
   - Sim,  uma pena.
   Embora talvez fosse melhor. Se passasse muito mais tempo com ela, sentiria todos seus poros invadidos por sua presena at chegar a algo para o que no estava preparado. Tinham ocorrido muitas coisas entre eles nas ltimas quarenta e oito horas.
   - Nada mudou verdade, Jayla? Nenhum de ns dois est procurando uma relao duradoura.
   Jayla o olhou e compreendeu imediatamente a necessidade de Storm de deixar bem claras as regras do jogo,
   -No, no mudou nada. Acredite-me, uma relao sria com algum  a ltima coisa que preciso neste momento. Vou estar muito ocupada nos prximos meses e no poderia me ocupar tambm de uma relao.
   - Srio? E o que de to importante voc vai fazer?
   Jayla umedeceu os lbios, nervosa. No tinha inteno de contar sobre seu projeto maternidade.
   - Um projeto no que vou comear a trabalhar.
   - E do que se trata?
   Era evidente que perguntaria. Jayla decidiu que o melhor seria mudar de assunto.
   - Nada que possa te interessar, acredite. 
   - Poderia te surpreender - disse ele observando-a atentamente. -Se alguma vez necessitar minha ajuda, no hesite em me chamar.
   - Obrigada pelo oferecimento, mas tenho tudo sob controle.
   - Est bem. Volto em um segundo.
   Jayla o observou enquanto se dirigia ao banheiro e fechava a porta. Virou-se e se colocou de barriga para baixo na cama afundando o rosto no travesseiro. No podia acreditar que Storm tinha se oferecido para ajud-la em seu projeto. Mas ela sabia que Storm no era dos que queriam envolver-se na paternidade e, mesmo que fosse, arruinaria o estilo de vida que gostava de levar. Storm j tinha deixado claro sua opinio de que uma mulher trabalhadora no podia ocupar-se tambm da casa e da famlia. Jayla no invejava a mulher que acabaria casando-se com ele porque era evidente que seria um marido controlador.
   Saiu da cama, colocou o penhoar e se aproximou da janela onde contemplou o sol nascer. No dia seguinte, a aventura entre Storm e ela terminaria e ambos retornariam a Atlanta onde no voltariam a encontrar-se. Seria difcil v-lo e no pensar na intimidade que tinham compartilhado.
   
   Storm rodeou Jayla pela cintura e a abraou.
   - Uma hora? -perguntou levantando a sobrancelha. - Quer me dizer que precisa uma hora para encontrar um vestido para esta noite?
   - Sim. J vi vrias coisas que eu gostaria de provar. Tem que ser algo perfeito - disse ela com um grande sorriso.
   - Jayla - suplicou ele.
   - Por favor, Storm. Quero comprar um vestido novo para esta noite.
   Storm comprovou o entusiasmo no rosto de Jayla e, pensou que estava ainda mais formosa, se  que isso era possvel. Quando se viram no restaurante para tomar o caf da manh, havia-lhe dito que seu primo Ian o tinha chamado. Ian, grande amigo do prefeito de Nova Orlens, tinha sido convidado a um jantar de gala em honra deste. Ian tinha convidado Storm e este por sua vez tinha pedido para levar Jayla como acompanhabte. Em vez de sair para visitar a cidade como haviam planejado em princpio, Jayla tinha insistido em que o primeiro que tinha que fazer era comprar um vestido especial para o jantar.
   - De acordo, suponho que posso encontrar algo para matar o tempo enquanto voc compra - disse ele soltando-a. - Mas voltarei em uma hora.
   -E eu terei terminado - disse ela lhe devolvendo o sorriso.
   Um momento depois, Storm passeava pela Jackson Square. Recordou o ar emocionado que mostrara Jayla quando a havia convidado para a festa com o prefeito. Gostava de v-la feliz. Tambm estava gostando muito de sua companhia, talvez demais. Gostava de estar com ela, dentro e fora da cama. E teve que lembrar-se mais de uma vez que aquilo no era mais que uma aventura. Olhou  hora. Ainda faltavam quarenta e cinco minutos para encontr-la. Amaldioou-se porque j estava sentindo sua falta. O sentimento fez disparar o alarme em seu crebro: era a primeira vez que admitia sentir falta de uma mulher. Suspirou e se convenceu de que tinha que ser sincero consigo mesmo. O certo era que gostava de ter Jayla perto e isso no combinava com ele.
   Continuou caminhando enquanto se perguntava o que tinha Jayla que o estava fazendo reagir de forma to estranha. No gostava. Ambos sabiam que no era nada mais que uma aventura passageira. A idia de manter uma relao sria estava totalmente fora de toda lgica, mas por que o pensava ento?
   - Est confuso, no ?
   Storm se virou ao ouvir a voz quebrada e viu uma anci sentada em um banco a pouca distncia dele.
   - Desculpe. A senhora disse algo?
   - Sim. Eu disse que est confuso. E nunca te oconteceu antes, verdade? - disse a mulher com um sereno sorriso.
   Storm inclinou a cabea enquanto estudava com curiosidade  mulher perguntando-se se no estaria mal da cabea. Falava como se o conhecesse.
   - Acredito que deve ter me confundido com outra pessoa.
   - No - murmurou ela sacudindo a cabea - e no estou louca - acrescentou como se estivesse lendo sua mente. - Te direi mais se me deixa ler o teu futuro.
   Storm assentiu ao compreender. A mulher era uma vidente. Nova Orlens estava cheia delas. Cruzou os braos em uma atitude divertida.
   - E o que acredita que possa me dizer que eu no saiba?
   - Voc ficaria surpreso.
   Storm no acreditava, mas decidiu dar o prazer  anci.
   - De acordo, me surpreenda. Qual  sua especialidade? Cartas de tarot ou bola de cristal?
   - Nem uma coisa nem outra - disse ela escrutinando-o. - Leio a palma da mo.
   - Certo. Quanto para ler minha mo?
   - Vinte dlares.
   Storm suspirou enquanto metia a mo no bolso e tirava uma cdula de vinte dlares sem deixar de pensar que aquilo era uma perda de tempo. Olhou o relgio. Ainda faltava meia hora. Sentou-se junto  mulher e estendeu o brao. Observou como segurava a mo e estudava a palma. Momentos depois, quando levantou o olhar, a intensidade em seus olhos escuros o deixou impressionado. Sorriu.
   - Vejo que est confuso.
   - E isso o que significa? - perguntou franzindo o cenho.
   - Sua vida vai dar um giro inesperado e embora o que mais deseja  tranqilidade, vejo que se aproximam turbulncias. Mantm os olhos abertos, seja paciente e deixa que o destino siga seu curso.
   Storm franziu o cenho ainda mais. Fazia trs meses que o tinham promovido assim que as mudanas no podiam ser trabalhistas. Estava pensando em mudar-se para uma casa maior, mas que problemas poderia trazer semelhante deciso? Tinha que ser outra coisa.
   - Isso  tudo?
   A anci o olhou e suspirou profundamente.
   - Confia em mim, filho. No precisa saber nada mais no momento.
   - No poderia ser um pouco mais precisa?
   - No. Eu lhe disse tudo o que tem que saber.
   Storm se levantou devagar. No podia esperar para contar aos seus irmos a experincia. Conhecendo-os, provavelmente ririam dele.
   - Foi uma experincia agradvel - disse sem saber muito bem como reagir.
   - Desejo-te toda a sorte - desejou a mulher sacudindo a cabea lentamente.
   - Obrigado - agradeceu antes de partir sem saber muito bem por que estava agradecendo.
   - Diga a ela que voc gosta do vermelho.
   Storm se voltou e levantou uma sobrancelha.
   - O que disse?
   - Diga-lhe que voc gosta mais do vermelho - repetiu  anci.
   Storm franziu o cenho sem compreender. Decidiu que seria melhor no perguntar, assim se limitou a assentir com a cabea, e dando- volta, partiu. Pouco depois, quando chegou  loja de roupas, viu Jayla de p junto  caixa, esperando-o. Iluminou-lhe o rosto ao v-la.
   - Encontrou algo?
   - Sim - disse ela muito nervosa. - Eu gostei muito de dois vestidos, mas vou escolher o que voc mais gostar.
   Viu que pegava dois vestidos, um azul e outro vermelho. Storm piscou surpreso e sentiu de repente a boca seca ao lembrar das palavras da anci.
   - E ento? De qual voc gosta mais, Storm? - perguntou sustentando ambos diante dele.
   - O vermelho - se apressou a responder, sentindo-se realmente estranho.
   Jayla no se deu conta de nada e se limitou a entregar a vendedora o vestido vermelho.
   - Eu tambm gostei mais do vermelho - disse com um enorme sorriso nos lbios.
   Mais tarde, Storm teve que admitir que realmente gostava muito daquele vestido vermelho, especialmente no corpo de Jayla. Ficou boquiaberto quando a viu sair do elevador no vestbulo do hotel. V-la e sentir um ataque de desejo por ela tinha sido imediato Nada como um sexy vestido vermelho ajustado marcando as esbeltas linhas de uma mulher formosa. Usava brincos prateados que lhe davam um ar sofisticado e elegante. O vestido era curto e tinha um decote que realava seus seios fazendo-os parecerem voluptuosos.
    - Me diverti muito esta noite, Storm. Gostei muito do seu primo Ian.
   Storm a olhou. Estavam sentados na parte traseira de um txi a caminho do hotel. Estava escuro, mas a luz da lua e as luzes das casas na rua permitiam adivinhar os traos um do outro, embora mesmo se no pudesse v-la, podia sentir seu perfume cheio de sensualidade que o estava deixando louco.
   - Sim, e eu acredito que ele tambm gostou de voc - respondeu ele com voz rouca. "Quase demais, diria eu".
   - No vejo  hora de chegar ao hotel para poder tirar estes sapatos. Esto me matando.
   Storm sorriu e se alegrou com a pouca iluminao porque assim Jayla no pde ver o brilho lascivo de seus olhos. Ele tampouco via  hora de chegar ao hotel para tirar-lhe tudo. V-la com esse vestido a noite toda tinha sido uma tortura para ele. Agora mal podia esperar para ver o que tinha, ou no tinha, debaixo dele.
   - Ponha os ps no meu colo que fao uma massagem - murmurou ansioso por toc-la.
   Jayla no hesitou nem por um momento. Storm sabia notaria o quanto estava excitado. Tirou-lhe os sapatos prateados de salto e comeou a massagear os doloridos ps. Storm de repente se deu conta de que nunca havia sentido tanto desejo de agradar uma mulher.
   - Ummm, eu poderia rapidamente me acostumar com isto. Tem mos prodigiosas, Storm.
    - Qualquer coisa para faz-la feliz - respondeu ele com um sorriso. Depois por um momento ficou a pensar no que acabara de dizer. Perguntava-se o que tornaria feliz uma mulher como Jayla.
    - Chegamos muito rpido - disse Jayla no momento em que chegavam ao hotel. Storm lhe colocou os sapatos e se sentiu um pouco vazio quando Jayla retirou as pernas de seu colo.
   Olhou-a decidido a apagar o tom de decepo de sua voz. Inclinou-se sobre ela e, aproximando-a, beijou-a nos lbios. Seu sabor era realmente excitante. Em questo de minutos, Jayla respondia a suas carcias com um gemido.
   -Seu quarto ou o meu? - sussurrou-lhe no ouvido.
   - Nunca estive no quarto de hotel de um homem, e como esta viagem foi  primeira vez para mim em muitos sentidos, acredito que prefiro seu quarto esta noite.
   Storm voltou a beij-la, devorando seus lbios, e pensou que realmente seria fcil acostumar-se a isso.
   
   Jayla despertou ao ouvir o telefone. Olhou o relgio da mesinha e compreendeu que era o servio despertador do hotel que tinha solicitado na noite anterior. Viu que Storm desprendia e sem responder voltava a pendurar. Ento, seus olhares se cruzaram por um momento e a Jayla pareceu ver uma sombra de tristeza em seus olhos.
   - Suponho que  a hora.
   - Sim,  o que parece - disse ela suavemente, embora no quisesse levantar-se nem vestir-se, apesar de saber que tinha que faz-lo. Tinha que ir ao seu quanto fazer a mala. Seu vo saa em poucas horas e queria chegar a tempo ao aeroporto. Jayla sentiu uma onda de calor enquanto Storm a olhava. Recordou o que tinha ocorrido na noite anterior. Ela tinha entrado primeiro n quarto e depois Storm, fechando a porta atrs dele. Ela tinha ido a seu encontro e se uniram em um apaixonado beijo. Em questo de segundos, Storm lhe tinha tirado o vestido e as meias deixando-a s com a diminuta tanga. Nunca esqueceria seu olhar nem a forma como a tinha levado nos braos at a cama onde se entregou nica e exclusivamente a agrad-la.
   - Precisa que te ajude a fazer a mala? - perguntou Storm. Estava muito bonito recm acordado. Sorriu e se apoiou em um cotovelo para olh-la melhor. A seguir estendeu um brao e lhe acariciou brandamente os mamilos. Incharam-se ao contato e Jayla notou uma sensao de calor entre as pernas.
   Devolveu-lhe o sorriso consciente de que se aceitava sua oferta nunca terminariam de fazer a mala.
   - Obrigada, mas acredito que me posso arrum-la sozinha.
   Jayla notou como seu sorriso se desvanecia ao tomar conscincia da crua realidade. Embora no se lamentasse pelo ocorrido, sabia que ia terminar. Tinha que concentrar-se no filho que ia ter. Logo que chegasse em casa marcaria uma reunio com a clnica para comear com os preparativos. Continuar com Storm no lhe traria mais que complicaes porque ele no era seu homem perfeito. Ento por que lhe custava tanto sair de sua cama? E por que queria fazer amor com ele uma vez mais antes de sair da habitao?
   - Adorei estar contigo, Jayla.
   - Eu tambm, e no o lamento - disse ela com um sorriso.
    - Eu tampouco - Storm levantou a mo e enredou os dedos no cabelo dela. - Somos adultos e fizemos o que queramos fazer.
   - Obrigada Storm por me ensinar quo fantstico pode ser o sexo - agradeceu Jayla com um sorriso.
   - De nada - disse ele sorrindo tambm.
   - Mas a vida continua - disse Jayla quando mais desejava beij-lo.
   - Sim, a vida continua, mas no ser fcil. Se me encontrasse contigo dentro de pouco no poderia te olhar sem recordar o vestido vermelho e os saltos altos, para no falar na tanga que usava.
   - Surpreso? - disse ela rindo.
   - Sim, surpreso, mas tambm muito agradado - respondeu com um sorriso.
   Storm decidiu que o que no ia dizer lhe era que era a mulher que mais o tinha surpreendido em sua vida. Era uma mulher capaz de rir com ele, brincar com ele e falar com ele sobre tudo. E o sexo que tinham compartilhado tinha sido incrvel. No pensava deix-la ir sem fazerem amor uma ltima vez e gravar para sempre a lembrana do tempo que tinham passado juntos. Para sempre.
   Era a primeira vez que usava essas duas palavras em seu vocabulrio associadas a uma mulher. Nunca antes tinha pensado que as coisas fossem para sempre. Embora tinha que admitir que com Jayla Penetre pensava em coisas que nunca antes lhe tinham passado pela cabea. E lhe alegrava ter permanecido esse tempo com ela porque tinha aprendido coisas sobre ela que de outra maneira no saberia, como sua paixo por bolo de queijo e morango e como trabalhava de voluntria com os doentes de cncer do Hospital Universitrio Emery.
   - Storm, tenho que levantar, me vestir e pegar o avio.
   Storm a olhou e sentiu que algo em seu interior se rompia ante a iminente despedida. Era algo que nunca antes lhe tinha acontecido e que no podia explicar. De repente, desejava-a tanto que no podia conter-se. Limitou-se a inspirar profundamente e...
   - Storm...
   
   
   Captulo 6
   
    - Como foi em Nova Orlens? - perguntou Lisa Palmer sentada em frente  mesa da cozinha. Esta levantou a vista e se encontrou com o olhar cheio de curiosidade da amiga.
   - Bem. Por que o pergunta?
   - Porque me dei conta de que voc no falou muito desde que retornou.
   Javia inspirou profundamente enquanto tentava fugir do escrutnio a que a estava submetendo sua amiga. Sabia que cedo ou tarde teria que contar-lhe tudo, includo o plano da inseminao artificial.
   - Por que tenho a impresso de que me est ocultando algo?
   - Imaginao sua.
   - No, no acredito - disse Lisa olhando-a pensativamente. - Voc est se comportando de uma maneira diferente. Parece mais relaxada e isso s pode significar uma coisa.
   Jayla engoliu com dificuldade perguntando-se se realmente era to evidente a mudana.
   - O que?
   - Que descansou muito nesta viagem pelo que me alegro de no ter ido contigo - disse Lisa sorrindo amplamente. - Se tivesse ido teria esgotado indo s compras e...
   - Encontrei-me com um conhecido.
   Lisa levantou uma sobrancelha. Os segundos passavam e como Jayla no dizia nada. Lisa aproximou sua cadeira da de sua amiga.
   - Muito bem. E pensa me deixar de fora ou vai contar-me o que aconteceu?
   Jayla tomou um gole de limonada antes de responder.
   - Encontrei-me com Storm Westmoreland.
   Lisa deixou seu copo de limonada na mesa.
   - Storm Westmoreland? A mquina sexual?
   - Sim, esse Storm - riu Jayla.
   Lisa olhou sua amiga por um momento enquanto recordava que esta tinha lhe contado de seu amor quando tinha dezesseis anos. E, como muitas outras mulheres em Atlanta, ela tambm conhecia a reputao de Storm e isso era o que mais a incomodava.
   - O que estava fazendo Storm Westmoreland em Nova Orlens? -perguntou Lisa suspeitando que havia algo mais.
   - Estava em uma conferncia - respondeu Jayla.
    - E...?
   Jayla guardou silncio por um momento. Sabia que Lisa tinha muitas perguntas a fazer e decidiu que seria melhor contar tudo ela mesma.
   - E nos encontramos e uma coisa levou a outra e terminamos tendo uma aventura.
   Jayla quase sorriu ao ver a cara de assombro da amiga. Continuando, observou como apurava o contedo do copo como se fosse algo mais forte que uma simples limonada.
   - J no  virgem? - perguntou sem poder sair de seu assombro.
   - No - respondeu Jayla sorrindo esta vez.
   Lisa se reclinou na cadeira e a olhou inquisitivamente  espera de mais detalhe.
    - Como disse, Storm e eu nos encontramos no hotel e decidimos passar o tempo juntos e uma coisa levou a outra.
   -  evidente.
   - E no espere que conte tudo porque h detalhes que ser melhor que no conhea - disse Jayla lembrando todas as coisas que Storm e ela tinham feito. Fizeram amor tantas vezes que tinha perdido a conta e cada vez tinha sido melhor que a anterior.
   Recordava com especial carinho a primeira vez e como tinha preparado o banho quente e a tinha levado nos braos at a banheira, mas tambm havia um lugar especial na sua memria para a ltima vez que tinham feito amor na manh que ela retornou a Atlanta. Com uma ternura que quase a tinha feito chorar, Storm tinha utilizado as mos e a boca para lev-la at o limite, at que seu corpo se tornou louco de desejo por ele. E justo quando estava a ponto de chegar ao orgasmo a tinha penetrado movendo-se com uma mescla de ternura e desejo louco, conduzindo-a at o orgasmo que a tinha deixado exausta, mas satisfeita e feliz. E por muito que tinha tentado manter-se acordada, dormiu. Os dois dormiram. Quando despertaram, Jayla foi ao seu quarto para fazer a mala. Ele tinha a tinha acompanhado para ajud-la e o beijo de despedida que lhe deu tinha sido fantstico, quase irreal. Mesmo que nunca mais praticasse sexo com outro homem, sempre recordaria os dias que tinha passado com Storm. Durante trs dias, aquele homem a tinha feito sentir especial e ela ainda no podia acreditar no presente que lhe tinha dado.
   - Jayla?
   - O que? - perguntou dando um pulo quando Lisa estalou os dedos diante do seu rosto.
   - No respondeu a minha pergunta.
   - O que pergunta? - quis saber Jayla franzindo o cenho.
   - Lamenta-o?
   - No - se apressou a garantir Jayla sacudindo a cabea. - Vinte e seis anos so muitos anos para ser virgem, mas nunca antes tinha conhecido algum que merecesse o presente da minha virgindade, at que me encontrei com Storm.
   - Com a reputao que tem te parece que ele o merecia? - disse Lisa levantando uma sobrancelha.
   - Sim, porque no tentou me enrolar para me levar cama. De fato, no princpio tentou resistir aos meus avanos. Eu fui quem comeou e ele sempre se comportou como um perfeito cavalheiro comigo, deu-me a opo e no deu nada por certo.
   -  certo tudo o que ouvimos dele? - perguntou Lisa com um brilho de curiosidade nos olhos.
   Jayla tratou de no dar importncia a onda de calor que subia por suas pernas ao pens-lo. Storm era um amante muito experiente.
   - Sim,  tudo certo - disse com um sorriso.
   - Maldita seja. Algumas mulheres so muito sortudas - disse Lisa com inveja. Por fim sorriu. - E quando vais v-lo de novo?
    Jayla tratou de ocultar a dor que a pergunta lhe produziu, esforando-se por convencer-se de que no era mais que indigesto.
   - No voltaremos a nos ver. O que compartilhamos em Nova Orlens no foi mais que uma aventura, e como nenhum dos dois est procurando uma relao sria, decidimos que quando voltssemos para Atlanta continuaramos com nossas vidas como se nada tivesse acontecido.
   - Mas sua vida  bastante aborrecida, em geral. Quo nico faz  ir do trabalho a casa, exceto nos dias que vai ao hospital como voluntria.
   Jayla sabia que tudo isso era verdade, mas em algumas semanas mudaria por completo. Sorriu.
   - Quero que saiba que minha vida no  mais aborrecida e nunca mais ser, porque decidi dar o primeiro passo em algo que ser para toda a vida.
   - E do que se trata?
   - Vou ter um beb.
   Jayla observou a expresso de Lisa.
   - O que quer dizer com ter um beb?
   - Isso mesmo. Voc sabe quanto gosto de crianas.
   - Bom, eu tambm os quero, mas no penso ter um at que encontre o meu homem perfeito e me veja preparada para sentar a cabea e casar.
   - Bom, sim, mas algumas de ns pensamos que no existe o homem perfeito e por isso decidi no esperar mais.
   Lisa manteve a calma como pde e cravou o olhar em Jayla.
   - Diga que no tentaste ficar grvida de Storm Westmoreland.
   Jayla no pde evitar a risada. A idia de Lisa era ridcula. Storm Westmoreland seria o ltimo homem em quem pensaria para ser o pai de seus filhos. Era muito controlador.
   - Acredite, nunca me ocorreu tal coisa. Alm disso, nunca enganaria um homem dessa maneira. J o tinha decidido antes de ir a Nova Orlens e vou a uma clnica de fertilidade para me submeter ao tratamento.
   - Espera um pouco. Alto, alto. Do que est falando?
   Jayla sorriu. A expresso de Lisa era engraada e enlouquecida ao mesmo tempo. Eram muito unidas e a conhecia o suficientemente para saber que no aprovaria a idia da clnica. Mas Lisa no tinha problemas para procurar seu homem porque j tinha uma relao com um homem estupendo. Alm disso, ela vinha de uma grande famlia e no conhecia o significado da palavra solido.
   - Estou te falando da minha deciso de ter um filho. J passei pelas preliminares e encontraram um possvel doador que cumpre todos os requisitos que solicitei. Agora s tenho que passar por um exame mdico na prxima sexta-feira. Decidir qual  meu momento mais frtil do ciclo para fazer a inseminao. Se no der certo na primeira vez, tentaro quantas vezes sejam necessrias.
   Lisa no sorria. Parecia horrorizada.
   - Diga que  uma brincadeira, Jayla.
   Jayla suspirou. Mordeu o lbio inferior vrias vezes, algo que fazia quando se encontrava em uma situao incmoda. Desde que se conheciam, Lisa nem sempre tinha estado de acordo com seus atos, mas sempre a tinha apoiado. Sabia que o tema era difcil para Lisa aceitar, por suas crenas tradicionais e por isso no tinha querido contar-lhe antes.
   - No, no  uma brincadeira. Lisa. Tomei uma deciso. Pode que no esteja de acordo, mas necessito que me apie. Quero ter um filho mais que tudo no mundo.
   - Mas h outras opes, Jayla.
   - Sim, e as considerei tambm, mas nenhuma me atraiu tanto. Quero um filho, mas no preciso de uma relao com um homem que no  o indicado, e no tenho tempo para esperar at que a sorte me sorria. Os tempos mudaram. Uma mulher j no necessita um homem para ficar grvida e ter um filho, e assim  como quero que seja comigo.
   Lisa guardou silncio durante um momento e finalmente, estendeu a mo e tomou a de Jayla.
   - Embora possa compreender que algumas mulheres se submetam a esses procedimentos em determinadas situaes, seu caso  diferente, Jayla, e o que vais fazer vai contra todo aquilo no que acredito. Sempre que for possvel, acredito que um beb tem direito a ter um pai e uma me, mas se est decidida a passar por isso, tenha por seguro que estarei contigo para o que precise.
   - Obrigada - disse Jayla piscando com rapidez para secar as lgrimas.
   
   - Vamos, Storm, te concentre no jogo e deixa de sonhar acordado.
   As palavras de Thorn Westmoreland atraram a ateno de Storm que jogou outra carta e se reclinou na cadeira com o cenho franzido.
   - No estava sonhando acordado e estou concentrado no jogo - disse jogando outra carta.
   Depois de outra volta, Stone Westmoreland sacudiu a cabea.
   - Pois se est concentrado no jogo, ento  um pssimo jogador porque jogasse uma de ouro em vez de copas o que significa que renncias - disse Stone com um grande sorriso. - Mas no me queixo porque isso me proporciona condies para ganhar.
   Storm afastou a cadeira, levantou-se e olhou seus quatro irmos. Parecia que todos eles encontravam divertida sua falta de concentrao e lhe parecia tudo menos engraado.
   - Vou sair um pouco. Preciso de ar fresco.
   - Mas o que lhe passa? - ouviu que seu irmo Thorn perguntava aos outros.
   - No sei - respondeu Der. - Esteve se comportando de uma forma estranha desde que voltou da conferncia em Nova Orlens.
   - Talvez esteja sofrendo muita presso no seu novo posto de chefe de bombeiros - ouviu que seu outro irmo Chase dizia. - No h nada pior que sentir que seu trabalho estressa.
   - Tem razo - concordaram o resto dos irmos.
   Storm sacudiu a cabea quando a imagem de uma mulher cruzava seu crebro. Era a imagem que tinha estado tentando evitar durante toda a semana passada: Jayla Penetre.
   Apertou os punhos enquanto se perguntava o que lhe estava ocorrendo. Nenhuma mulher antes tinha permanecido em seus pensamentos tanto tempo depois de ter vivido uma aventura. A imagem de Jayla com o vestido vermelho o estava deixando louco. Jayla tinha conseguido acend-lo, mas tambm parecia ter satisfeito uma necessidade que no sabia que existia. Cada vez que a tinha levado para cama tinham feito amor com loucura. No podia esquecer o precioso rosto dela quando encontrava o orgasmo. Era como se a potncia do que sentia em seu interior a deixasse sem respirao e a intensidade fazia com que seu mundo explodisse em mil pedaos at que finalmente caia plenamente satisfeita. Como resultado ao ver essa expresso em seu rosto, Storm sempre tinha conseguido orgasmos nunca antes experimentados, normalmente mais de um. Amaldioou-se por no poder controlar seus pensamentos e limpou o suor com a mo. Estava acostumado s relaes sexuais, mas que a simples lembrana de uma delas conseguisse excit-lo era algo a que no estava acostumado. Inclusive tinha pensado em aproximar-se de sua casa para assegurar-se de que estava bem. Nunca antes tinha feito algo assim.
   - Storm, est bem?
   Inspirou profundamente ao escutar a voz de sua cunhada, mas decidiu que, embora estivesse escuro, no era boa idia deixar que o vissem naquele estado.
   - Storm?
   - Sim, Tara. Estou bem - respondeu finalmente quando recuperou o controle.
   Tara Matthews era uma mulher formosa. Todos os irmos Westmoreland ficaram enfeitiados com ela quando a conheceram na casa da sua irm Delaney. Storm poderia ter tido uma relao com ela, mas rapidamente averiguou que Tara era uma mulher a ser domada. Em seguida, Storm e seus irmos decidiram que o nico que poderia dirigir uma mulher como Tara era Thorn, assim o desafiaram. Tinham passado quase dois anos daquilo e Tara se converteu em sua esposa.
   - Estava preocupada - disse ela brandamente. - Ao passar pela sala e ver que no estava com seus irmos me disseram que tinha sado para tomar ar. No sabia se estava doente, especialmente quando me disseram que estava jogando mal.
   - Santo Deus, mas eles sempre dizem que jogo mal at quando estou ganhando - disse Storm com um brilhante sorriso.
   -Bem. Como foi sua viagem a Nova Orlens? - perguntou Tara em seguida.
   Storm voltou a imaginar Jayla nua, enquanto percorria com a lngua todo seu corpo fazendo-a gritar de prazer.
   - Storm?
   - Sim?
   - Perguntei como foi sua viagem a Nova Orlens - repetiu Tara aproximando-se mais de Storm e o olhando atentamente nos olhos. - Tem certeza de que est bem? Tem as pupilas muito dilatadas.
    "E estou completamente excitado, mas no vai querer saber como".
   - Estou bem e o foi tudo bem em Nova Orlens. Estive com o Ian e me disse que viria a Atlanta para assistir ao baile beneficente que est organizando.
   - De verdade? - perguntou Tara com um sorriso. - Nessa noite mostraremos o calendrio que confeccionamos e todo mundo ver  Thorn como Mister Julho.
   - No acredito que seja essa a nica razo pela qual vem Tara. Ian vai vir porque voc pediu, mas h outro motivo.
   - E qual ? - perguntou elevando uma sobrancelha.
   - Sabe que haver muitas mulheres solteiras e bonitas na festa - disse ele com um brilhante sorriso.
   Tara sacudiu a cabea sorrindo, concordando.
   - Suponho que  verdade porque onze dos doze homens que posaram tambm esto solteiros. Thorn  o nico que se casou desde que se fizeram as fotos.
   De repente, Storm lembrou que Jayla havia mencionado alguma coisa sobre um almoo com Tara quando retornasse de Nova Orlens. Se os planos no tinham mudado, esse encontro seria no dia seguinte. Se soubesse onde iriam comer poderia passar por ali por acaso, mas no podia perguntar abertamente sem que Tara suspeitasse de como tomara conhecimento do encontro.
   - O que de almoarmos juntos amanh? Convido Madison e Shelly tambm? -sugeriu casualmente embora soubesse que Shelly, a esposa de Der, no havia retornado da Florida, e Madison, a mulher de Stone, ia acompanh-lo a Kansas City.
   - Obrigada pelo convite, Storm, mas Shelly e Madison estaro fora. Alm disso, j tenho planos para amanh. Marquei com uma mulher que trabalha comigo na organizao do baile. Cheguei a um acordo com sua empresa para que se ocupem do catering e o servio de bebidas da festa.
   Storm se sentiu revitalizado imediatamente. Voltava a ser um homem seguro, presunoso e fanfarro.
   - Que m sorte. E onde iro?
   - Como diz? - perguntou ela elevando uma sobrancelha.
   Storm inspirou profundamente. Sabia que no podia pressionar muito ou Tara suspeitaria.
   - Perguntei onde iro comer. Posse ser conhea, poderia te recomendar.
   - Acredite, voc j esteve nesse lugar e definitivamente dou f que se come muito bem. Combinamos que eu escolheria e ainda no lhe disse, mas vou sugerir irmos ao Chase's Place.
   O corao de Storm deu um salto repentino e seus lbios se curvaram em um sorriso. A resposta no podia ter sido melhor. Tara ia levar Jayla ao restaurante do seu irmo, um lugar onde estava acostumado a comer freqentemente assim no seria estranho se aparecesse por ali.
   - tima escolha.
   
   - Chase's Place? - perguntou Jayla como querendo assegurar-se de que tinha ouvido bem.
   - Sim - disse Tara com tom animado do outro lado do telefone. -  do meu cunhado, Chase Westmoreland, e a comida  fabulosa.
   Jayla se levantou da mesa, nervosa. Sabia que a comida era fabulosa, mas no era isso o que a preocupava. Lembrou que Storm tinha dito que costuva comer ali freqentemente. Ficou tentada a sugerir outro restaurante, mas rapidamente recordou que tinha sido ela que tinha dado a Tara carta branca para escolher o lugar. Suspirou resignada.
    - Conheo-o e tem razo, a comida  fabulosa.
   - E prometeu nos tratar muito bem.
   - Quem? - perguntou levantando uma sobrancelha.
   - Chase. Gosta muito de cuidar de todos.
   Jayla esteve a ponto de dizer que devia ser de famlia porque no era o nico que cuidava muito bem dos outros. Recordou a forma como Storm se ocupou at de seus menores desejos.
   - A que hora ficamos?
   - Vai bem  uma e meia? Assim no nos incomodar todo o pblico que est acostumado a ir comer no meio da amanh. Mas se quiser que mais cedo...
   -No, est bem. Vemo-nos ali  uma e meia - disse Jayla sentando-se de novo. Comeou a pensar em qual seria a forma mais adequada de comportar-se se encontrava com Storm. Depois de muitas voltas, decidiu que o melhor seria atuar de forma natural consciente de que haviam compartilhado algo ntimo, mas que no estavam juntos.
   - Qual  o motivo de que ainda esteja por aqui?
    Storm encolheu os ombros e olhou a seu irmo gmeo com um brilhante sorriso.
   - Eu gosto deste lugar.
   A expresso de Chase dizia que o conhecia muito bem. Normalmente ia comer e raramente ficava socializando. Normalmente estava muito ocupado perseguindo mulheres para fazer visitas longas ao irmo.
   -Bom, se no tem nada melhor para fazer o que acha de me ajudar a atender as mesas? Uma das garonetes ligou para dizer que est doente e no nos viria mal  ajuda.
   Storm consultou o relgio ao mesmo tempo em que sacudia a cabea.
   - Sinto muito. Eu gosto, Chase, mas nem tanto - disse Storm olhando para a porta e pensando se teriam mudado de idia. E justo nesse momento a porta se abriu e as duas mulheres apareceram.
   Storm conteve a respirao ao ver Jayla. Sentando no final do balco onde estava, sabia que ela no podia v-lo. Ia vestida de forma diferente de quando estavam em Nova Orlens. Usava um traje escuro, mas continuava preciosa e sexy. Storm sentiu que a libido se descontrolava. Virou-se e viu Chase.
   - Mudei de idia. Ajudarei-te.
   - O que te fez mudar de idia to rapidamente? - perguntou Chase suspicaz.
   - Se um homem no pode contar com seu irmo gmeo em um momento de necessidade, com quem o far ento? - disse Storm exibindo seu sorriso mais ingnuo.
   Chase olhou por cima do ombro de Storm.
   - Espero que a mulher que estava esperando encontrar seja a mulher que est com a Tara e no Tara. Eu no gostaria que Thorn tivesse que te matar.
   - Te tranqilize. Superei Tara faz tempo. S me diverte provocar Thorn - respondeu Storm e, inclinando-se por cima do balco, pegou um lpis e uma caderneta. - Quem se ocupa da mesa em que esto elas?
   - Pam.
   - Ento lhe diga que tire um descanso, ou melhor, ainda, que se ocupe de outra mesa. Dessa me ocupo eu - disse Storm caminhando na direo das duas mulheres.
   - Chegamos bem a tempo - disse Tara. -Se tivssemos chegado antes no teramos encontrado lugar - acrescentou lhe estendendo o cardpio.
   Jayla assentiu enquanto lia os pratos.
   - O que gosta de comer? - disse Tara sorrindo, enquanto tambm consultava o cardpio.
   Jayla devolveu o sorriso  mulher. Gostava de Tara Westmoreland. Tinham falado vrias vezes por telefone, mas era a primeira vez que se viam. Jayla pensava que era muito bonita e no sentia nada surpresa que tivesse chamado a ateno de Thorn Westmoreland.
   - Umm - Jayla passou a lngua pelos lbios enquanto dava uma ltima olhada ao cardpio. - Tudo parece delicioso, mas acredito que tomarei...
   - Boa tarde senhoritas, o que vo tomar?
   Jayla levantou a cabea e ficou paralisada ao ver Storm de p junto a sua mesa.
   - Storm! - disse sem pensar ao tempo que uma sensao de calor invadia seu estmago,
   Storm lhe dedicou um sorriso travesso lhe recordando momentos ntimos e muito apaixonados.
   - No estou no menu, Jayla, mas se for o que quer, no tenho problema em fazer uma exceo.
   
   Captulo 7
   
   
   - Vejo que j se conhecem - disse Tara com curiosidade. Olhava Jayla e Storm de marco em marco.
   Jayla esclareceu a garganta sem saber o que dizer, mas antes que pudesse pensar em algo Storm rompeu o silncio.
   - O pai de Jayla foi o primeiro chefe que tive. Era como um segundo pai para mim - contou sorrindo. - Assim, sim, conhecemo-nos.
   Jayla engoliu com dificuldade, agradecida pela agilidade mental de Storm que tinha dado a sua cunhada uma explicao bastante aceitvel.
   - Me alegro de verte, Jayla - disse a seguir.
   - Eu tambm - disse esta com um sorriso, sentindo cada palavra embora desejasse que no fosse assim.
   - Por certo, est muito bonita.
    - Obrigada - Jayla ampliou o sorriso. Pensou que ele tambm estava muito bonito com as calas de cor cqui e camisa plo. E cheirava muito bem. Sua colnia sempre alterava seus sentidos. Tudo nele era realmente perturbador, sua fibrosa musculatura, seu incrvel traseiro, suas longas pernas, seu aniquilador sorriso e os olhos escuros como sementes de chocolate, e ela sentia fraqueza por chocolate.
   Jayla percebeu que Tara continuava olhando-os e pensou que no seria m idia pedir.
   - Eu quero o especial do dia e um copo de ch gelado.
   - Muito bem - disse Storm rabiscando na caderneta o pedido de Jayla sem saber o que era o especial do dia. S podia pensar que se encontrara com ela de novo. A seguir se virou para Tara. - E o que voc quer, senhora Westmoreland?
   - Uma explicao de por que est voc atendendo as mesas.
   Storm riu. Estava perdido se deixava que Tara fizesse perguntas. Levava muito tempo com o Thorn.
   - Chase estava com falta de garons assim pensei que poderia lhe dar uma mo.
   Tara assentiu, mas seu olhar deixava ver que no a convencia de todo a histria.
   - Isso foi muito amvel de sua parte, Storm. Eu tambm quero o especial do dia e um copo de limonada.
   - Trarei-lhes as bebidas - disse Storm lhes piscando um olho por trs das notas dos pedidos.
   Jayla o observou enquanto se afastava. Quando voltou sua ateno a Tara soube que a tinha visto olhar Storm.
    - O mundo  um leno - disse tentando explicar a situao.
   -Sim,  - disse Tara sorrindo e estudando-a com ateno. Storm tinha flertado com ela, o que no era nada novo. Ela tinha visto seu cunhado em ao muitas vezes, mas havia algo diferente embora no se atrevia a dizer o que.
   - Estou desejando que chegue o baile - comentou Jayla tirando Tara de seus pensamentos e recordando o motivo do almoo.
   - Eu tambm, e o comit agradece muito que as Indstrias Sala se encarreguem do catering. O dinheiro que arrecadaremos com o calendrio ser suficiente para tornar realidade os sonhos de muitos meninos doentes.
   - No te incomoda que seu marido seja Mister Julho nesse calendrio? - perguntou Jayla sorrindo.
   Tara riu ao lembra como tinha convencido Thorn para que posasse. De fato, conseguiu-o depois de que Thorn lhe fizesse uma proposta que ela no pde recusar.
   - No, no me incomoda. Agrada-me saber que outras mulheres acham meu marido to sexy quanto eu.
   Jayla assentiu. Ela tinha conhecido pessoalmente Thorn Westmoreland e era um homem realmente sexy embora no tanto quanto lhe parecia Storm. No pde evitar levantar a vista buscando-o e o encontrou detrs do balco preparando as bebidas. Como se houvesse se sentido observado, levantou a vista para ela e sorriu. Foi um sorriso que a fez estremecer dos ps a cabea. Parecia dizer: "Lembro tudo o que ocorreu em Nova Orlens". No pde evitar devolver o sorriso porque ela tambm recordava.
   Quando voltou sua ateno a Tara, Jayla se deu conta de que esta tinha notado o silencioso intercmbio de sorrisos entre o Storm e ela.
   - Eu... isto... - comeou a dizer Jayla incmoda que a tivesse pilhado olhando Storm.
   Tara estendeu a mo por cima da mesa e tocou a de Jayla.
   - No tem que me dar explicaes, Jayla. Estou casada com um Westmoreland. Entendo-o.
   Jayla inspirou profundamente perguntando-se como poderia Tara compreender quando nem ela mesma compreendia seus sentimentos para Storm.
   - No  mais que pura qumica - optou por dizer finalmente.
   Tara sorriu recordando sua prpria reao quando viu Thorn Westmoreland pela primeira vez.
   - Ocorre at nas melhores famlias, me acredite.
   Jayla riu sentindo um repentino alvio e pensando que realmente gostava de muito de Tara Westmoreland.
   - Vais ficar aqui o dia todo olhando essa mulher que est com a Tara? - perguntou Chase observando o irmo.
   - Eu gosto de v-la comer. Eu adoro como move a boca - respondeu Storm sorrindo para o irmo.
   Chase olhou Jayla sem encontrar nada fascinante em sua forma de comer embora tivesse que admitir que era uma mulher muito bonita. Voltou sua ateno ao Storm.
   - Quem ?
   - A filha do Adam.
   Chase olhou de novo para a mesa.
   - Est me dizendo que  a filha de Adam Penetre?
   - Sim.
   - V. No a tinha visto desde que estava no colgio. Seu pai a trazia aqui de vez em quando para jantar - disse Chase deixando escapar um assobio de apreciao. - Menino mudou muito. Era uma menina magrela, mas agora  uma mulher muito sexy. Eu diria que est em seu momento justo de maturidade.
   Storm se virou e olhou seu irmo por cima do balco barra, os punhos apertados dentro dos bolsos.
   - Farei como que no escutei esse ltimo comentrio.
   - Bem, homem. No sabia que as coisas estavam assim com ela - disse Chase como desculpa.
   - E como  assim? - quis saber Storm olhando seu irmo fixamente.
    Chase sorriu amplamente. Storm estava acostumado a meter-se com os outros, mas no reconhecia quando algum o fazia com ele.
   -  bvio que te interessa.
   - Claro que me interessa - Storm encolheu os ombros. - Adam era uma pessoa muito querida para mim. Era como um pai para mim. Era...
   - No estamos falando de Adam, Storm, mas sim de sua filha. Admite-o. Est interessado nela como a mulher que  e no porque seja filha do Adam.
   - No vou admitir nada - disse Storm franzindo o cenho.
   - Ento por que est to ciumento neste momento? - perguntou Chase rindo.
   Storm piscou surpreso e olhou seu irmo como se estivesse louco.
   - Ciumento? Essa palavra no est no meu vocabulrio.
   Chase estudou a expresso de seu irmo e soube que j o tinha pressionado o bastante por um dia, mas no pde resistir a um ltimo sarcasmo.
   - Pois deve hav-la includo ultimamente. No s agora est em seu vocabulrio, mas tambm deveria escrev-la com maisculas. E eu que acreditava que andava estranho por causa do trabalho. Tal como eu o vejo, essa mulher atirou o anzol e est puxando a linha. 
   Storm inspirou profundamente, aprumou os ombros e olhou seu irmo com olhos frios como o gelo.
   - Lamentar ter dito isso.
   - E eu digo que voc lamentar no ter se dado conta sozinho.
   
   Jayla tirou os sapatos quando entrou em casa e fechou a porta. Inspirou com fora. O almoo com Tara Westmoreland tinha ido muito bem e tinham fechado os detalhes do baile beneficente, mas conseguia pensar em Storm. Mais de uma vez seus olhares se cruzaram e, invariavelmente, ela havia sentido uma corrente de fogo por dentro. Storm tinha conseguido excit-la apesar da distncia entre eles fazendo fraquejar vrias vezes sua concentrao na conversao com Tara. E quando lhe serviu o prato, olhou suas mos recordando quo hbeis eram seus dedos e como a tinham acariciado com singular percia. S tinha conseguido se concentrar quando Storm saiu do restaurante pouco depois de servir a comida.
   A caminho do escritrio, teve que lembrar-se vrias vezes que no havia nada entre eles e que uma relao com ele no tinha sentido. Interessavam-lhes coisas diferentes na vida. Considerar uma relao estvel entre os dois complicaria muito as coisas. O que tinham compartilhado em Nova Orlens, um sexo fantstico, terminara.
   Deixou a bolsa em cima da mesa que separava a cozinha da sala e ficou a separando as cartas. Sorriu ao ver que havia uma carta da clnica de fertilidade. Abriu-a e leu por cima o contedo. Informavam-na da entrevista para a verificao mdica que tinha previsto para a semana seguinte e lhe davam informao sobre o procedimento de inseminao. Guardou a carta em uma gaveta sentindo-se realmente feliz. Ansiava que chegasse o dia em que o mdico lhe dissesse que estava grvida. Embora Lisa no estivesse de acordo com ela, ao menos havia dito que a apoiaria. E tinha concordado em ser a madrinha de seu filho.
   Em seu corao, Jayla acreditava que as coisas sairiam bem. Tinha uma boa amiga que estaria com ela todo o tempo, e tinha um bom trabalho. Como havia dito a Lisa, se a inseminao no sasse bem da primeira vez, tentaria at ficar grvida. Decidiu tomar um banho e relaxar um pouco antes de jantar. Depois, acomodou-se no sof e apoiou os ps na mesa de centro disposta a desfrutar da leitura. Tentou no pensar na sensao de solido que a invadiu de repente. Lisa sara com o noivo Andrew nessa noite e no podia cham-la para comversar.
   Tentou no lembrar que h essa hora na semana anterior estava em Nova Orlens com Storm. Tinham compartilhado momentos fantsticos na cama, mas isso no tinha sido tudo. Descobrira o lado divertido de Storm. Antes de Nova Orlens sempre tinha pensado que era um homem muito srio. No pde evitar compar-lo com o ltimo homem com o que tinha sado Erik Turner. Fora um tipo muito aborrecido e, alm disso, tinha tentado lev-la para cama no primeiro encontro. Jayla se levantou e dirigiu-se ao quarto com o cenho franzido recordando o quanto se zangara naquela noite. Zangava-lhe ter tido grandes expectativas nos homens, por querer que a tratassem como a uma dama, com respeito, sem assumir que fossem conseguir algo, especialmente no primeiro encontro. Daquele fracasso, a gota que encheu o copo na realidade, ficou claro que no passaria por cima desses detalhes simplesmente por querer ter um relacionamento.
   Por isso tambm tinha demorado tanto tempo em decidir perder a virgindade. Tinha ouvido muitas mulheres dizerem que se um homem se deitava contigo era porque te amava e nada estava mais distante. Ela certamente no tinha assumido tal coisa quando se deitou com Storm. No esperavam nada um do outro. Comunicaram-se bem dentro e fora da cama. Suspirou enquanto se despia para meter-se no banho, mas por muito que tentasse no pensar, no podia deixar de rememorar a forma que Storm a tinha olhado no restaurante nessa mesma tarde.
   
   Storm inspirou profundamente e levantou a mo para bater na porta, mas voltou a baix-la enquanto se perguntava por ensima vez o que estava fazendo na porta da casa de Jayla. A resposta sempre era a mesma. Continuava desejando-a.
   T-la visto no restaurante tinha feito mais mal que bem e o que Chase havia dito no melhorava as coisas. O comentrio de que o tinha pescado era ridculo. Storm queria pensar que um homem no podia seguir to tranqilo depois de ter tido uma relao sexual como a que ele tinha tido com Jayla. S por essa noite, romperia a regra de no voltar a ver uma mulher quando sua aventura tinha terminado, mas tinha que assegurar-se de que quo nico o estava fazendo voltar para ela era o fabuloso sexo. Podia assumir uma forte atrao fsica, mas no poderia dizer o mesmo de uma atrao emocional. Inspirando de novo, levantou a mo e chamou. Esperava que aquilo no fosse um tremendo engano. J ia chamar pela segunda vez quando escutou a voz do outro lado.
   - Quem ?
   - Sou eu, Jayla. Storm.
   Enquanto esperava que a porta se abrisse, a expectativa crescia em seu interior. Quando por fim abriu, a viso o fez cambalear como se o tivesse golpeado um furaco. Tinha o cabelo solto sobre os ombros e o curto penhoar no cobria todas as partes de seu corpo que ainda estavam midas. Desejou fervorosamente abrir o penhoar e ver se usava algo debaixo.
   - O que faz aqui, Storm?
   Seu tom de voz de baixa intensidade, mas grande sensualidade nada fez a no ser aumentar o desejo que sentia por ela. Se continuava olhando-a, fariam amor ali mesmo.
   - Storm?
   Jayla no acreditaria se dissesse que passava por ali j que ela vivia na zona norte da cidade e ele no outro extremo. Acreditou que o melhor seria ser sincero.
   - Depois de ver-te hoje me dei conta de algo - murmurou apoiado no batente da porta.
   - O que?
   - Que Nova Orlens no foi suficiente. Continuo te desejando.
   Ouviu-a inspirar profundamente e o som lhe recordou o tom de sua voz momentos antes de alcanar o orgasmo. E no era s sua memria o recordava. Seu corpo tambm o fazia. Queria aproximar-se dela e lhe demonstrar quo excitado estava.
   - Posso entrar? - decidiu-se a perguntar ao ver que ela no dizia nada.
   - Storm...
   -Sei que no deveria ter vindo e estou to confuso quanto voc - se apressou a dizer. - Mas ver-te hoje me afetou, Jayla, de uma maneira desconhecida. Era como se meu corpo suportasse um peso muito grande e s voc pudesse descarreg-lo. Desde que voltei de Nova Orlens no deixei que pensar no sexo que compartilhamos e esta noite no podia suportar mais.
   Suspirou profundamente. J o havia dito embora fosse difcil admiti-lo. Era realmente pattico, mas no podia fazer nada. Sentia Jayla Penetrar sob sua pele ao menos temporalmente. Uma noite mais com ela deveria acabar com aquela loucura. Observou-a enquanto tentava tomar uma deciso, mas a pacincia nunca tinha sido seu forte.
   - Ento vai me deixar entrar?
   O silncio encheu o ar. Momentos depois, Jayla suspirou profundamente. Sua cabea se debatia entre o que deveria fazer e o que queria fazer. Decidiu que o fariam uma vez mais. No havia nada mau em ceder  tentao uma vez mais. Sabia que assim que lhe deixasse entrar, seria o final ou o princpio. Seu corpo comeou a tremer e todo o controle sobre si mesmo diminuiu. Aquela noite o necessitava tanto como ele parecia necessit-la. Era uma loucura.
   - Sim - disse por fim, retrocedendo um passo. - Entra. - Storm entrou e fechou a porta com a chave. O som resultou muito alto no meio do incmodo silncio que tinha cado sobre eles.
   - Tem sede? - perguntou ela.
   - Muita.
   Jayla se dirigiu  cozinha e se surpreendeu quando Storm a alcanou e a abraou.
   - Tenho sede de ti.
   Quando seus lbios se abriram pela surpresa, Storm introduziu a lngua como se precisasse beber dela tanto quanto respirar. Seus lbios estavam ardendo e a lngua lhe estava comeando a fazer amor com uma paixo que a deixou sobressaltada. Incapaz de fazer nada, rodeou-lhe o pescoo com as mos deixando-se arrasar pelo ardor dele, rompendo toda resistncia.
   Jayla separou de sua mente todo o bom julgamento e as dvidas que pudessem ficar. Depois se ocuparia disso. Nesse momento, o mais importante era estar entre os braos de Storm. Tudo nele - seu aroma, sua fora, sua virilidade - transpassou sua pele e at sua corrente sangnea. Quando as bocas se separaram, deixou escapar um comprido suspiro. Olhou-o e foi como se a ansiedade reinante fizesse ranger o ar. Storm riscou com o dedo um caminho do centro de seu pescoo e descendeu lentamente abrindo o penhoar para revelar o que havia debaixo. Nada.
   Jayla escutou que Storm prendia a respirao e a seguir empurrava o penhoar para que casse por seus ombros.
   - Faz uns momentos tinha sede de seus lbios, mas agora morro por isso - disse ao tempo em que a acariciava entre as pernas. - Quando te levar  cama, tenho inteno de fazer amor toda a noite.
    - E eu espero que cumpra sua promessa, Storm Westmoreland -disse ela contendo a respirao.
   
   
   Captulo 8
   
   
   - Por onde fica sua cama?
   - Todo reto e logo  direita.
    Storm no perdeu tempo em lev-la e a colocou no centro da cama, nua. Retrocedeu um passo para olh-la. Permaneceu imvel durante uns segundos, afligido por sua beleza. Ansiava fazer amor e fundir seu corpo com o dela. Am-la.
   Sentiu como se no ficasse ar nos pulmes e teve que usar toda sua fora para no cair de bruos. A idia de querer am-la no tinha sentido. Ele s embarcava em relaes superficiais e curtas. No queria amarras. E de repente sentiu um peso no peito ao mesmo tempo em que uma fora estranha acelerava o ritmo de seu corao. Algo estranho estava lhe ocorrendo. Depois o pensou melhor. Talvez no fosse nada estranho e s estivesse imaginando. Seguro que veria as coisas mais claras quando retornasse a casa mais tarde e no trabalho no dia seguinte. Ver-se rodeado pelos meninos do parque faria que voltasse tudo para a normalidade.
   - Vais ficar a toda a noite, Storm?
   Storm piscou surpreso tentando esclarecer a mente e no mesmo instante ficou enfeitiado pelo brilho brincalho dos olhos de Jayla. Engoliu com dificuldade tentando recuperar o controle da situao, mas quo nico conseguiu foi uma tremenda excitao.
   - No se posso evit-lo - disse ele sentindo a repentina necessidade de estar com ela, de toc-la, de sabore-la, de fundir-se com seu corpo.
   Nesse momento tirou a camiseta e comeou a desabotoar o cinturo e os jeans, no sem antes tirar uma camisinha do pacote que levava no bolso traseiro. Depois de coloc-la olhou-a com um grande sorriso.
   -E agora a cumprir minha promessa.
   S olh-lo bastava para que seu corao bombeasse o sangue o dobro de velocidade. O pulso acelerou quando Storm deslizou junto a ela na cama. Movia-se com a graa de um leopardo,  espreita como um tigre, e mostrando o desejo por ela. Tinha um corpo perfeito. No pde evitar levantar os braos para acarici-lo. Tremiam-lhe os dedos enquanto acariciava os cachos de seu peito e sorriu quando ouviu o ritmo acelerado de sua respirao. Ela tambm tinha a respirao agitada especialmente quando notou o membro ereto de Storm pressionando sobre sua coxa. Olhou ento seus mamilos duros e sentiu a necessidade de sabore-los. A tinha chupado muitas vezes, mas ela nunca o tinha feito. Inclinando-se, introduziu o boto rosado em sua boca e comeou a jogar com ele, mas no era suficiente. Estendeu a mo e tomou o membro ereto e quente entre seus dedos e comeou a acarici-lo. Era a primeira vez que tentava agradar a um homem e, a julgar pelos sons que escapavam da garganta de Storm, no o estava fazendo to mal. Quando ouviu que pronunciava seu nome entre gemidos levantou a cabea sem deixar de acarici-lo.
   - Umm? - perguntou enquanto mordia o pescoo deixando sua marca nele.
   - No posso mais, Jayla - grunhiu Storm sentindo que estava a ponto de alcanar o clmax. Com um rpido movimento a deitou de costas ignorando o grito de surpresa. Mas Jayla no resistiu, e sim aproximou seu corpo ao dele, elevando os quadris e lhe rodeando o pescoo com os braos enquanto ele acomodava seu corpo ao dela.
   - Tenho que te penetrar - disse completamente enfraquecido sustentando-a pela cintura, sujeitando-lhe o corpo com suas potentes coxas. Tomando os braos que rodeavam seu pescoo os sustentou pelos pulsos acima da cabea. Depois a olhou nos olhos no momento que penetrava em seu corpo quente.
   Storm deixou escapar um grito afogado. O prazer de estar dentro dela era quase insuportvel. Jogou a cabea para trs e rugiu como um animal deixando claro que sua necessidade dela era selvagem. E comeou a mover-se, dentro, fora, esticando os msculos, adaptando a plvis e os quadris.
   A cama comeou a tremer e at os cristais da janela pareciam estremecer como se uma grande tormenta a estivesse aoitando, mas a nica tormenta estava tendo lugar entre os lenis. Storm no se arredou quando Jayla lhe cravou as unhas na carne, mas sim gemeu quando sentiu debaixo ele o estremecimento dos msculos dela, aprisionando seu membro. Jayla estava aprendendo muito rpido como lev-lo at o topo de seu prprio prazer.
   - Storm!
   E enquanto ela gritava e estremecia de prazer infinito ele continuou movendo-se dentro e fora dela, fazendo-a sua. Dele.
   A idia o fez alcanar a pice. Investiu com fora, enterrando seu corpo dentro dela enquanto conseguia o orgasmo no uma, nem duas, nem sequer trs vezes. As contnuas sensaes que o embargavam eram muito para ele.
   - Jayla!
   E ali estava ela, elevando de novo os quadris para ele, abrindo-se a ele, movendo-se ao mesmo ritmo que ele, ascendendo juntos em uma corrente de prazer inexplicvel.  
   As primeiras luzes da alvorada comearam a filtrar pelas janelas fazendo jogos de sombras sobre os dois corpos nus. Jayla despertou lentamente e aspirou profundamente o aroma de Storm e os restos do sexo que flutuavam no ar. Fechou os olhos ao sentir que o pnico se apoderava dela. O que tinha feito? Bastou um olhar ao homem que dormia, com um sorriso nos lbios, para saber o que tinha feito. Embora a pergunta que realmente tinha que responder era por que. A reputao que precedia Storm era clara: nunca procurava  mesma mulher duas vezes. Quando uma relao terminava, era para sempre. Se a sua terminara, por que havia voltado? O que havia nela que sempre o fazia voltar para mais?
   Jayla franziu o cenho. Embora a maioria das mulheres teriam ficado encantadas, para ela era uma distrao em seus planos e no podia permitir. Se inteirasse de seus planos com a clnica de fertilidade, provavelmente tentaria faz-la desistir, igual  Lisa. Mas a diferena desta, no compreenderia sua determinao, nem a apoiaria embora no estivesse de acordo.
   Olhou-o perguntando-se por que importava tanto contar com seu apoio. Jayla estava bastante segura de que Storm no estaria de acordo com a idia de que se deixasse inseminar artificialmente. Igual ao seu pai, Storm era muito tradicional. Embora ela tivesse que admitir que, ao menos na cama, suas maneiras tradicionais e cavalheirescas pareciam encantadoras. Ser um cavalheiro na cama no queria dizer que no se empenhasse no mais ardente sexo imaginvel, mas sim que nunca a faria fazer coisas que a fizessem sentir incmoda e,  obvio, nunca daria nada por certo. A razo de que continuasse na sua cama de madrugada era que lhe tinha perguntado se lhe importava que ficasse dormindo ali. Quo nico sim lhe importava eram as idias que tinha Storm sobre a incompatibilidade da carreira profissional e maternidade. Era algo muito conservador para o mundo atual.
   Levantou sem fazer rudo e o deixou descansar. O merecia. Aquele homem parecia inesgotvel. No tinha terminado um orgasmo quando j ia por outro e sempre conseguia lev-la com ele. Era como se seus orgasmos - tinha vrios - provocassem os dela. Tinha lido sobre os orgasmos mltiplos e sempre tinham parecido impossvel. Agora sabia que era possvel. Sorriu ao pensar em quanto a estava estragando. No saberia como reagir se outro homem lhe fizesse amor.
   Seu sorriso se apagou lentamente ante a idia de desfrutar de sexo com outro. Por muitos anos que passassem, sempre compararia a todos com Storm. Sacudiu a cabea enquanto se dirigia  ducha. Estava-se afeioando cada vez mais.
   
   Storm despertou lentamente com o rudo da gua correndo e o aroma de jasmim. Sorriu e fechou os olhos deixando que sua mente se enchesse de imagens do que tinha ocorrido entre Jayla e ele na noite passada. Voltou a abrir os olhos ao dar-se conta de que continuava to confuso quanto na noite anterior. No sabia muito bem por que estava na cama de Jayla em vez de estar na sua. E ento lembrou. Tinha querido estar com ela. Tinha estado disposto a dizer algo, inclusive suplicar, para compartilhar sua cama.
    Olhou o relgio que havia sobre a mesinha. Era cedo, mas era hora de ir. Esperava-lhe um turno de vinte e quatro horas no corpo de bombeiros. Desfrutava muito com seu novo posto como chefe de bombeiros. Tinha significado muitas noites de estudo para passar nos exames de promoo interna. Tinha tido que renunciar a muitas coisas por isso, inclusive de mulheres e nem sequer ento tinha parecido to duro. No recordava ter sentido falta da nenhuma durante essa poca. Fechou de novo os olhos. No parecia disposto a mover-se ainda; nem sequer sabia se queria faz-lo. Mas a idia de Jayla nua sob a ducha o excitou.
   Suspirou profundamente e, de repente, os rasgos da anci que lhe tinha lido a mo em Nova Orlens apareceram na sua mente, lhe falando igual a ento: "Sua vida vai dar um giro inesperado e embora o que mais deseje  tranqilidade, vejo que se aproximam turbulncias. Mantm os olhos abertos, seja paciente e deixa que o destino siga seu curso".
   Abriu os olhos e se sentou na cama. Podia escutar a voz da anci. Sacudiu a cabea pensando que estava ficando louco de verdade. Virou-se ao ouvir que a porta se abria e viu Jayla que saa do banho envolta em uma toalha. O suave sorriso que adornava seu rosto fez com que se excitasse ainda mais. E por muito que pensasse que se tornou louco, no se lamentava de ter ido v-la.
   - Deveria ter me acordado. Teria me metido contigo na ducha - disse ele levantando-se e cruzando o quarto para ela.
   Storm observou como os olhos da Jayla percorriam seu corpo nu do peito, passando pelo abdmen e parando justo abaixo. Notou que a ereo aumentava e viu o olhar de desejo nos olhos dela e suas faces ruborizadas.
    - Voc gosta de estar nu, n? - disse ela levantando a vista para seus olhos.
   -Sim e tambm gosto que voc esteja nua - disse ele com um sorriso.
   - Acho que precisamos conversar - disse ela sacudindo a cabea e rindo.
   - Preferiria que fizssemos outra coisa - respondeu sorrindo mais abertamente.
   - Por desgraa temos que ir trabalhar esta manh - ela esclareceu a garganta.
   - Tinha que me lembrar disso? - disse ele tomando-a nos braos. - Janta comigo manh de noite no Anthony'S.
   - Jantar? - perguntou separando-se dele. Storm no retrocedeu. Baixou a cabea e lhe lambeu o lbulo da orelha. No lhe tinha passado desapercebido o tom de surpresa na voz de Jayla. Ele tambm estava surpreso de hav-lo dito.
   - Sim, jantar. Para falar - disse consciente do que Jayla queria falar. Queria saber por que no estava cumprindo o acordo que tinham feito em Nova Orlens. S esperava que quando  visse no dia seguinte tivesse as coisas mais claras.
   - Storm no acredito que...
   Storm lhe levantou o queixo com a ponta do dedo para que o olhasse aos olhos.
   - Como disse, temos que falar, Jayla, e no podemos faz-lo aqui nem na minha casa.
   Jayla assentiu. Tinha que ser em um lugar onde no houvesse camas ao redor.
   - De acordo.
   Ento Storm baixou a cabea e a beijou. Seu sabor era como uma droga a que se tornou viciado. Era tambm um problema para o que tinha que procurar uma soluo, mas no momento...
    
   Era quase hora de comer e Jayla continuava pensando na noite que tinha passado com Storm. Olhou ao seu redor para assegurar-se de que ningum se deu conta do rubor que cobria suas bochechas. Estava em uma sala com o vice-presidente de Indstrias Salas assim como os diretores de vendas e publicidade. Era o momento do ano em que se reuniam para preparar o relatrio anual que a empresa distribua entre os grupos de investimento e possveis clientes dando prestando dos resultados das atividades e os xitos da empresa durante o ano passado. Um dos lucros de Salas no ano anterior tinha sido sua relao com atos beneficentes. O projeto com Mundo Infantil era um exemplo.
   Jayla estava trabalhando na empresa desde que terminou a faculdade e seu trabalho nela tinha sido o mais importante para ela alm da relao com seu pai. Depois da morte deste, o trabalho se converteu em sua prioridade o que em determinado momento a tinha levado a tomar a deciso de ter um filho. Precisava ter uma vida fora do trabalho e algum com quem compartilhar seu tempo. Sorriu ao pensar que s ficavam oito dias para submeter-se ao exame mdico, o primeiro passo para cumprir seu sonho.
   Observou a mesa de conferncias e viu Lisa que a olhava surpresa. Levantou uma sobrancelha e Lisa lhe respondeu com o mesmo gesto. Jayla no pde evitar sorrir. Era evidente que Lisa tinha notado que se ruborizou antes.
   Quando a reunio terminou, Lisa a segurou antes de sair da sala.
   - Temos que conversar.
   - Sobre o que? -perguntou Jayla fazendo-se de tola.
   - Do fato de que te tenha passado metade da reunio pensando na morte da bezerra. Menos mal que o senhor McCray no se deu conta.
   Jayla ficou sria rapidamente. Uma coisa era ter pensamentos erticos, outra muito diferente era os ter diante de seus colegas.
   - Sinto muito.
   - No te desculpe. No me pensaria duas vezes em trocar de lugar. Estivesse com Storm Westmoreland, certo?
   - O que te faz pensar isso? - perguntou Jayla com curiosidade.
   - Ou o viu ou estiva lembrando momentos muito trridos. Mas eu diria que esses momentos tiveram lugar faz menos de vinte e quatro horas.
   Jayla suspirou enquanto fechava a porta para falar com Lisa totalmente em particular. Apoiou-se na mesa e Lisa fez o mesmo.
   - Storm apareceu na minha casa ontem  noite.
   -  um comeo. Tinha ouvido que quando as relaes terminavam, Storm Westmoreland nunca olhava para trs. As incurses em busca ao passado no so seu estilo.
   Jayla franziu o cenho e Lisa levantou uma mo a modo de desculpa.
   - Sinto muito. S era uma observao.
   Jayla exalou profundamente. Aquela era uma observao que no necessitava.
   - Quer que nos entremos amanh de noite para jantar. No Anthony'S.
   - Um lugar muito elegante - disse Lisa sorrindo. - Qual  o problema?
   Jayla devolveu o sorriso. Lisa era muito boa algumas vezes.
   - O problema  o que disse antes. Storm no  um homem que volte s mulheres do seu passado. Eu sabia quando estvamos em Nova Orlens e ele tambm sabia. Ficou claro que quando retornssemos a Atlanta no haveria razo para ir em busca um do outro.
   - E parece que ele est fazendo-o contigo? - disse Lisa.
   - Sim, e no posso permitir que continue. - Lisa se levantou e a olhou mais de perto.
   - E posso perguntar por qu?
   Jayla passou a mo pelo cabelo e suspirou com um gesto frustrado.
   - Porque no  o momento adequado. Minha vida vai sofrer mudanas importantes, Lisa, pelo amor de Deus. Tenho marcada a consulta para fazer o reconhecimento mdico dentro de oito dias e depois comear o processo de inseminao. Quo ltimo preciso  que Storm resolva que sou uma novidade para ele.
   - Escuta, Jayla, no te subestime. Pode que haja outra razo para que Storm Westmoreland ache que  interessante. Pode que goste de verdade. Pode que o tenha deixado enfeitiado.
   O comentrio de Lisa fez que Jayla engolisse em seco. Pensou na possibilidade durante dois segundos, mas ao cabo sacudiu a cabea.
   - Impossvel. At no improvvel caso de que isso fosse certo, Storm e eu no poderamos nunca nos envolver a srio.
   - Por qu? - perguntou a amiga levantando uma sobrancelha.
   - Parece-se muito com meu pai - disse Jayla franzindo o cenho. - Teria-me muito controlada. De fato acredita que uma mulher deveria ficar em casa quando tiver filhos. Suponho que sua mulher ideal  uma para manter e deixar grvida.
   - Pois no me importaria que me mantivesse e me deixasse grvida - disse Lisa sorrindo.
   - Pois a mim sim. J planejei o que quero fazer com minha vida, obrigado. Vou ter um filho sem as complicaes de um homem. Quo ltimo preciso  ter a algum que me diga o que tenho que fazer e estou segura de que Storm o faria.
   - Sim, mas  to sexy - disse Lisa aumentando o sorriso.
   - Mas eu no posso ver o sexy que  se quer me controlar todo o tempo - disse Jayla olhando o teto.
   - Est claro que ontem  noite no teve problemas a julgar pela forma em que te ruborizava faz um momento. Mas se for assim como se sente, deveria dizer-lhe No teria que te resultar muito difcil dizer-lhe se no esta interessada em continuar com ele.
   Jayla assentiu. Sim, o diria no dia seguinte no jantar.
   
   Storm entrou na floricultura do Coleman e olhou  mulher que havia atrs do mostrador. Luanne Coleman era considerada uma das mulheres mais fofoqueiros do bairro mas adorava fazer negcios com ela. Alm disso, nenhuma das mulheres s que tinha enviado flores vivia no College Park, a zona de Atlanta em que ele e a maioria de sua famlia viviam e onde o xerife era seu irmo Der.
   - Bom dia, Luanne.
   A mulher levantou a vista do pequeno televisor e o olhou. Estava vendo alguma telenovela.
   - Ol, Storm. O de sempre?
   Sorriu. Normalmente, Luanne enviava um ramo primaveril de flores variadas.
   - No, quero algo um pouco diferente desta vez.
   Sabia que isso chamaria a ateno da mulher. Luanne Coleman o olhou comprida e longamente. Finalmente, levantou uma sobrancelha com gesto de curiosidade.
   - Algo diferente?
   - Sim.
   - Est bem. E o que pensaste?
   - Que flores duram mais?
   - Tenho diversas plantas que ficam muito bem para dar de presente.
   Storm assentiu. No recordava ter visto nenhuma planta na casa de Jayla e pensou que seria perfeito, especialmente seu dormitrio para que pudesse v-la e recordar.
   - Bem. Quero que escolha a maior e mais bonita que tenha e esta  a direo a que quero que a envie - disse ele lhe entregando uma parte de papel.
   A mulher olhou o papel e logo sorriu.
   - Quanto quer gastar?
   - No me importa o dinheiro - disse ele com um grande sorriso. - Coloca na minha conta e te assegure de que a entregue esta tarde.
   A mulher assentiu e sorriu.
   - Deve ser uma mulher muito especial.
   Storm suspirou. Sim. Luanne acabava de pr voz ao que ele tinha estado pensando todo o dia assim no pde fazer mais que sorrir e assentir.
   - .
   
   Jayla piscou surpreendida ante o homem que segurava diante dela uma enorme planta, quase to grande como ela.
   - Seguro que no se equivocou de direo?
   - Seguro - disse o homem olhando-a da frondosidade da planta. -  para voc.
   Jayla assentiu enquanto retrocedia para deixar passar o homem perguntando-se quem lhe enviaria aquela palmeira. Quando o homem a deixou no cho, virou-se disposto a partir.
   - Espere, vou lhe dar...
   - No se preocupe com a gorjeta. J se ocuparam que isso - disse o homem e partiu.
   Jayla se apressou a abrir o carto que acompanhava  planta.
   Para que me recorde sempre que a olhe. Storm
   Jayla sentiu que o corao lhe dava um tombo. Piscou rapidamente e se deixou cair no sof. Storm lhe tinha enviado uma formosa planta, grande, lustrosa e pela primeira vez em muito tempo, no soube o que dizer.
   
   
    Capitulo 9
   
   - Obrigado pela planta, Storm.  muito bonita...
   - De nada. Alegro-me de que te tenha gostado.
   - E obrigado por me trazer aqui esta noite.  um lugar precioso.
   - De nada outra vez.
   Jayla olhou a seu redor. Anthony's era um conhecido restaurante famoso por seu esplndido servio e a deliciosa comida. Estar ali recordava a Nova Orlens e se perguntou se seria essa a razo pela que Storm o tinha escolhido. Olhou Storm e seus olhares se cruzaram. Tinha estado olhando para ela, algo que fazia com toda calma. Tinha ido busc-la as sete e como ela j estava pronta o tinha convidado a entrar enquanto ia procurar a bolsa e um xale. Ou isso era o que ela tinha pretendido. Mas Storm a tinha tomado nos braos assim que entrou, e lhe tinha dado um beijo de saudao. Por muito que ela desejasse o contrrio, era evidente que havia algo entre eles, algo que no terminou ao voltar de Nova Orlens.
   Olhou-o com interesse e, embora soubesse que tinha que contar o motivo pelo que estava ali, no estava preparada para faz-lo. Tudo estava sendo muito perfeito para falar de coisas desagradveis.
   - Que tal vai o trabalho? - perguntou ento tomando um sorvo de vinho.
   Em Nova Orlens lhe havia dito que tinha subido a chefe de bombeiros, mas no tinha entrado em detalhes. Como seu pai tinha sido chefe de bombeiros muito tempo, sabia os postos pelos que tinham que passar. Tambm sabia que os bombeiros agora tinham que receber uma maior formao sobre estruturas mais elaboradas e para utilizar equipamentos cada vez mais sofisticadas que se usavam nos muito diversos tipos de incndios. A seus olhos, todos os bombeiros eram heris, mas sabia que um chefe tinha que demonstrar, alm disso, dotes de lder. Tinha que saber estabelecer e manter uma disciplina e eficcia, assim como dirigir as atividades dos bombeiros a seu cargo.
   - Bem. Que tal em Indstrias Salas? - perguntou ele tirando-a de seus pensamentos.
   - Genial. Alm de trabalhar com a Tara para o baile beneficente por Mundo Infantil, estou trabalhando em um projeto com uma agncia que se ocupa do meio ambiente.
   - E como vai esse outro projeto teu que te emocionava tanto?
   Jayla engoliu com dificuldade. Sabia a que se referia. Mordeu o lbio inferior, vrias vezes antes de responder.
   - Ainda no comeou.
   Decidiu que era o momento de discutir o motivo pelo que estavam ali. J tinha evitado o tema bastante tempo. Olhou Storm e uma corrente de desejo se apoderou dela ao ver o desejo neles. Menos mal que estavam em um lugar pblico. Sentiu que um calor a invadia, que todo seu corpo ardia. Tratou de ignorar a tortura que estava sofrendo e o olhou at que finalmente foi capaz de falar com um fio de voz.
   - Disse-me que me daria uma explicao esta noite, Storm.
   Storm seguia lhe sustentando o olhar. O nico problema era que seguia sem uma resposta. Do nico que estava seguro era de que queria continuar encontrando Jayla. Desfrutava com sua companhia, saindo a fazer coisas juntos, rindo juntos, como tinham feito em Nova Orlens. Por alguma razo, combinava com ela e no podia evit-lo.
   - Storm?
   Piscou rapidamente e se deu conta de que, enquanto tinha estado pensando, ficou olhando-a como um louco.
   - Jayla, h alguma possibilidade de que saiamos juntos?
   A julgar pelo olhar de Jayla a pergunta a tinha pego de surpresa.
   - Por qu? - perguntou olhando-o como se a pergunta carecesse de toda lgica.
   - Eu gosto.
   Jayla piscou surpreendida e lhe dedicou um sorriso que o tomou despreparado.
   - Storm, voc gosta de todas as mulheres. Sua reputao o diz tudo.
   Storm no queria ouvi-la dizer essas coisas. No estavam falando das outras mulheres. Estavam falando dela. Para ele, ela pertencia a uma categoria diferente do resto das mulheres com as quais tinha sado. Para ele, nenhuma podia comparar-se. Viu como se inclinava por cima da mesa e o olhava com curiosidade.
   -  por causa da minha virgindade, verdade?
   Storm ficou sem palavras. Piscou surpreso sem compreender o que acabava de lhe perguntar. Demorou uns segundos em faz-lo e, ento, franziu o cenho.
   - O que te faz pensar algo assim?
   Jayla se reclinou sobre sua cadeira e encolheu os ombros.
   - O que mais poderia ser? Fui a primeira virgem com quem se deitou. Voc mesmo o disse. Sou uma novidade para ti - e tomando a taa de vinho deu um pequeno sorvo e sorriu. - Acredite, superar.
   - Diga uma coisa - disse Storm franzindo ainda mais o cenho. - Quando pensaste isso?
   -O que? O da novidade ou o de que o superar? - perguntou com um grande sorriso.
   - O de que  uma novidade para mim.
   Umedeceu os lbios e Storm sentiu que ficava sem respirao.
   - Na noite em que te apresentou na minha casa. Que fosse me buscar era algo muito incomum em ti e pensei que tinha que haver um motivo j que basicamente qualquer mulher pode agradar a um homem na cama. Ento me dei conta de por que era diferente.
   Storm inspirou profundamente. Alegrava-se de estar sentado no fundo do salo em uma zona em que estavam virtualmente a ss. No gostaria que ningum pudesse escutar sua conversao.
   Sacudiu a cabea lentamente. Tudo o que havia dito Jayla lhe parecia lgico, exceto por uma coisa: era uma lstima que estivesse to longe de ser certo.
   - Para comear, e contra o que possa pensar, Jayla, qualquer mulher no pode agradar a um homem na cama. Quando fazem amor, a maioria dos homens e as mulheres experimentam diversos graus de prazer. Em uma escala de um a cinco, a maioria dos homens experimentam um trs. Em algumas situaes, podem chegar ao quatro, e s se forem muito afortunados ao cinco.
   - E como diria que foi sua pontuao comigo? - perguntou Jayla levantando uma sobrancelha.
   Storm sorriu amplamente. Sabia que sua curiosidade natural a faria perguntar. De fato, esperava que o fizesse.
   - Um dez.
   - Um dez? - repetiu sorrindo.
   - OH, sim. Um dez - concordou rindo.
   - Mas como  isso possvel se a pontuao s chega a cinco?
   Storm estendeu a mo por cima da mesa e tomou a dela.
    - Porque voc, Jayla Penetre, est fora de toda tabela de pontuao - disse ele observando como seu sorriso se ampliava, deliciada. - E no tem nada que ver com que fosse virgem a no ser com o fato de que  uma mulher muito apaixonada - Storm inclinou e beijou o lbio inferior. - Tambm tem muito que ver com que os dois estejam bem juntos. Conectamos. Quando fazemos amor, sinto uma conexo contigo que nunca tinha sentido com nenhuma outra mulher - acrescentou mas, no disse que quando faziam amor sentia que pareciam um ao outro.
   - Isso  muito profundo, Storm - disse ela olhando-o seriamente.
   - Sim, muito profundo - disse ele deixando escapar um suspiro-, e  a razo pela que digo que eu gostaria que segussemos nos vendo.
   Jayla inspirou. Tambm gostaria, mas sabia que no era o mais adequado. Em menos de um ms a inseminariam e ficaria grvida. Quo ltimo queria era comear a sair com algum, especialmente Storm, por muito tentadora que fosse a idia.
   - Jayla?
   - No acredito que seja uma boa idia, Storm. Esse novo projeto no que me vou embarcar me ocupar muito tempo e no poderia comear uma relao.
   Ele pensou em suas palavras. Sentia muita curiosidade pelo projeto. Tinha-lhe perguntado por isso em Nova Orlens, mas ela desconversou. O nico que lhe ocorria pensar era que tivesse algo que ver com seu trabalho. Um projeto confidencial.
   - E eu no poderia te ajudar?
    - No.
   A resposta foi rpida, definitiva.
    - Quando comear?
   Jayla encolheu os ombros. Faria o reconhecimento mdico na prxima sexta-feira e provavelmente comeariam com o processo em trs semanas.
   - Aproximadamente dentro de um ms.
   - H algum motivo para que no sigamos nos vendo at ento? - perguntou ele olhando-a nos olhos. Lentamente, levou a mo de Jayla aos lbios e a beijou.
   Jayla engoliu com dificuldade e soube o que deveria dizer. Deveria dizer que sim, que havia muitos motivos pelos que no podiam continuar vendo-se, mas por alguma razo no foi capaz de dizer nada. O que Storm havia dito antes estava certo. Estavam bem juntos, conectavam e, no mais profundo dela, sabia que queria passar esse tempo com ele. Depois, ao menos teria a lembrana.
   - No, no h nenhum motivo - disse finalmente. - Mas ter que me prometer algo, Storm.
   Storm lhe beijou a mo outra vez antes de perguntar.
   - O que?
   - Quando eu diga que terminou, ser assim. No vir para ver-me nem me chamar.
   - No posso me comprometer a isso, Jayla. Prometi a seu pai que passaria a verte de vez em quando. E...
   - No estou falando disso, Storm. Refiro-me a que venha para ver-me com a inteno de voltar comigo. Tem que me prometer que quando te disser que se terminou, terminou. Sem perguntas.
    Storm a olhou profunda e longamente enquanto uma multido de sentimentos giravam na sua cabea. No compreendia o que estava passando, mas sabia que as coisas nunca terminariam entre eles, com ou sem aquele projeto. Se ocuparia disso.
   -Est bem - disse finalmente- Farei o que voc me diz.
   
   -Est no jogo ou no, Storm?
   Storm olhou Thorn e franziu o cenho.
   - Sim.
   - Bom, pois ento te concentre. Est sonhando acordado outra vez.
   - Vale, como voc queira - disse ele franzindo o cenho e olhando o resto de seus irmos que o olhavam com uma careta divertida nos rostos. - O que  to divertido?
   Foi Der, o irmo mais velho, quem falou.
   -Dizem as ms lnguas que uma misteriosa mulher chamou sua ateno. Detive o outro dia ao velho senhor Johnson por furar um sinal e me contou que te ficaste to prendado de uma garota que no d p com bola.
   Quando Storm entreabriu os olhos para olhar a seu irmo. Der levantou a mo.
   - Essas foram s palavras do velho Johnson.
   - E eu ouvi que est gastando tanto dinheiro em flores que a senhora Coleman da floricultura pde pr um balano novo no alpendre as suas custas - disse Chase rindo.
   - E eu ouvi - disse Stone com um grande sorriso - que o viram por toda Atlanta com ela e que  uma beleza.  estranho que ainda no a tenhamos conhecido.
   - O que foi que sua poltica de amar e deixar, Storm? - perguntou Thorn. Storm se reclinou sobre a cadeira pensando que a pergunta de Thorn era boa, mas no tinha inteno de responder.
   - Eu sim a vi - disse Chase com um sorriso. - Veio ao restaurante noutro dia com Tara.
   - Tara? -perguntou Thorn levantando uma sobrancelha. - Tara a conhece?
   - Isso parece porque estavam almoando juntas. Entretanto, no sei se Tara sabe que Storm est louco por ela - disse Chase.
   - Me perdoem, meninos - interrompeu Storm - prefeririam que no falassem de mim como se eu no estivesse aqui.
   - Est bem, ento falaremos como se estivesse aqui - riu Stone e olhou a seguir ao Chase. -  to bonita como dizem?
   - Sim.  a filha do Adam bem crescida - disse Chase.
   - Adam? - perguntou Thorn franzindo o cenho. - Adam Penetre, o chefe de Storm que morreu faz uns meses?
   - Sim.
   - Est saindo com a filha de Adam Penetre? - perguntou Stone olhando seu irmo com curiosidade.
   - Vale. Acabou-se. J no jogo - disse Storm levantando-se e atirando as cartas sobre a mesa.
   Der olhou seu irmo mais novo. Como era o mais velho, algumas vezes tinha que ser ele quem pusesse paz entre outros e, s vezes, ordem.
   - Sente-se, Storm, est fazendo uma montanha de um gro. E para ser sincero contigo, no estiveste jogando desde que chegou. No estiveste concentrado toda a noite - disse Darei levantando uma sobrancelha a seguir. - O que tem de mau em que queiramos saber quem  a mulher com quem sai? No acha que temos direito a ter curiosidade, ao menos?
   Storm inspirou profundamente e olhou seus irmos.
   - Eu no gosto que falem dela como se parecesse com as outras mulheres com que sa.
   - Se no for como as outras mulheres tem que ser voc quem nos diga - disse Der. - No h nada mau em que nos diga que  especial, em vez de guardar em segredo - acrescentou em voz baixa.
   Storm se sentou e olhou seus irmos. Todos o estavam olhando, espectadores. Inspirou de novo profundamente.
   - Chama-se Jayla Penetre e, sim,  a filha de Adam Penetre, e samos juntos. Estamos levando com calma, e sim, ela  especial. Muito especial.
   - Quando a conheceremos? - perguntou Stone sorrindo.
   - Apresentarei no dia do baile beneficente por Mundo Infantil - disse Storm reclinando-se sobre a cadeira. - Sua empresa  um dos patrocinadores e ela se est ocupando de tudo em colaborao direta com Tara.
   - Todos esto desejando conhec-la - disse Der assentindo e sorrindo depois de olhar ao resto de seus irmos. - E agora joguemos s cartas.
   
   Jayla se sentou no sof e olhou ao redor do salo pensando que na semana anterior se converteu no cenrio de um romntico encontro. Storm lhe tinha enviado flores todos os dias e a tinha convidado para jantar freqentemente. No sbado de noite, tinham ido a um espetculo de laser no Stone Mountain e no domingo ao cinema. Na segunda-feira no se viram porque Storm tinha tido turno no parque, mas na tera-feira de noite apareceu na sua casa com comida chinesa. Tinham jantado na cozinha enquanto lhe contava o dia que tinha tido no trabalho e como foram os ltimos preparativos para o baile. 
   Tambm tinham falado dele. Storm lhe tinha contado que tinha sido eleito para representar o programa de preveno de incndios que se levaria a cabo durante todo o ano prximo na cidade e estava entusiasmado com isso.
   Olhou ento a carta que tinha na mo, a mesma carta que chegara na semana anterior, da clnica de fertilidade lhe recordando que tinha entrevista para o reconhecimento mdico que teria lugar no dia seguinte. Enquanto a lia reafirmou seu desejo de passar pelo processo. Deu um salto quando ouviu o telefone. Pensou que talvez fosse Storm e deixando a carta sobre a mesa se aproximou do aparelho. Tinha-a chamado antes para lhe dizer que ia jogar cartas com seus irmos at tarde e que h veria o dia seguinte.
   - Diga - respondeu ela levantando o telefone.
   - Sou Lisa. Como est?
   Jayla sorriu. Lisa tinha estado fora da cidade quase toda a semana a negcios.
   - Bem. Que tal sua viagem?
   - Estupenda. Eu adoro Chicago. J sabe.
   Sim. Sabia. Lisa adorava ir s compras e Chicago era sua cidade favorita para isso.
   - Ento segue em p sua idia de fazer o reconhecimento amanh?
   A pergunta silenciou os pensamentos de Jayla. Franziu o cenho.
   - Claro. Por que no teria que faz-lo?
   - Porque pelo que me disse cada vez que te chamei esta semana, a relao com Storm vai vento em popa.
   - E? - perguntou encolhendo os ombros. - O nosso relacionamento no vai durar muito. Eu sei e ele tambm.
   - Mas no tem por que ser assim, Jayla. Acredito que as coisas poderiam durar se desse uma oportunidade.
   Jayla olhou o teto com resignao.
   - Acredite, Lisa no o far. O que h entre mim e Storm  totalmente fsico. Eu gosto de estar com ele e ele de estar comigo. Por que teria que ser de outro modo?
   Ambas guardaram silncio uns momentos. Foi Lisa que o rompeu finalmente.
   - Do que tem medo, Jayla?
   Jayla estremeceu.
   - No tenho medo de nada.
   - Pois eu acredito que sim. Storm Westmoreland  tudo o que uma mulher desejaria e voc tem sorte de ser a mulher que ele gosta. Por que quer deixar passar essa maravilhosa oportunidade?
   Jayla fechou os olhos. Nunca poderia ser a mulher que Storm queria. Alm disso, ele tampouco era o que ela queria. Nesse momento, nenhum o era. O que ela queria era um beb e no uma complicada relao. Fazia tempo que tinha deixado de procurar o homem perfeito. A rotina de um matrimnio, com filhos era um conto de fadas que, talvez, ela nunca encontrasse. Seu relgio biolgico pressionava e ela tinha que tomar a deciso de formar uma famlia.
   Voltou-se ao ouvir que batiam na porta.
   - Lisa tenho que desligar. Batem na porta. Falarei contigo mais tarde. Adeus.
   Eram mais de doze da noite. A nica razo pela que ainda estava em p era porque tinha tirado a manh do dia seguinte livre para ir fazer o reconhecimento e isso no seria antes das nove da manh.
   Sabia que h essas horas s podia ser Storm. Isso explicava por que o corao lhe estava pulsando a um ritmo frentico. Tratou de no pensar nas palavras da Lisa.
   - Quem ?
   - Storm.
   Abriu a porta e ali estava olhando-a com a habitual intensidade que indicava o desejo que sentia por ela.
   - Ol - cumprimentou com um sorriso nos lbios. Devolveu-lhe o sorriso e imediatamente Jayla sentiu que seu corpo se esquentava.
   - Ol. A partida terminou logo e no tinha vontade de ir para casa.
   - Seriamente?
   - Tinha que te ver Jayla.
   - Vale. J me viu. E agora o que? - disse ela com um brilho brincalho nos olhos.
   Storm avanou uns passos para ela, e ela retrocedeu para lhe deixar entrar. Quando entrou, fechou a porta e girou a chave. Aproximou-se dela, pousou as mos sobre seus ombros e a atraiu para si, as bocas a poucos centmetros de distncia.
   - Agora isto - disse ele a meia voz.
   E a beijou.
   No momento em que suas bocas se roaram, Storm sentiu que o sangue voava por suas veias. O aroma que desprendia Jayla, seu sabor o tomava e s podia pensar em devorar aquela boca, lhe fazer amor. De repente, um sentimento que nunca antes havia sentido, aflorou em seu interior. Derrotado por sua fora, finalmente o reconheceu. Amor. Amava a Jayla.
   Storm afastou-se e a olhou durante um segundo antes de beij-la de novo. Comeou a acarici-la e a despi-la, e s interrompeu o beijo para despir-se. Ento a tomou nos braos e a levou ao quarto.
   O que teria sido singelo para qualquer um descobrir, era muito duro para um solteiro contumaz como ele. A razo pela qual queria uma relao com Jayla no tinha nada que ver com o sexo e sim com sentimentos que no tinha podido reconhecer at essa noite.
   Estava apaixonado por Jayla Penetre. Essa mulher lhe tinha roubado o corao.
   
   
    Captulo 10
   
   
   Apoiado sobre os cotovelos por cima de Jayla, Storm a olhou e sorriu. Sempre estava muito formosa depois de experimentar um orgasmo. Que mais podia pedir um homem que estar a para experiment-los com ela? Suspirou profundamente. Agora que sabia que a amava tinha que encontrar a maneira de fazer com que ela tambm o amasse. Primeiro teria que conseguir que confiasse nele e depois lhe fazer compreender que ele era o homem perfeito para ela e que sua relao seria duradoura e terminaria em casamento. Um sorriso se apoderou de seus lbios. Sim, queria que Jayla fosse sua esposa.
    - Do que ri?
   Storm a olhou. Um delicioso rubor tingia suas bochechas. Inclinou-se e depositou um suave beijo em seus lbios.
   - Depois do que compartilhamos, como pode me fazer essa pergunta?
   Como sempre, o sexo tinha sido perfeito. Tinham chegado juntos ao clmax enquanto um fogo os abrasava. Um fogo que ele no tinha querido apagar e sim incentivar mais e mais at faz-lo arder.
   Quando a tinha penetrado, Jayla estava louca de desejo, suplicando que lhe fizesse amor. Tinha cravado s unhas nas suas costas e mordiscara os ombros e quando finalmente tinham alcanado o orgasmo, ela gritou seu nome enquanto ele no deixava de mover-se at lev-la ao topo do prazer.
   Amava-a. Storm saboreou o significado do novo sentimento. Inclinou-se sobre ela e murmurou seu nome.
   - Importa-te que fique?
   - Ficaria decepcionada se no o fizesse - disse ela com um sorriso.
   -Nesse caso - riu ele -, ficarei - disse lhe dando um beijo nos lbios, ansioso por sabore-la de novo. Momentos depois, recuou para admir-la melhor. Sentiu uma quebra de onda de calor na entre perna. Se no sasse da cama, comearia a fazer amor de novo e Jayla tinha que descansar.
   - Apagarei as luzes - sussurrou ele.
   - Certo, mas volte logo.
   Storm sorriu. Saiu da cama e vestiu os jeans. E pensar que tinha suposto que precisava descansar. Olhou a planta colocada no lugar da habitao, onde ele tinha querido para que pensasse nele cada vez que a visse. Pensou no sexy sorriso de Jayla enquanto lhe dizia que tivesse pressa em voltar. Quando chegou a sala, inclinou-se para apagar o abajur que havia junto ao sof e reparou na carta que havia sobre a mesa de centro. Era uma carta de uma clnica de fertilidade. Sem pensar que no tinha direito algum a l-la, tomou e a leu. Segundos depois, derrubou-se sobre o sof sem poder acreditar no que acabava de ler. Estava consternado. Confuso. Jayla tinha procurado os servios de uma clnica de fertilidade para que a inseminassem artificialmente com o esperma de um estranho. Mas por qu?
   Voltou a ler a carta pensando que devia ter entendido mal, mas no. Tinha entrevista para o reconhecimento mdico ao dia seguinte, e quando determinassem o momento mais frtil, comearia o processo.
   - Supunha-se que mandei ter pressa.
   Storm se levantou ao ver Jayla sair da habitao. Quando esta viu a carta em suas mos, apressou-se a aproximar-se dele e a arrancou.
   - No tem direito a ler isso, Storm.
    Storm a olhava enquanto todos seus msculos vibravam. A confuso estava dando passo  raiva.
   - Ento por que no me conta isso?
   -  pessoal e no te incumbe - disse ela olhando-o.
   - Que no me incumbe? Equivoca-te. Se incumbir a ti ento a mim tambm. Est considerando a possibilidade de que a inseminem com o esperma de outro homem?
   Jayla se ergueu. Sua raiva rivalizava com a dele. Por suas palavras parecia que seu plano era algo asqueroso e degradante.
   - No estou considerando a possibilidade, vou fazer. Faz meses que tomei a deciso.
   A resposta de Jayla o pegou de surpresa e passou as mos pelo rosto como querendo apagar a raiva. Quando voltou a olh-la, Jayla estava frente a ele, com as mos apoiadas nos quadris, olhando-o fixamente. De repente, compreendeu.
   - Espera um momento.  esse o projeto com o que estava to entusiasmada?
   - Sim.
   Storm sacudiu a cabea sem poder acreditar no que estava ocorrendo.
   - Compreendo que se tenha que ir a esses centros em determinadas situaes, mas no que voc o faa. Por que, Jayla?
   - Porque quero ter um filho! - respondeu e seus olhos jogavam fascas. - Ter um filho  o que mais desejo no mundo.
   Storm ficou paralisado. Ela tinha mencionado algumas vezes que queria ter filhos, mas nunca lhe tinha dado a impresso de que estivesse obcecada para ter um j.
   - Tanto quer ter um filho que consideraste a possibilidade de ter o de um homem a quem nem sequer conhece?
   - Sim. De fato, prefiro que seja assim. Quero um filho e no a seu pai. No quero um homem que me controle.
   - Como que te controle?
   - Dizendo como viver minha vida, me obrigando a escolher entre minha carreira profissional e minha famlia.
   Storm reconheceu a acusao e se sentiu culpado.
   - E o que tem de mau que um homem queira responsabilizar-se por sua mulher para que ela no tenha que trabalhar fora de casa?
   - Para algumas mulheres, nada, mas eu prefiro cuidar de mim mesma sozinha. No quero depender de ningum.
   Storm franziu o cenho e cruzou os braos.
   - Ento est disposta a negar a essa criana a oportunidade de ter um pai por puro egosmo?
   - Se isso significa deixar de perder o tempo procurando um homem ideal que no existe, sim.
   Storm tentou controlar sua ira. Por que no era capaz de ver que ele era esse homem? Sacudiu a cabea lentamente antes de voltar a falar.
   - Se quiser um filho, eu te darei um filho.
   - O que?
   - Ouviu. Est muito equivocada se acredita que vou deixar que a mulher que amo tenha um filho de outro homem.
   - A mulher que amas? - disse ela sem sair de seu assombro.
   O silncio invadiu a estadia e Storm soube que tinha chegado o momento de lhe confessar at onde chegavam seus sentimentos por ela. Cruzou a habitao e se aproximou dela. Levantou-lhe o queixo com o dedo para que o olhasse aos olhos.
   - Sim, Jayla. Amo-te e se quer ter um filho, casaremos e teremos um.
   Jayla o olhou como se no pudesse acreditar no que Storm acabava de lhe sugerir. Finalmente, retrocedeu.
   - As coisas no funcionariam Storm. O que voc quer de uma esposa eu no estou disposta a te dar.
   - Mas eu te amo. O que me diz disso?
   - Acredito que voc gosta de deitar comigo, mas me parece difcil acreditar que me ame de verdade, Storm - disse ela encolhendo os ombros.
   Suspirou fundo ao ver que Storm no dizia nada embora continuasse olhando-a fixamente.
   - Concordamos que as coisas terminariam quando eu o dissesse - continuou Jayla rompendo o silncio. - Bom, pois chegou o momento. Continuar nos vendo s complicaria as coisas.
   - Complicar as coisas! - disse ele levantando a voz. - Te digo a quero, que quero me casar contigo e te dar o filho que tanto anseias, e voc me diz que no acredita no que digo e que prefere seguir com sua vida. E o cmulo vai seguir com esse plano louco de inseminao artificial para ter um filho de um homem que no s no te ama, mas tambm voc nem sequer conhece?
   - No tenho que te dar explicaes, Storm. Acredito que ser melhor que v.
   Storm a olhou um momento e depois se dirigiu  habitao. Pouco depois, j vestido, voltou para a sala.
   - Espero que um dia tire a venda. Talvez ento possa reconhecer quando o homem ideal passa diante de ti - e dizendo isto, partiu.
   Quando Storm saiu, Jayla tratou de convencer-se de que estava contente de que tivessem terminado. Quo ltimo precisava era um homem que tentasse control-la. Depois de apagar as luzes, voltou para o quarto e se meteu na cama tentando no fazer caso do aroma de Storm impregnado nos lenis. Fechou os olhos.
    "Quero-te, Jayla..."
   Abriu os olhos, ficou de barriga para cima e olhou o teto tentando convencer-se de que no era ela a que tinha uma venda nos olhos e sim ele. Acaso no via que o que sentia por ela no era amor a sim desejo fsico? Os solteiros empedernidos como Storm no se apaixonavam to facilmente depois de uns poucos encontros amorosos.
   Ficou de lado e fechou os olhos, mas no podia deixar de pensar em Storm. Tentou fazer-se forte, mas sabia que as lembranas que tinham compartilhado eram muito profundas. No seria fcil superar. Tinha que concentrar-se nas coisas boas que lhe estavam ocorrendo. No dia seguinte iria  clnica e se submeteria ao reconhecimento mdico que a levaria a empreender a grande aventura de sua vida. Storm no era o mais importante ter um filho, sim.
   
   -Posso falar contigo um momento, chefe?
   Storm levantou os olhos dos papis que se amontoavam em sua mesa. Depois de passar a noite acordado, levantou-se ao amanhecer e tinha ido ao parque. A maioria de seus homens ainda no tinha chegado. Embora no precisasse, ele preferia trabalhar as mesmas horas que seus homens.
   - Claro, Cobb, me diga.
   Darryl Cobb acaba de ser pai pela terceira vez. Darryl era mais jovem que Storm e se conheciam dos tempos do colgio. Tambm conhecia sua mulher. Era evidente que ela no tinha tido problemas em reconhecer em Darryl a seu homem ideal.
   - Perguntava se poderia tirar umas horas livres hoje. Temos entrevista com o pediatra e Haley chamou. Seu chefe convocou uma reunio importante para hoje.
   Storm assentiu. Haley era programador informtica em uma companhia financeira.
   - No acredito que haja nenhum problema - disse Storm examinando a tabela de atividades. - Tem que ir dar uma aula de preveno de incndios em uma escola. Pode-te substituir algum?
   - Reed me disse que no se importa - disse Darryl com um sorriso.
   Storm assentiu. O que mais gostava de ser o supervisor era que se dava muito bem com seus homens e se ajudavam quando surgia algum imprevisto.
   - Nesse caso no h problema - disse anotando-o na tabela. - Como vai desde que Haley voltou para o trabalho?
   - Uma loucura - disse ele rindo.
    - Por que voltou ento? - perguntou e ao momento sentiu que se passou da raia, mas a julgar pela risada de Cobb no parecia surpreso. Desde que era bombeiro, Storm tinha sido objeto de todas as brincadeiras por suas idias antiquadas sobre a mulher ter que ficar em casa e cuidar dos filhos. Todos haviam dito sempre que custaria muito encontrar uma mulher disposta a cumprir seus desejos.
   - Bom, a casa gigantesca que compramos em Stone Mountain  uma boa razo - disse Darryl - mas outra boa razo  que Haley desfruta fazendo o que faz e no vou pedir que renuncie a isso - disse ele olhando Storm intencionadamente. - Nisso  o que muitos homens se equivocam.
   - No que? - disse Storm levantando uma sobrancelha.
   - Ao assumir que so eles os nicos podem as cuidar. Pessoalmente, acredito que so as mulheres que os tm sob controle, e ns somos meros espectadores. Alm disso, me ocupar de meus filhos igual  Haley me faz sentir que sou to importante em suas vidas como ela e isso  importante para mim. O que importa no  quem traz o po para casa, e que ns dois, somos o sustento de nossos filhos e estamos dando todo o amor que temos, e isso  muito. E para mim isso  o mais importante.
   Quando Cobb saiu, Storm se aproximou da janela de seu escritrio e pensou no que seu amigo havia dito. A razo por que Jayla no o via como seu homem ideal era precisamente o que havia dito Darryl.
   Pensou no seu pai. Havia provido toda sua famlia com o salrio de um operrio. Pensou tambm em seus irmos e suas esposas. Inclusive sua irm, casada com um sheik, continuava trabalhando como pediatra e criando seu filho Ari, mas seu marido Jamal tambm tinha um papel importante na educao do pequeno. Logo vinham suas cunhadas, Shelly, Tara e Madison. Embora Shelly e Der eram os nicos que tinham um filho de onze anos, Storm estava seguro de que se Tara e Madison pensasse em ficar grvidas no estariam dispostas a deixar seus trabalhos.
   Pensou ento na cena com Jayla a noite anterior. Ela, a mulher que amava, no acreditava que ele fosse seu homem, no acreditava que ele fosse capaz de compreender que ela queria ter o controle de sua vida.
   Abriu os olhos e consultou a hora. Segundo a carta, Jayla estaria na clnica para fazer o reconhecimento mdico s nove. Depois disso ainda ficariam duas ou trs semanas para que o processo comeasse. Com um pouco de sorte teria suficiente tempo para convenc-la de que a amava e de que queria satisfazer todas suas necessidades, inclusive sua independncia at certo ponto. Mudar suas crenas convencionais no seria to fcil, mas estava disposto a faz-lo por ela.
   O mais importante era faz-la ver que ele era seu homem. O nico. Pela segunda vez desde que havia retornado de Nova Orlens, as palavras da anci lhe apareceram na mente.
   Sorriu. Talvez a anci tivesse um dom depois de tudo e soubesse do que estava falando. O baile beneficente era no dia seguinte e sabia que Jayla estaria l. Comearia a conquist-la com a intensidade de um homem que s tem uma idia na cabea: ganhar o amor da mulher com quem quer casar-se.
   - J pode vestir-se, senhora Penetre - disse a enfermeira. - A doutora voltar em alguns minutos com os resultados.
   - Obrigada.
   Jayla suspirou profundamente e comeou a vestir-se. No tinha pregado olho toda a noite e pela manh a idia de ir  clnica no parecia entusiasm-la tanto como deveria. Aproximou-se do espelho e se olhou. Tinha um aspecto pattico. Seu reflexo revelava uma mulher fundada em sua misria e o merecia. Nem sequer Lisa havia dito nada quando Jayla a tinha chamado pela manh para lhe contar  discusso que tinha tido com Storm. E quando lhe havia dito que Storm havia dito que a amava e que queria casar-se com ela, seu amiga se ps definitivamente contra Jayla. Mas para isso serviam as amigas.
   O triste era que Storm e Lisa tinham razo. Ela no queria reconhecer seu homem ideal embora o tivesse diante. Suspirou enquanto colocava as meias. Tampouco era to mau que Storm fosse um pouco convencional. Querer cuidar de sua esposa no era to mau.
   Ela era a primeira que pensava que algumas de suas formas antiquadas resultavam verdadeiramente doces. Alm disso, se suas idias tradicionais o fizessem difcil  de agentar, ela poderia moderniz-lo. Tampouco passava nada porque se parecesse muito a seu pai. Adam Penetre tinha sido um grande pai e nesse momento ela agradecia que tivesse sido to estrito com ela.
   Depois de despertar pela manh, levara vrias horas derrubada na auto compaixo, e agentando a revolta de Lisa at que, finalmente, tirou a venda dos olhos. Storm a amava, ele era seu homem ideal e ela tambm o amava. Compreendeu ento por que se mantivera afastado dela durante tanto tempo, mas mesmo assim tinha sido duro quando era adolescente. Desde aquele momento, tinha levantado uma muralha a seu redor para proteger-se dele antes de voltar a sentir-se rechaada por ele. Mas j era uma mulher adulta e queria o que qualquer outra mulher quereria: um homem que a amasse. E esse homem tinha pedido que se casasse com ele e tinha prometido lhe dar o filho que tanto desejava. Era realmente afortunada.
   Mas sua sorte se esfumou ao recordar que tinha recusado suas palavras de amor. E lhe parecia que Storm no era dos levavam tomavam bem o rechao. O que ocorreria se no queria voltar a v-la?
   Colocou a saia rapidamente. Em sua cabea havia uma s idia: tinha que esforar-se por emendar o engano que tinha cometido ou o perderia para sempre. O primeiro que tinha que fazer era anular o processo de inseminao. S queria um homem para ser o pai de seu filho: Storm.
   Deu a volta ao ouvir que batiam na porta.
   - Entre - disse com um sorriso de desculpa ao ver a doutora Susan Millstone - mudei de idia - disse antes que a doutora pudesse dizer nada.
   - Mudou de idia?
   - Sim. Decidi no me submeter  inseminao artificial depois de tudo.
   A doutora se apoiou na porta.
   - E posso perguntar a razo?
   - Sim. O homem que amo quer casar-se comigo e me dar o filho que anseio, e eu tambm quero - disse Jayla com um sorriso.
   A doutora Millstone sorriu e sacudiu a cabea.
   - Isto que me diz far um pouco mais fcil te dizer o que tenho que te dizer.
   - Perdo?
   - Tenho os resultados de seus exames e parece que j est grvida.
   A notcia foi to surpreendente que Jayla se deixou cair em uma cadeira. Olhou  doutora sem poder acreditarno que estava dizendo.
   -Grvida?
   -Sim. De um ms - disse a doutora. Jayla sacudiu a cabea sem poder acreditar no que estava ouvindo. Grvida de um ms!
   - Nova Orlens - disse lentamente e sorriu.
   - Perdo? - perguntou a doutora sem compreender.
   - Eu disse Nova Orlens. Fiquei grvida em Nova Orlens. Mas como  possvel se tomamos precaues?
   - Nem imagina os partos que assisti em que os pais diziam ter tomado precaues - respondeu a doutora com um sorriso. - Nenhum mtodo anticoncepcional  cem por cento seguro.
   - Isso  evidente - concordou Jayla rindo.
   - Ento est feliz com a notcia?
   Jayla deu um pulo cheia de euforia.
   - Sim, muito feliz. Enlevada de felicidade! - disse.
   S faltava que Storm tambm o estivesse quando lhe dissesse que ela tambm o amava e que estava grvida de seu filho.
   
   
    Captulo 11
   
   
   Todas as personalidades de Atlanta se deram compareceram ao baile beneficente para Mundo Infantil. Havia polticos, grandes empresrios, celebridades, figuras do esporte.
   Tambm havia um sheik entre os convidados, o muito bonito prncipe Jamal Ari Yasir, vestido com seu traje tpico do Oriente Mdio o que causou um grande revo entre as damas presentes, casadas e solteiras. Jayla sorriu, sabedora de que no servia de nada porque o sheik estava felizmente casado com o Delaney Westmoreland, a irm de Storm. Jayla olhou para um grupo de homens que conversavam e riam muito animados. Embora Storm no tivesse chegado ainda, no era difcil reconhecer aos irmos Westmoreland. Todos compartilhavam um fsico muito parecido.
   Assaltou-a a dvida de que Storm tivesse mudado de idia e no tivesse inteno de comparecer. Depois de abandonar a clnica no dia anterior, tinha decidido tirar o resto do dia livre. Muito nervosa para trabalhar, foi para casa e tinha convidado Lisa para almoar.
   Assim que a amiga chegou e contou as notcias ps-se a chorar de alegria. Contou tambm que tinha medo de contar ao Storm se por acaso j no a quisesse e voltava a recus-la. Lisa, com seu otimismo habitual, havia-lhe dito que embora Storm pudesse estar um pouco zangado com ela no duvidava de seu amor.
   Jayla havia sentido o impulso de cham-lo para que fosse v-la, mas logo recordou que tinha turno no parque assim passou o resto do dia dando voltas pela casa e perguntando-se o que lhe diria quando o visse no baile.
   - Tudo est precioso, no acha?
   Jayla se virou ao reconhecer a voz de Tara Westmoreland. Tara estava acompanhada de outras trs mulheres que Jayla reconheceu imediatamente. Desde o princpio, pareceu-lhe que todas eram formosas a sua maneira. Igual  Tara, estavam sorridentes e em seus sorrisos se refletia a sincera amizade que as unia. Jayla devolveu o sorriso quando foram apresentadas.
   As mulheres eram Shelly Westmoreland, a mulher do xerife Der Westmoreland; Madison Westmoreland, casada com Stone Westmoreland e Delaney Westmoreland Yasir. Jayla engoliu com dificuldade. As quatro formavam parte do cl Westmoreland. Jayla conseguiu que a voz sasse para responder ao comentrio de Tara.
   - Sim, realmente precioso. Todos na fundao devem estar orgulhosos do que conseguiu.
   - Sim, mas sua empresa tambm teve um papel importante. A comida  fabulosa. Todo mundo est falando do fantstico catering que escolhemos.  evidente que Indstrias Salas se superou esta noite.
   - Obrigada.
   - E eu tenho que dizer que esse vestido ficou maravilhoso - disse-lhe a mulher que tinham apresentado como Madison Westmoreland.
   - Obrigada - agradeceu Jayla sorrindo. Comeava a relaxar.
   As cinco comearam a falar ento de estilos de roupa e dos ltimos filmes que tinham visto no cinema quando um revo se levantou proveniente das mulheres que tinham ao redor. Uma rpida olhada  entrada do salo revelou o por qu. Storm e seu primo Ian acabavam de entrar e estavam cruzando o salo ao encontro do resto dos Westmoreland. Ambos estavam incrivelmente bonitos vestidos de smoking.
   Parte de Jayla tinha desejado que Storm no tivesse olhado na sua direo. Segundos depois, decidiu que teria sido melhor que no o tivesse feito para ouvir a conversa de duas mulheres que estavam perto dela.
   - Acredito que vou tentar o Storm esta noite - disse uma delas.
   - Storm Westmoreland tem fama de no estar com a mesma duas vezes - riu a outra.
   - Sim, mas tambm ouvi que se pode fazer mudar de opinio e eu vou tentar esta noite.
   Um ataque de cimes a invadiu e se virou para ver a mulher e lhe dizer que mais lhe valia manter-se longe do Storm. Mas no pde faz-lo. No tinha direito. Levantou a vista quando sentiu que algum lhe apertava o ombro carinhosamente.
   - Eu em seu lugar no me preocuparia com o que essas duas esto dizendo - sussurrou Shelly Westmoreland com um sorriso. - Uma boa fonte me contou que Storm encontrou uma mulher muito especial e s tem olhos para ela.
   Jayla piscou surpreendida para ouvir as palavras de Shelly e olhou s outras mulheres. Todas assentiram. Era evidente que as quatro tinham ouvido o mesmo. Seria possvel que soubessem que Storm e ela tinham estado saindo juntos? E qual era essa fonte de confiana de que falava Shelly Westmoreland? Teria-lhes falado Storm dela?
   O corao parou e no estava muito segura do que dizer s mulheres que a olhavam com sinceros sorrisos. Sentiu que os olhos se enchiam de lgrimas.
   - Pode ser que o tenha perdido - sussurrou sentindo-se de repente cheia de dvidas.
   Delaney riu e ps o brao ao redor dos ombros de Jayla.
   - Duvido muito. Meu irmo no tirou a vista de cima de ti desde que chegou.
   - De verdade? - perguntou Jayla esperanosa. Estava de costas para ele e no podia v-lo.
   - De verdade - disse Madison Westmoreland.
   
   - Quer tomar algo, Storm? - perguntou Jared Westmoreland a seu primo enquanto pegava uma taa de vinho que um garom levava numa bandeja.
   - Storm no quer nada para beber - disse Ian com uma careta zombadora - s a mulher que est ali falando com as mulheres Westmoreland.
   Stone Westmoreland levantou uma sobrancelha e deu uma olhada no salo. A mulher estava de costas para eles e no podia ver seu rosto.
   - Voc tambm a conhece? -perguntou surpreendido.
   - Sim. Storm nos apresentou em Nova Orlens - disse Ian rindo.
   O comentrio chamou a ateno do resto dos homens. Chase olhou seu irmo.
   - Levou-a a Nova Orlens?
   Antes que Storm pudesse responder, Ian o fez por ele.
   - Pois claro que no a levou com ele - disse como se pensar que Storm pudesse levar uma mulher em uma viagem de trabalho fosse ridculo. - Se encontraram no mesmo hotel. Ela  a filha de Adam Penetre, o antigo chefe de Storm.
   - Sim, isso ns j sabemos, Ian - disse Thorn dando um gole na sua bebida - mas que se encontraram em Nova Orlens  novidade.
   -  algo que todos que tm fingir no ter ouvido - ameaou Storm. Estava realmente irritado pelo comentrio. Zangado. E muito srio. - Pensava que havia dito que no gosto que falem de mim como se no estivesse presente.
   - Est bem, como quiser - disse Chase olhando seu irmo gmeo sem fazer caso. A seguir olhou Ian. - E que mais pode nos contar da dama do Storm?
   Os olhares de Ian e Storm se cruzaram e o primeiro captou a mensagem embora no se pudesse dizer o mesmo do resto. Ian sorriu e decidiu se fazer de bobo.
   - Me esqueci.
   Storm sorriu. Sabia que podia confiar que Ian guardaria segredo, como este podia confiar nele. Olhou ento para Jayla e desejou que no houvesse tanta gente para poder v-la melhor, ou que se virasse para que pudesse ver seu lindo rosto. Queria que ela o visse e entendesse que, por muito que desejasse tir-lo da sua vida, ele tinha decidido ficar. Como se as fadas o tivessem ouvido, as pessoas que estavam ao seu redor se dispersaram deixando-a a vista. Jayla se virou e seus olhares se cruzaram. O corao deu um salto ao ver quo formosa estava com seu vestido vermelho. Que ele tinha escolhido para ela em Nova Orlens. Desejou que aquilo significasse algo. Talvez Jayla tenha se dado conta, por fim, de que ele era seu homem ideal. Consciente de que s havia uma maneira de saber, afastou-se de seus irmos. Seu destino era a mulher que amava.
   Jayla ficou sem fala quando viu que Storm se aproximava dela. A expresso de seu rosto no deixava muito claro se alegrava de v-la ou no, mas o que sim parecia claro era que no ia evit-la. Embora talvez estivesse tirando concluses apressadas e s estivesse se aproximando do grupo em que ela estava para cumprimentar as cunhadas.
   - A vem Storm Westmoreland - ouviu uma das mulheres de antes comentar. - Acho que se deu conta do meu interesse e vem falar comigo.
   - Duvido - disse Tara e Jayla no pde evitar sorrir com a esperana de que esta tivesse razo. Conforme Storm se aproximava, aumentaram suas esperanas ao ver que a olhava, s a ela. Suspirou profundamente quando, finalmente, deteve-se frente a ela.
   - Ol, Jayla.
   - Ol, Storm - cumprimentou sorrindo ao mesmo tempo em que tentava acalmar o batimento frentico do corao. S ento Storm deixou de olh-la e cumprimentou suas cunhadas.
   - Boa noite, senhoras. Como sempre, esto todas lindas e fazendo com que ns, os Westmoreland, nos sintamos orgulhosos - se deteve e olhou Jayla. - Voc tambm est maravilhosa, Jayla.
    - Obrigada - respondeu ela. - Podemos falar por um momento em particular, Storm? - acrescentou antes de perder a coragem. Estava to bonito que quase a tinha deixado sem flego.
   Acelerou o pulso quando Storm a olhou nos olhos com tal intensidade que no pde evitar sentir um calafrio.
    -  claro - e a seguir olhou s outras mulheres. - Se nos desculparem um momento - e dizendo isto tomou a mo de Jayla e a conduziu para a porta do salo.
   - Veio muita gente - comentou Storm enquanto se dirigiam ao elegante vestbulo.
   - Sim - concordou Jayla perguntando-se aonde a levaria Storm. Era evidente que procurava toda privacidade possvel.
   Detiveram-se ao chegar ao formoso trio. Encontravam-se rodeados de plantas e tambm havia uma espcie de cascata decorativa. Jayla se sentiu nervosa de repente, insegura, mas sabia que tinha que ser ela a comear a falar. Storm merecia saber que iam ter um filho, mas antes tinha que lhe dizer muitas outras coisas. Se queria voltar com ela, teria que ser porque a amava no pela obrigao de ser o pai de seu beb.
   - Storm - disse finalmente depois de esclarecer a garganta.
   - Jayla.
   Esta sorriu quando ambos falaram ao mesmo tempo. Olhou-o e viu seu rosto inexpressivo que no lhe dava nenhuma pista do que estava sentindo.
   - Primeiro as damas - disse ele olhando-a nos olhos.
   Jayla engoliu o n que tinha na garganta. Sabia que apostava muito alto, mas recordou o que seu pai estava acostumado a lhe dizer: "Quem no arrisca, no ganha".
   - Fui  clnica esta manh.
   - Ento foi - disse depois de contempl-la em silencio durante um momento.
   - Sim, mas decidi no continuar com o procedimento - disse ela aps exalar um suspiro. O rosto de Storm permanecia insondvel embora a Jayla pareceu ver alvio no seu olhar.
   - O que te fez mudar de opinio? - perguntou ao cabo de um momento.
   Jayla engoliu e levantou o queixo.
   - Dei-me conta que tinha razo. Tinha uma venda nos olhos e decidi tir-la para ver com mais clareza.
   A tenso era palpvel entre eles. Jayla podia senti-la.
   - E o que v, Jayla? - perguntou com suavidade.
   - Vejo um homem alto e to arrebatadoramente bonito que no posso pensar com clareza; tem olhos escuros como chocolate e a voz  to sexy que sinto calafrios na espinha quando me fala. Mas o mais importante, vejo o homem perfeito para mim e o tenho na minha frente. Agora. Neste momento. S desejo no ter estragado e que ainda tenha possibilidade de que me queira porqu, agora que tirei a venda, tambm descobri que o amo muito e o quanto desejo que faa parte da minha vida.
   Jayla conteve a respirao, espectadora. A resposta no se fez esperar. Storm desdobrou um de seus sorrisos e se inclinou at que esteve a escassos milmetros dela.
   - Alegra-me que tenha chegado to rapidamente a essa concluso, Jayla Penetre, porque eu tambm te amo e no vou te deixar escapar de nenhuma maneira.
   Antes que Jayla pudesse dizer algo, beijou-a. Foi um beijo profundo, mas terno ao mesmo tempo e Jayla no pde evitar as lgrimas. Storm tambm a amava. Juntos fariam com que o casamento funcionasse porque o amor que era o ingrediente principal e eles tinham.
   - Sei que no pode ir at que isto termine, mas no sabe quanta vontade tenho de estar a ss contigo.
   - Estamos sozinhos, Storm - disse ela olhando a seu redor.
   - Sim, mas isto  um lugar pblico, muito pblico para o que quero fazer contigo - disse ele. - Mas antes, Jayla, termos que esclarecer algumas coisas. Est de acordo?
   - Estou de acordo. Mas seja o que for, chegaremos a um acordo.
   - Pode ter certeza - disse Storm tomando-a nos braos de novo.
   
   Passava da meia-noite quando Jayla entrou na casa de Storm. A noite tinha sido perfeita e se arrecadou muito dinheiro para a fundao. No era difcil imaginar que os calendrios venderiam muito bem. S na festa venderam cem mil e j receberam pedidos por a mesma quantidade.
   Porm tinham acontecido muito mais coisas. Storm fez vrias declaraes. Tinha apresentado Jayla a seus pais e ao resto da famlia. Jayla tinha conhecido tambm aos trs novos membros da famlia, Clinton, Penetre e Casey. No tinha custada nada ver que a famlia Westmoreland era muito especial e que todos estavam muito unidos.
    - Quer beber algo, Jayla?
   Virou-se e viu que Storm fechava a porta com a chave.
   - No, obrigada - disse ela olhando nervosa ao seu redor. Reparou ento em uma foto que havia sobre a lareira. Era uma foto dos dois com seu pai em sua ltima festa de aniversrio. Seu pai tinha insistido em que os dois pousassem juntos e ele, mais alto, atrs. Sorria com tanta felicidade que no pde evitar perguntar-se se conheceria seus sentimentos por Storm e teria escolhido essa forma de dar sua aprovao. Cinco meses depois, o cncer o levou.
   - Sempre que olho essa foto acredito que seu pai era mais esperto do que qualquer de ns tenha percebido.
   Jayla assentiu. Era evidente que Storm pensava o mesmo que ela. Inspirou profundamente e seu olhar se encontrou com o dele.
   - Concordo - disse finalmente, e rompeu contato com o olhar para estudar o lugar, bastante funcional. - Bonita casa.
   - Obrigado. Faz alguns meses decidi vend-la e comprar uma maior - contou enquanto a olhava de cima abaixo. - Obrigado por pr esse vestido.  meu favorito.
   - Por isso pus - admitiu com um sorriso. - Queria te dar um sinal, ou ao menos te fazer lembrar o tempo que passamos em Nova Orlens. Sabia que outra pessoa que poderia sab-lo era Ian, mas confiei que no se desse conta.
   Storm temia que o detalhe no tinha passado despercebido para seu primo. De fato, todos os homens presentes na festa tinham reparado na beleza que se ocultava sob o vestido vermelho e ele havia se sentido orgulhoso por saber que aquela mulher era dele.
   Mas agora que estavam de p no meio da sala, Storm s desejava tirar-lo porque sabia que debaixo s havia uma diminuta tanga. Mas, antes de lev-la para o quarto, tinham assuntos importantes para resolver.
   Suspirou e cruzou a distncia que os separava. Segurou sua mo antes de falar.
   - Sente-se, por favor.
   Ela assentiu e se aproximaram do sof de pele.
   - Estive pensando muito, Jayla, e tem razo. No h nada mau em que a mulher trabalhe fora de casa se quer faz-lo. A razo pela qual me opunha era porque, faz anos, quando estava no colgio, acreditei estar apaixonado por uma garota que me rechaou quando lhe disse que no queria ir  universidade e sim  academia de bombeiros. Disse-me que um homem sem educao superior no poderia atender as necessidades de uma famlia. Ao ouvir isso, algo se acendeu no meu interior e tentei lhe demonstrar que, com educao superior ou sem ela, eu poderia prover o necessrio para minha famlia.
   Jayla assentiu. Era evidente que Storm era um homem muito orgulhoso que se viu maltratado pelos comentrios insensveis de uma mulher. Suspirou e se deu conta de que j era hora dela tambm se desfazer de sua bagagem emocional.
   - A culpa do meu repdio ao casamento  de papai e sua educao severa na minha adolescncia. Eu pensei que todos os homens tentariam me controlar, mas agora vejo que papai no se enganou ao me criar assim. Acho que falhei tantas vezes na minha busca do homem perfeito porque no era o momento adequado. O momento chegou quando nos encontramos em Nova Orlens.
   Storm se inclinou para ela e a beijou com toda a paixo e intensidade que j conhecia nele e Jayla no pde evitar soltar um gemido, nem ignorar o calor que ameaava consumir todo seu corpo. Devolveu-lhe o beijo pondo nele todo seu amor igual a ele.
   Por fim, Storm se separou e tomou nos braos.
   - Casar comigo, Jayla Penetre? Me amar para o bom e para o mau, na riqueza e na pobreza, na sade e na doena, at que a morte nos separe?
   - Sim! Sim! Quero-te - disse ela com lgrimas nos olhos.
   - Eu tambm te quero - disse ele lhe sustentando o olhar com um sorriso. - Diga outra vez o que v.
   - Vejo o homem perfeito para mim e... - sussurrou no seu ouvido -, vejo o pai do meu filho.
   Jayla contemplou Storm durante o momento que demorou a compreender. Este a olhava inseguro de ter escutado corretamente.
   - Disse o que acredito que disse? -perguntou sem flego.
    Jayla sorriu, se tinha alguma dvida de que Storm estivesse to entusiasmado com a idia de ter, um filho, evaporou-se nesse momento. Seus olhos reluziam de felicidade.
   -Sim. Depois de fazer o reconhecimento mdico, disse  doutora que tinha mudado de idia sobre a inseminao e ela me disse que se alegrava porque j estava grvida - disse rindo. - Segundo meus clculos, fiquei em Nova Orlens, mas continuo sem compreender como ocorreu j que utilizamos sempre proteo.
   -Sim, mas uma camisinha no agenta tanto, carinho. Quando um homem chega a ter orgasmos mltiplos... - interrompeu quando Jayla lhe ps um dedo nos lbios.
   - Vale, fao uma idia - disse ela com um sorriso.
   - Me alegro e suponho que sabe o que significa que esteja grvida - disse ele levando-a ao quarto.
   - O que?
   - Teremos que nos casar imediatamente.
   - Quando? - perguntou rindo.
   - Amanh me parece tarde.
   - O que te parece dentro de um ms?
   -  negocivel - disse Storm enquanto a colocava sobre a cama.
   Storm retrocedeu um momento e Jayla aproveitou para olh-lo de cima abaixo. Quando reparou em quo excitado estava, inspirou profundamente.
   - Tenho a sensao de que amanh no poderei nem me mover.
   - Parece-me que tem toda razo. E eu tenho a sensao de que se no estivesse grvida j, ficaria nesta noite.
   - Est seguro de que quer ser pai, Storm? - perguntou com um sorriso. - J  um grande passo para um solteiro contumaz casar-se, quanto mais ser pai pouco depois.
   - Mas vocs no so uma esposa e um filho normais - disse ele com um grande sorriso. - Sero extraordinrios porque sero meus e prometo cuidar da filha e do neto de Adam como acredito que ele soubesse que faria.
   Inclinou-se sobre ela e lentamente lhe tirou os sapatos, o vestido e as meias. Finalmente, tirou-lhe a tanga.
   - Eu adoro esse vestido, mas definitivamente, eu gosto mais de voc nua - disse deitando-se junto a ela.
   
   
    Eplogo
   
    Um ms depois
   - Pode beijar a noiva.
   Sob o olhar de toda famlia Westmoreland no ptio da casa de seus pais, Storm sorriu para Jayla e a beijou de uma maneira que todos consideraram mais adequada para quando estivessem a ss. Mesmo assim, era o beijo que Storm queria dar a sua esposa.
   - Por fim encontrou  mulher perfeita - disse Der a seu irmo Thorn.
   - J era hora - replicou este sorrindo. Finalmente, Storm separou os lbios dos de Jayla e sorriu. Inclinou-se ento e lhe sussurrou algo ao ouvido que a fez corar violentamente.
   - Pergunto-me o que haver dito para faz-la avermelhar dessa forma tendo em conta que j  uma mulher grvida - sussurrou Stone ao Chase.
   - Conhece o Storm. Nada nele me surpreende - disse Chase encolhendo os ombros.
   - Ainda no posso acreditar - disse Jared Westmoreland sacudindo a cabea. - Sempre pensei que Storm seria o ltimo a casar-se e agora, em menos de nove meses, ser papai.
   Jared riu e olhou a Der, Thorn, Chase e Stone.
   - O que acontece a todos vocs? Todos esto passando pelo altar - acrescentou.
   -No todos - disse Chase franzindo o cenho.
   - Chegou sua vez, Chase - disse Stone sorrindo e depois olhou todos seus primos. - E o seu tambm.
   -No tente me lanar uma maldio igual a essa mulher fez com o Storm - disse Durango. Der sacudiu a cabea rindo.
   - No lanou uma maldio, s lhe leu a mo. Alm disso, se tiver que ocorrer, ocorrer. A dvida  quem ser o prximo.
   Olhou com ateno seu irmo solteiro e seus oito primos. Sorriu imaginando quem seria o prximo. Estava impaciente.
   - O nico que lhes digo  que quando ocorrer, no lute contra o sentimento. Depois se daro conta de que  o melhor que lhes aconteceu.
   - No  para te faltar com o respeito, xerife, mas vai para o inferno - disse Quade Westmoreland, voltando a afasto-se junto com o resto dos homens.
   Der riu, no pde deixar de faz-lo, enquanto pensava que logo assistiriam s bodas de outro Westmoreland. Apostaria nisso se fosse um homem de fazer apostas

FIM
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